
A questão cobra o reconhecimento semiológico da doença inflamatória pélvica. Em uma adolescente com dor no baixo ventre, febre alta e dor intensa à mobilização do colo uterino (sinal de Chandelier), a hipótese mais provável é DIP. As demais alternativas não explicam a dor à mobilização cervical nem combinam com o perfil da paciente.
Mulher jovem + dor hipogástrica/anexial + febre + dor à mobilização do colo (sinal de Chandelier) = doença inflamatória pélvica → excluir gravidez com beta-hCG e iniciar antibioticoterapia.
O sinal de chandelier é a dor intensa provocada pela mobilização do colo uterino durante o toque vaginal bimanual. O nome vem da imagem clássica da paciente que, de tanta dor, parece querer se agarrar ao lustre (chandelier) do teto. Ele traduz irritação peritoneal pélvica e inflamação do trato genital superior, por isso é um achado típico da doença inflamatória pélvica (DIP). A DIP é uma infecção ascendente, a partir do colo, que atinge endométrio, tubas, ovários e peritônio pélvico. Clamídia e gonococo são os agentes classicamente envolvidos, mas a infecção costuma ser polimicrobiana.
No diagnóstico clínico da DIP, a dor à mobilização do colo uterino é um dos critérios maiores, ao lado da dor em hipogástrio e da dor à palpação dos anexos. Pelo protocolo brasileiro de IST, o diagnóstico exige três critérios maiores mais um menor, ou um critério elaborado. Entre os critérios menores estão a febre, o corrimento cervical anormal, a leucocitose e as provas inflamatórias elevadas. Entre os elaborados estão o abscesso tubo-ovariano em exame de imagem e a laparoscopia compatível. O limiar de suspeita deve ser baixo, porque a DIP não tratada pode deixar infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica.
A principal armadilha é tratar o sinal como patognomônico. A dor à mobilização do colo também ocorre na gravidez ectópica, na apendicite de posição pélvica, na torção anexial e na endometriose. Por isso, toda mulher em idade fértil com esse achado precisa de beta-hCG antes de qualquer conclusão. O sinal tem boa sensibilidade, mas baixa especificidade: deve ser interpretado dentro do contexto clínico.
É a hipótese mais provável. Em uma jovem, a associação de dor em hipogástrio e fossa ilíaca, febre alta e dor à mobilização do colo uterino é o quadro típico de DIP.
A apendicite pode causar dor à mobilização do colo quando o apêndice é pélvico, mas a dor tipicamente migra para a fossa ilíaca direita. A dor em fossa ilíaca esquerda associada ao sinal de Chandelier aponta para DIP.
A infecção urinária baixa manifesta-se com disúria, polaciúria e urgência, sem dor à mobilização do colo uterino. A pielonefrite cursa com febre, mas com dor lombar e sinal de Giordano.
A diverticulite dá dor em fossa ilíaca esquerda, mas é doença de adultos mais velhos e muito improvável aos 17 anos. Além disso, não explica a dor à mobilização do colo.
A pancreatite causa dor epigástrica intensa, frequentemente em faixa e irradiada para o dorso, com náuseas e vômitos. Não se relaciona com dor pélvica nem com o sinal de Chandelier.
Mulher jovem com dor pélvica, febre e sinal de Chandelier é DIP na prova. Na vida real, sempre exclua gravidez ectópica com beta-hCG, porque o sinal não é patognomônico.
Doença inflamatória pélvica é infecção ascendente do trato genital superior, geralmente a partir de cervicite por Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, podendo envolver endométrio, tubas, ovários e peritônio pélvico.
O que separa DIP dos vizinhos é: mulher sexualmente ativa, dor pélvica baixa, dor à mobilização do colo ou dor anexial, muitas vezes com corrimento, sangramento uterino anormal ou febre. Para prova, o ponto central é não esperar exame confirmatório para tratar.
A banca costuma cobrar mulher jovem, sexualmente ativa, com dor em baixo ventre, dispareunia, corrimento vaginal ou sangramento pós-coito, associada a dor à mobilização cervical no toque bimanual.
O perfil clássico:
Mulher em idade reprodutiva.
Múltiplos parceiros, novo parceiro ou relação sem preservativo.
História de IST, cervicite ou DIP prévia.
Dor pélvica bilateral ou hipogástrica.
Corrimento mucopurulento ou sangramento intermenstrual.
Dor à mobilização do colo uterino.
A palavra que entrega o diagnóstico é "dor à mobilização do colo" em paciente com dor pélvica e risco sexual.
O dado que mata a questão: teste de gravidez negativo, dor pélvica, corrimento e dor à mobilização cervical. Isso é DIP até prova em contrário.
A DIP começa, em geral, como infecção do trato genital inferior, principalmente cervicite, que ascende para endométrio, tubas e estruturas pélvicas.
Agentes mais cobrados:
Chlamydia trachomatis.
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Neisseria gonorrhoeae.
Anaeróbios vaginais.
Mycoplasma genitalium pode estar envolvido, mas costuma ser detalhe secundário para prova.
A inflamação tubária explica as complicações clássicas:
Infertilidade por fator tubário.
Gravidez ectópica.
Dor pélvica crônica.
Abscesso tubo-ovariano.
Não confunda: DIP não é só gonococo e clamídia. Por isso o tratamento precisa cobrir anaeróbios, especialmente nos esquemas atuais.
Dor pélvica baixa ou dor abdominal inferior.
Dor à mobilização do colo uterino.
Dor uterina.
Dor anexial.
Corrimento vaginal ou cervical mucopurulento.
Sangramento uterino anormal.
Dispareunia.
Febre pode ocorrer, mas sua ausência não exclui DIP.
Para prova, o mais importante é: DIP pode ser oligoassintomática. Não precisa ter febre alta ou toxemia para tratar.
Disúria sem cistite evidente.
Náuseas e vômitos.
Dor em hipocôndrio direito por peri-hepatite, chamada síndrome de Fitz-Hugh-Curtis.
Massa anexial dolorosa quando há abscesso tubo-ovariano.
Leucorreia, friabilidade cervical ou sangramento ao toque.
Gestação.
Suspeita de abscesso tubo-ovariano.
Febre alta, toxemia ou sepse.
Vômitos ou incapacidade de usar medicação oral.
Dor abdominal intensa com irritação peritoneal.
Falha de tratamento ambulatorial após 48 a 72 horas.
Diagnóstico incerto com possibilidade de emergência cirúrgica, como apendicite ou torção anexial.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.