
A questão cobra o significado da sigla ESBL, que vem do inglês extended-spectrum beta-lactamase, ou betalactamase de espectro estendido. O contexto clínico mostra um cenário típico: um idoso internado em uso de ceftriaxona desenvolve infecção por bactéria resistente a cefalosporinas. Basta traduzir a sigla e lembrar que ela nomeia a enzima, não o microrganismo.
Idoso internado + uso prévio de ceftriaxona + nova infecção urinária com urocultura ESBL positivo = enterobactéria produtora de betalactamase de espectro estendido → evitar cefalosporinas e preferir carbapenêmico se grave
As cefalosporinas 3 geração (ceftriaxona, cefotaxima e ceftazidima) são betalactâmicos com boa atividade contra enterobactérias. Por isso são muito usadas em pneumonia, infecção urinária complicada e meningite. O principal mecanismo de resistência das enterobactérias a esse grupo é a produção de ESBL, sigla em inglês para betalactamase de espectro estendido.
Essas enzimas geralmente são codificadas em plasmídeos, dos tipos TEM, SHV e, hoje predominante, CTX-M. Elas hidrolisam penicilinas, cefalosporinas de primeira a terceira geração e aztreonam, e a cefepima não é considerada confiável. Os carbapenêmicos e as cefamicinas, como a cefoxitina, permanecem estáveis. As ESBL são inibidas in vitro por inibidores de betalactamase, como clavulanato e tazobactam. São mais encontradas em Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae.
Armadilha de prova: ESBL é o nome da enzima, não da bactéria. Uso prévio de cefalosporinas, internação e idade avançada são fatores de risco. Na infecção grave por enterobactéria produtora de ESBL, os carbapenêmicos são a escolha: no ensaio MERINO, piperacilina-tazobactam foi inferior ao meropeném na bacteremia por E. coli ou Klebsiella resistentes à ceftriaxona.
É um distrator plausível porque as ESBL são de fato produzidas principalmente por enterobactérias. Porém, a sigla designa a enzima (beta-lactamase), e não a bactéria que a produz.
ESBL significa extended-spectrum beta-lactamase, ou seja, betalactamase de espectro estendido. Essa enzima inativa penicilinas, cefalosporinas até a terceira geração e aztreonam.
A sigla não descreve sensibilidade, e a ideia é oposta à realidade. Bactérias produtoras de ESBL são resistentes aos betalactâmicos que a enzima hidrolisa.
A letra E da sigla vem de extended, isto é, espectro estendido. O nome existe justamente porque essas enzimas ampliaram o espectro das betalactamases clássicas para incluir as cefalosporinas de terceira geração.
ESBL é a enzima, betalactamase de espectro estendido, que derruba as cefalosporinas de terceira geração e o aztreonam. Na infecção grave, pense em carbapenêmico.
A escolha do antibiótico depende de quatro coisas: foco provável + germe provável + gravidade + perfil do paciente (alergia, gestação, idade, função renal, uso recente de antibiótico, internação). Começa-se de forma empírica e, quando a cultura chega, descalona-se para o menor espectro eficaz. Para a prova, o tema tem uma base que cai sempre (o que cada classe cobre e o que não cobre, bactericida × bacteriostático, empírica × específica) e um segundo andar de detalhes: mecanismo de ação, toxicidade marcante, gestante e recém-nascido, alergia a penicilina e germes resistentes (ESBL, AmpC, KPC, MRSA, VRE). O esquema empírico de cada síndrome (PAC, ITU, meningite, DIP, sepse, IST) fica no tema da própria doença; aqui fica o que vale para qualquer infecção.
Diante de uma questão de antibiótico, siga esta ordem: (1) qual é o foco? (2) quais germes são prováveis? (3) preciso cobrir MRSA, Pseudomonas, anaeróbios ou atípicos? (4) há alergia, gestação ou insuficiência renal? (5) depois da cultura, dá para estreitar o espectro?
Cobertura: "qual antibiótico cobre Pseudomonas", "qual cefalosporina cobre MRSA", "por que o betalactâmico falhou na pneumonia atípica".
Associação droga e efeito adverso: "assinale a associação que NÃO corresponde". A clássica falsa é quinolona com ototoxicidade (ototóxico é aminoglicosídeo).
Gestante: "qual antibiótico deve ser evitado". Resposta típica: quinolona ou tetraciclina; sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP) no 1º e no 3º trimestres; nitrofurantoína depois de 36 semanas.
Cultura com resistência: caso de enfermaria ou UTI com urocultura ou hemocultura "ESBL positivo", "KPC" ou "metalobetalactamase", e a pergunta é a droga.
Mecanismo: "são inibidores da síntese da parede celular", "qual interfere na síntese proteica", "quinolonas inibem a DNA girase".
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Uso racional: principal fator de pressão para resistência (uso indiscriminado de antibiótico), revisão da prescrição em 48 a 72 horas, descalonamento, terapia sequencial (venosa para oral).
PK/PD: infusão prolongada ou contínua de betalactâmico e dose única diária de aminoglicosídeo.
Alergia a penicilina: quem pode receber cefalosporina, carbapenêmico ou aztreonam.
O dado que mata a questão: "rubor em face e tronco durante infusão rápida de vancomicina" é reação infusional (síndrome do homem vermelho), não alergia.
Bactericida × bacteriostático: bactericidas matam (betalactâmicos, aminoglicosídeos, fluoroquinolonas, vancomicina, metronidazol); bacteriostáticos inibem o crescimento (tetraciclinas, clindamicina e linezolida contra estafilococo e enterococo). Bacteriostático não quer dizer fraco.
