
A questão cobra a conduta diante de um cisto ovariano com aspecto ultrassonográfico benigno em mulher na menacme. Um cisto de 3 cm, unilocular, anecoico, com limites bem definidos e sem septos é um cisto simples, quase sempre funcional (folicular ou de corpo lúteo), com regressão espontânea na maioria dos casos. Por isso a melhor conduta é expectante, sem punção nem cirurgia.
Mulher em idade reprodutiva + cisto ovariano unilocular, liso, sem septos, de 3 cm = cisto simples provavelmente funcional → conduta expectante
Os cistos uniloculares são imagens anexiais com uma única cavidade, sem septos internos. Quando têm parede fina e lisa, conteúdo anecoico, reforço acústico posterior e ausência de componente sólido, papilas ou fluxo ao Doppler, são chamados de cisto simples. Na pré-menopausa, a maioria corresponde a cisto funcional (folículo dominante, cisto folicular ou cisto de corpo lúteo), formado durante o ciclo menstrual e que costuma regredir espontaneamente.
A avaliação é feita pela ultrassonografia, de preferência transvaginal, e hoje é padronizada pelo sistema O-RADS. Em mulheres na pré-menopausa, um cisto simples de até 3 cm é considerado achado fisiológico, e entre 3 e 5 cm é quase certamente benigno, sem necessidade de seguimento de rotina. Cistos simples maiores podem ser acompanhados com ultrassonografia. A conduta expectante evita punções e cirurgias desnecessárias.
As armadilhas de prova são duas. Primeira: tratar como suspeitos todos os cistos uniloculares, quando o que muda o risco são componentes sólidos, papilas, septos espessos, vascularização interna, ascite ou contexto de pós-menopausa com marcadores alterados. Segunda: indicar punção, que não é tratamento adequado, porque o cisto tende a recidivar e, se houver neoplasia oculta, há risco de disseminação do conteúdo. A cirurgia fica reservada para suspeita de malignidade, persistência com crescimento, sintomas ou complicações como torção e rotura.
Cisto simples de 3 cm em mulher de 32 anos tem altíssima probabilidade de ser funcional e benigno. A observação, com reavaliação clínica e ultrassonográfica se necessário, é a melhor conduta.
Laparotomia exploradora é procedimento de grande porte e não tem indicação em massa anexial sem qualquer critério de suspeição, sintoma ou complicação.
A punção de cisto ovariano não é recomendada. Tem alta taxa de recidiva, não oferece diagnóstico histológico e, diante de neoplasia não reconhecida, pode disseminar células tumorais.
A videolaparoscopia é a via preferencial quando há indicação cirúrgica de massa anexial de aspecto benigno, como persistência, crescimento ou sintomas. Não se aplica a um cisto simples de 3 cm recém-diagnosticado.
Cisto ovariano simples (unilocular, anecoico, parede fina, sem septos ou componente sólido) em mulher na menacme é funcional até prova em contrário: conduta expectante. A cirurgia entra por critérios de suspeição, sintomas ou complicação, e a punção não é conduta.
Patologias do ovário, para prova, quase sempre aparecem como massa anexial, dor pélvica aguda, alteração menstrual, infertilidade ou suspeita de malignidade. O que separa uma questão da outra é reconhecer se o quadro é funcional, inflamatório, torção, endometrioma, síndrome dos ovários policísticos ou câncer de ovário.
A banca costuma cobrar uma mulher com dor pélvica, achado de massa anexial no ultrassom, irregularidade menstrual ou sintomas compressivos. O dado que mata a questão é a combinação entre idade, aspecto ultrassonográfico, sintomas agudos e marcadores tumorais.
Padrões clássicos:
Situação | Pense em |
|---|---|
Adolescente ou mulher jovem com dor súbita, náuseas, vômitos e massa anexial | Torção ovariana |
Mulher em idade reprodutiva com cisto simples, fino, anecoico | Cisto funcional |
Dor pélvica crônica, dismenorreia, infertilidade, cisto com conteúdo em vidro-fosco | Endometrioma |
Hirsutismo, acne, oligomenorreia e ovários policísticos | Síndrome dos ovários policísticos |
Pós-menopausa com massa sólida, septos espessos, papilas, ascite ou bilateralidade | Câncer de ovário |
Menina com massa anexial e puberdade precoce | Tumor de células da granulosa |
Massa ovariana com dentes, gordura ou calcificações | Teratoma maduro |
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Para prova, o ovário adoece por quatro mecanismos principais:
Alteração funcional do ciclo ovulatório: gera cistos foliculares e de corpo lúteo.
Proliferação tumoral: pode ser benigna, borderline ou maligna.
Implantação ectópica de tecido endometrial: forma o endometrioma.
Comprometimento vascular: torção ovariana, geralmente sobre ovário aumentado por cisto ou tumor.
O ponto prático é: ovário aumentado torce; massa complexa em pós-menopausa preocupa; cisto simples em mulher jovem costuma ser benigno; dor súbita com vômitos é torção até prova em contrário.
A apresentação mais cobrada é a massa anexial no ultrassom. A questão quer que o candidato diferencie acompanhamento, cirurgia eletiva, cirurgia de urgência ou investigação oncológica.
Achados importantes:
Cisto funcional: geralmente assintomático ou dor leve, em idade reprodutiva.
Cisto hemorrágico: dor pélvica aguda, podendo simular abdome agudo.
Endometrioma: dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia, infertilidade.
Torção ovariana: dor súbita unilateral, náuseas, vômitos, massa anexial.
Câncer de ovário: distensão abdominal, saciedade precoce, perda ponderal, dor pélvica, ascite, massa complexa.
Teratoma maduro: tumor benigno de células germinativas, comum em mulheres jovens, pode conter gordura, dentes e calcificações.
Cistadenoma seroso ou mucinoso: massa epitelial benigna, geralmente cística.
Tumor de células da granulosa: pode produzir estrogênio, causando sangramento uterino anormal, hiperplasia endometrial ou puberdade precoce.
Tumor de Sertoli-Leydig: pode produzir androgênios, causando virilização.
Tumor de Krukenberg: metástase ovariana, classicamente de câncer gástrico, frequentemente bilateral e mucinoso.
Massa anexial em pós-menopausa.
Massa sólida ou sólido-cística.
Papilas, septos espessos ou vegetações.
Ascite.
Bilateralidade.
Crescimento rápido.
CA-125 elevado em pós-menopausa.
Sintomas constitucionais ou gastrointestinais persistentes.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.