
A questão cobra o calendário de exames do pré-natal e pede o único que não pertence ao primeiro trimestre. Glicemia de jejum, eletroforese de hemoglobina, colpocitologia (se o rastreamento estiver pendente) e TSH podem ser solicitados no início da gestação. Já a cultura para estreptococo do grupo B é feita no fim do terceiro trimestre, o que torna a letra C a resposta.
Gestação inicial (BHCG positivo) + pesquisa de Streptococcus agalactiae = exame fora de época → cultura vaginal e retal só com 35 a 37 semanas
Nuligesta é a mulher que nunca engravidou. Na notação obstétrica (G para gestações, P para partos, A para abortos), a nuligesta é G0. A partir da primeira gravidez, inclusive na gestação atual confirmada por BHCG positivo, ela passa a ser primigesta (G1). Quem nunca pariu é nulípara (P0), mesmo que já tenha engravidado. Por isso, a gestante do enunciado é, tecnicamente, primigesta e nulípara, e não nuligesta. Bancas às vezes erram ou exploram essa diferença.
Na primeira consulta de pré-natal, o Ministério da Saúde orienta solicitar: tipagem ABO e fator Rh, hemograma, glicemia de jejum, sorologias (sífilis, HIV, hepatite B, toxoplasmose e outras conforme o protocolo), urina tipo I e urocultura, e eletroforese de hemoglobina. A colpocitologia oncótica entra se o rastreamento do câncer de colo estiver em atraso e pode ser colhida em qualquer trimestre. O TSH faz parte da rotina em vários protocolos e é sempre indicado em gestantes com fatores de risco para tireoidopatia.
O estreptococo do grupo B (Streptococcus agalactiae) é pesquisado por swab vaginal e retal no fim da gestação: 35 a 37 semanas nas referências brasileiras e 36 a 37 semanas pela recomendação atual do ACOG. Colher no primeiro trimestre não tem valor, pois a colonização é transitória e o objetivo é guiar a profilaxia antibiótica intraparto contra a sepse neonatal precoce.
A glicemia de jejum é pedida na primeira consulta. Valores de 92 a 125 mg/dL definem diabetes gestacional, e 126 mg/dL ou mais sugerem diabetes prévio à gestação.
A eletroforese de hemoglobina faz parte dos exames iniciais do pré-natal no Brasil para rastrear doença falciforme, traço falciforme e outras hemoglobinopatias.
A cultura para estreptococo do grupo B só tem valor no fim do terceiro trimestre (35 a 37 semanas), quando prediz a colonização no parto. Por isso, não é indicada no primeiro trimestre e é a resposta da questão.
A colpocitologia oncótica pode e deve ser colhida já no início do pré-natal se o rastreamento estiver em atraso, pois a gestação não contraindica o exame.
O TSH pode ser solicitado no primeiro trimestre, sendo rotina em vários protocolos e obrigatório na presença de fatores de risco para disfunção tireoidiana.
Estreptococo do grupo B é sempre exame do fim da gestação (35 a 37 semanas). Se aparecer em lista de exames do primeiro trimestre, é a alternativa fora do lugar.
Pré-natal é o acompanhamento sistemático da gestante para identificar riscos maternos e fetais, prevenir complicações, rastrear doenças frequentes e definir condutas no momento certo.
O que separa pré-natal dos temas vizinhos é que a banca não quer só saber doença obstétrica isolada. Ela quer saber o que pedir, quando pedir, como interpretar e o que fazer diante de cada achado no acompanhamento da gestação.
A banca costuma cobrar uma gestante em consulta de rotina, geralmente no 1º trimestre, perguntando exames iniciais, suplementação, vacinas, idade gestacional, classificação de risco ou rastreamentos obrigatórios.
Perfil clássico:
Gestante assintomática iniciando pré-natal.
Dúvida sobre datação pela DUM ou ultrassonografia.
Exames de rotina com anemia, bacteriúria, sífilis, HIV, toxoplasmose ou diabetes gestacional.
Pergunta sobre vacina permitida ou contraindicada.
Situação que muda o risco e exige pré-natal de alto risco.
Palavras que entregam o tema:
"Primeira consulta de pré-natal".
"Exames de rotina".
"Gestante assintomática".
"Idade gestacional incerta".
"Carteira vacinal incompleta".
"Teste rápido reagente".
A gestação aumenta demanda metabólica, altera imunidade, expande volume plasmático e modifica função renal, cardiovascular e endócrina. Por isso, doenças antes silenciosas podem aparecer ou piorar.
Para prova, o raciocínio central é:
Gestante tem maior risco de anemia por deficiência de ferro.
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Infecção urinária assintomática tem maior risco de pielonefrite e parto prematuro.
Sífilis, HIV, hepatite B e outras infecções podem ser transmitidas verticalmente.
Diabetes gestacional surge por resistência insulínica placentária, principalmente na segunda metade da gestação.
Hipertensão, proteinúria e sinais de gravidade precisam ser rastreados em toda consulta.
A idade gestacional bem definida muda tudo: rastreamento, viabilidade, conduta e interpretação dos exames.
Gestante sem sintomas, em consulta de rotina.
Altura uterina compatível ou incompatível com idade gestacional.
Pressão arterial medida em toda consulta.
Ganho ponderal avaliado ao longo do pré-natal.
Batimentos cardiofetais a partir de cerca de 10 a 12 semanas com Doppler.
Movimentação fetal percebida geralmente a partir de 18 a 20 semanas, podendo ser antes em multíparas.
Exames laboratoriais alterados em paciente assintomática.
Náuseas e vômitos no início da gestação.
Corrimento, disúria, sangramento ou dor pélvica.
Edema leve de membros inferiores no fim da gestação.
Queixa de cefaleia, escotomas, epigastralgia ou dispneia, que muda o nível de preocupação.
Dúvida sobre uso de medicamentos e vacinas.
Dúvida sobre atividade física, alimentação, tabagismo e álcool.
Pressão arterial ≥ 140 x 90 mmHg após 20 semanas.
Cefaleia intensa, escotomas, dor epigástrica ou dor em hipocôndrio direito.
Sangramento vaginal.
Perda de líquido vaginal.
Febre.
Dor abdominal intensa.
Redução importante ou ausência de movimentos fetais.
Dispneia, dor torácica ou síncope.
Convulsão.
Altura uterina muito discrepante da idade gestacional.
Teste rápido positivo para sífilis ou HIV sem tratamento iniciado.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.