Onde cada classe age:
Parede celular: betalactâmicos (penicilinas, cefalosporinas, carbapenêmicos e o monobactâmico aztreonam) ligam-se às proteínas ligadoras de penicilina (PBP) e inibem a síntese da parede. A vancomicina, um glicopeptídeo, também inibe a síntese da parede. São bactericidas.
Síntese proteica: aminoglicosídeos (ligam-se ao ribossomo, bactericidas); tetraciclinas e doxiciclina (subunidade 30S); macrolídeos, clindamicina e linezolida (subunidade 50S). A clindamicina é bacteriostática; a linezolida impede a formação do complexo de iniciação 70S.
DNA: fluoroquinolonas inibem a DNA girase (topoisomerase II) e a topoisomerase IV.
Folato: o sulfametoxazol compete com o PABA na síntese de ácido di-hidrofólico e a trimetoprima inibe a di-hidrofolato redutase. São duas etapas seguidas da mesma via, por isso a associação.
Farmacocinética e farmacodinâmica (PK/PD):
Betalactâmicos: o efeito depende do tempo em que a concentração livre fica acima da concentração inibitória mínima (fT>CIM). Daí a infusão prolongada no paciente crítico ou com germe multirresistente.
Aminoglicosídeos: concentração-dependentes, alvo de pico (Cmáx/CIM) de 8 a 10. Daí a dose única diária.
Fluoroquinolonas: concentração-dependentes; o índice que melhor prediz eficácia é a AUC/CIM.
Vancomicina: AUC/CIM, com alvo clássico de 400 ou mais.
Mecanismos de resistência que caem:
Betalactamase: Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis produtores de betalactamase resistem à amoxicilina. O inibidor de betalactamase (clavulanato, sulbactam, tazobactam) associado à penicilina recupera a atividade.
ESBL (betalactamase de espectro estendido): enzimas das Enterobacterales (E. coli, Klebsiella) que inativam a maioria das penicilinas, das cefalosporinas e o aztreonam. Em geral continuam sensíveis aos carbapenêmicos, e a ESBL não inativa drogas que não são betalactâmicos (quinolona, SMX-TMP, aminoglicosídeo).
AmpC induzível: Enterobacter cloacae, Klebsiella aerogenes e Citrobacter freundii podem passar a produzir AmpC durante o tratamento e falhar com ceftriaxona.
MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina): o gene mecA produz uma PBP alterada, de baixa afinidade, e o germe resiste aos betalactâmicos clássicos.
Carbapenemases: KPC (serino-carbapenemase) e NDM (metalobetalactamase) tornam a Enterobacterales resistente aos carbapenêmicos.
Resistência intrínseca: atípicos (Mycoplasma não tem parede; Chlamydia é intracelular) não respondem a betalactâmico; Listeria não é coberta por ceftriaxona.
O uso de antimicrobianos seleciona microrganismos resistentes: é a base do uso racional.
Toxicidade marcante, que a banca cobra em associação:
Vancomicina: reação infusional com infusão rápida (síndrome do homem vermelho: rubor, eritema, prurido, hipotensão). Infundir em pelo menos 60 minutos. Também causa lesão renal aguda.
Aminoglicosídeos: nefrotoxicidade e ototoxicidade vestibular e auditiva, em geral irreversível; bloqueio neuromuscular (cuidado na miastenia). Na gestação, atravessam a placenta e podem causar surdez congênita.
Fluoroquinolonas: advertência máxima para tendinite e ruptura de tendão, neuropatia periférica, efeitos no sistema nervoso central e piora da miastenia gravis. Prolongam o QT. Causam artropatia em animais jovens, por isso o uso abaixo de 18 anos fica restrito a indicações específicas.
Macrolídeos: prolongamento do QT e torsades de pointes.
Cloranfenicol: aplasia de medula e síndrome cinzenta no recém-nascido.
Tetraciclinas: descoloração permanente dos dentes se usadas durante a formação dentária (segunda metade da gestação, lactente e criança até 8 anos) e fotossensibilidade.
SMX-TMP: hipercalemia (sobretudo com insuficiência renal ou droga que retém potássio, como IECA), síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica; contraindicado abaixo de 2 meses.
Ceftriaxona: contraindicada no recém-nascido com hiperbilirrubinemia (desloca a bilirrubina da albumina e aumenta o risco de encefalopatia bilirrubínica) e no recém-nascido de até 28 dias que precise de cálcio venoso (precipitação).
Linezolida: mielossupressão (trombocitopenia) e síndrome serotoninérgica com antidepressivo serotoninérgico ou IMAO.
Metronidazol: reação tipo dissulfiram com álcool (cólica, náusea, vômito, cefaleia, rubor).
Imipenem: convulsões. Polimixinas: nefrotoxicidade e neurotoxicidade, até paralisia respiratória por bloqueio neuromuscular.
Clindamicina: colite por Clostridioides difficile (quase todo antibiótico pode causar).
Eritromicina no lactente: estenose hipertrófica de piloro. Daptomicina: miopatia com CPK elevada.
Urticária aguda ou anafilaxia após betalactâmico: tratar como alergia, suspender e escolher a alternativa pela tabela de reação cruzada.
Exantema em uso de SMX-TMP: suspender na primeira lesão de pele, porque pode evoluir para Stevens-Johnson ou necrólise epidérmica tóxica.
Insuficiência renal com aminoglicosídeo, vancomicina ou polimixina: risco de toxicidade somada.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.