
A questão cobra o princípio do teste de pH no diagnóstico de ruptura das membranas ovulares. O meio vaginal normal é ácido por ação dos lactobacilos, e o líquido amniótico é alcalino. Quando ele extravasa para a vagina, o pH sobe para valores próximos de 7, o que leva à alternativa D.
pH vaginal normal ácido (3,8 a 4,5) + líquido amniótico alcalino (7,0 a 7,5) = pH vaginal próximo de 7 sugere amniorrexe → confirmar com exame especular e testes complementares
Amniorrexe prematura é a ruptura das membranas ovulares antes do início do trabalho de parto, em qualquer idade gestacional. Quando ocorre antes de 37 semanas, chama-se rotura prematura de membranas pré-termo. O diagnóstico é principalmente clínico: história de perda de líquido e exame especular estéril mostrando líquido saindo pelo orifício cervical ou acumulado no fundo de saco posterior, às vezes após manobra de Valsalva. O toque vaginal deve ser evitado, porque aumenta o risco de infecção.
Quando o exame especular deixa dúvida, usam-se testes auxiliares. O teste da nitrazina avalia o pH vaginal. O normal é ácido (3,8 a 4,5), e o líquido amniótico é alcalino (7,0 a 7,5), por isso a fita fica azul quando há líquido amniótico na vagina. Outro teste é a cristalização em folha de samambaia: o líquido amniótico seco em lâmina forma cristais arborizados ao microscópio.
A principal armadilha é que o pH alcalino não é específico. Há falso-positivos com sangue, sêmen, vaginose bacteriana, tricomoníase e antissépticos, e falso-negativos quando a perda é pequena ou antiga. Nos casos duvidosos, podem ajudar os testes imunocromatográficos (PAMG-1 ou IGFBP-1) e a ultrassonografia com redução do volume de líquido amniótico.
Um pH de 2 é muito mais ácido do que o fisiológico da vagina. Não corresponde nem ao meio vaginal normal nem à presença de líquido amniótico, que é alcalino.
Um pH de 4 está dentro da faixa vaginal normal (3,8 a 4,5), mantida pelo ácido lático dos lactobacilos. Esse valor fala contra a presença de líquido amniótico.
Um pH de 4,5 é o limite superior do normal. Ainda é ácido e não indica contaminação por líquido amniótico, que eleva o pH para perto de 7.
Um pH de 7 coincide com o pH do líquido amniótico (7,0 a 7,5). Por isso é o valor mais sugestivo de amniorrexe e faz a fita de nitrazina ficar azul.
Vagina ácida (cerca de 4,5), líquido amniótico alcalino (cerca de 7): fita de nitrazina azul sugere amniorrexe. Lembre que sangue, sêmen e vaginose também alcalinizam o meio e causam falso-positivo.
Prematuridade é nascimento antes de 37 semanas; RPMO é ruptura prematura de membranas ovulares antes do início do trabalho de parto. O ponto que separa os temas vizinhos é: trabalho de parto prematuro tem contrações e modificação cervical; RPMO tem perda de líquido antes das contrações; RPMO pré-termo combina risco infeccioso com risco de prematuridade.
A banca costuma cobrar gestante antes de 37 semanas com dor tipo contração, colo apagado ou dilatado, ou perda súbita de líquido claro pela vagina.
O dado que mata a questão é:
Situação | Palavra que entrega |
|---|---|
Contrações regulares + modificação cervical antes de 37 semanas | Trabalho de parto prematuro |
Perda de líquido antes do trabalho de parto | RPMO |
RPMO antes de 37 semanas | RPMO pré-termo |
Febre, dor uterina, taquicardia fetal e líquido fétido | Corioamnionite |
RPMO + idade gestacional baixa, sem infecção | Conduta expectante |
Para prova, o raciocínio é sempre pesar dois riscos: prematuridade versus infecção.
Na prematuridade, o parto ocorre por ativação precoce das vias de contratilidade uterina, inflamação, sangramento decidual, distensão uterina ou insuficiência cervical. O detalhe útil para prova é que infecção intra-amniótica e inflamação são causas importantes, especialmente quando há RPMO.
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Na RPMO, há ruptura das membranas antes do trabalho de parto. Quanto menor a idade gestacional, maior o benefício de ganhar tempo para corticoide, neuroproteção e transferência materna; quanto maior o risco infeccioso, menor o benefício de esperar.
Regra prática: sem infecção e feto viável, tenta-se ganhar tempo; com infecção, sofrimento fetal ou descolamento, interrompe-se.
Na prematuridade, a apresentação clássica é gestante entre 20 e 36 semanas e 6 dias com contrações uterinas regulares, dor lombar, pressão pélvica, cólica e alteração cervical.
Na RPMO, a apresentação clássica é perda vaginal súbita ou contínua de líquido claro, em grande quantidade, que molha roupas ou escorre pelas pernas. O exame especular mostra líquido em fundo de saco vaginal ou saída de líquido pelo orifício externo do colo.
Pode haver diminuição do líquido amniótico ao ultrassom, mas ultrassom não confirma RPMO sozinho.
A banca também cobra fatores de risco: história de parto prematuro, gestação gemelar, colo curto, infecções genitais, tabagismo, sangramento, polidrâmnio, malformações uterinas, baixa condição socioeconômica e procedimentos invasivos.
Em trabalho de parto prematuro, fibronectina fetal negativa entre 22 e 34 semanas tem alto valor preditivo negativo. Em prova, ela serve mais para dizer quem tem baixo risco de parto iminente do que para confirmar parto prematuro.
Suspeite de corioamnionite quando houver febre materna, dor uterina, taquicardia materna, taquicardia fetal, líquido amniótico purulento ou fétido e leucocitose.
Red flags que mudam conduta:
Red flag | Conduta de prova |
|---|---|
Corioamnionite | Interromper gestação |
Sofrimento fetal | Interromper gestação |
Descolamento prematuro de placenta | Interromper gestação |
Trabalho de parto avançado | Não insistir em tocólise |
Prolapso de cordão | Emergência obstétrica |
Instabilidade materna | Prioridade materna |
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.