
A questão cobra a classificação dos níveis de prevenção de Leavell e Clark e pede a afirmação INCORRETA. Pedir PSA para homens assintomáticos tem como objetivo detectar câncer de próstata antes dos sintomas. Isso é rastreamento, portanto prevenção secundária, e não terciária. Por isso, a alternativa A é a resposta.
PSA em homem assintomático + objetivo de achar câncer em fase inicial = prevenção secundária (não terciária) → alternativa A é a incorreta
A historia natural da doença, no modelo de Leavell e Clark, descreve como uma doença evolui quando não há intervenção. Ela se divide em dois momentos. No período pré-patogênico, os fatores de risco interagem, mas ainda não há doença. No período patogênico, a doença já se instalou, primeiro sem sintomas e depois com sinais clínicos, podendo evoluir para cura, cronicidade, sequela ou morte. Cada nível de prevenção corresponde a uma fase dessa linha do tempo.
A prevenção primária atua no período pré-patogênico, por meio da promoção da saúde (educação alimentar, saneamento) e da proteção específica (vacinas, quimioprofilaxia). A prevenção secundária atua no início do período patogênico, com diagnóstico e tratamento precoces: rastreamento de pessoas assintomáticas e estratégias de detecção precoce. A prevenção terciária atua sobre a doença já estabelecida ou suas sequelas, com reabilitação e reinserção, como a fisioterapia após um AVC.
Armadilhas: classifique a medida pelo momento da doença em que ela atua, e não pela tecnologia usada. Um exame só vira prevenção terciária se for feito em quem já tem a doença, por exemplo no seguimento para detectar complicações. Fora do modelo original existe ainda a prevenção quaternária, que busca proteger o paciente de intervenções desnecessárias e do sobrediagnóstico. Ela é muito cobrada justamente no contexto do PSA, cujo rastreamento populacional não é recomendado pelo Ministério da Saúde.
Esta é a afirmação errada e, portanto, a resposta. Pedir PSA para homens assintomáticos visa detectar o câncer antes dos sintomas, o que é rastreamento e corresponde à prevenção secundária. Além disso, esse rastreamento populacional não é recomendado pelo Ministério da Saúde.
Afirmação verdadeira. A educação alimentar é promoção da saúde e atua antes de surgirem doenças como obesidade, diabetes e hipertensão. Por isso, é prevenção primária.
Afirmação verdadeira. A vacina contra o sarampo é proteção específica, aplicada antes da exposição para impedir o adoecimento. É o exemplo clássico de prevenção primária.
Afirmação verdadeira para a banca. O autoexame tem como objetivo identificar precocemente uma lesão já existente, o que o enquadra na prevenção secundária. Ele não é recomendado como método de rastreamento, mas sim como estratégia de detecção precoce.
Afirmação verdadeira. A fisioterapia em paciente com hemiparesia por AVC busca recuperar função e evitar complicações de uma sequela já instalada. Isso é reabilitação, ou seja, prevenção terciária.
Pergunte em que fase da doença a medida atua: antes de existir a doença é primária, doença inicial em pessoa assintomática é secundária, sequela ou doença estabelecida é terciária. Rastreamento é sempre secundária.
Epidemiologia é o estudo da distribuição e dos determinantes dos eventos relacionados à saúde nas populações. Para prova, o mais importante é reconhecer medidas de frequência, medidas de associação, desenhos de estudo, vieses, testes diagnósticos e raciocínio de rastreamento.
O que separa Epidemiologia dos temas vizinhos é que aqui a banca não quer decorar doença: quer saber interpretar números, comparar grupos, identificar o melhor desenho de estudo e perceber armadilhas metodológicas.
A banca costuma apresentar uma situação como:
Paciente, população ou grupo exposto a um fator de risco, seguido de uma tabela 2 x 2, um estudo observacional, um ensaio clínico ou um programa de rastreamento.
As palavras que entregam o tema são: incidência, prevalência, risco relativo, odds ratio, sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo, valor preditivo negativo, viés, confundimento, coorte, caso-controle, transversal, ensaio clínico e rastreamento.
O dado que mata a questão geralmente é:
Se a questão fala em | Pense em |
|---|---|
Casos novos | Incidência |
Casos existentes | Prevalência |
Exposição antes do desfecho | Coorte |
Doença antes da investigação da exposição | Caso-controle |
Fotografia de um momento | Estudo transversal |
Intervenção feita pelo pesquisador |
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Teste para não deixar passar doente | Alta sensibilidade |
Teste para confirmar diagnóstico | Alta especificidade |
Aqui a “fisiopatologia” é o raciocínio causal.
Uma doença pode ser mais frequente em um grupo por três motivos principais:
A exposição realmente aumenta o risco.
Existe um fator de confusão explicando a associação.
Houve erro sistemático na forma de selecionar, medir ou acompanhar os participantes.
Para prova, a sequência mental é:
Exposição vem antes do desfecho? Isso favorece causalidade.
Existe associação forte, consistente, plausível e com gradiente dose-resposta? Isso fortalece causalidade.
Pode haver variável confundidora? Ajuste, estratificação ou randomização ajudam a controlar.
O estudo é experimental? A randomização distribui confundidores conhecidos e desconhecidos entre os grupos.
Medidas de frequência:
Prevalência é o número de casos existentes em uma população em determinado momento ou período. É uma “foto” da carga de doença.
Incidência é o número de casos novos em uma população sob risco durante determinado tempo. Mede risco de adoecer.
Regra prática: doença longa aumenta prevalência; doença curta ou muito letal reduz prevalência.
Medidas de associação:
Risco relativo compara incidência entre expostos e não expostos. É típico de coorte e ensaio clínico.
Odds ratio compara odds de exposição ou desfecho. É típico de estudo caso-controle, mas também pode aparecer em regressão logística.
Razão de prevalência compara prevalências. É típica de estudo transversal.
Medidas de impacto:
Risco atribuível é a diferença absoluta de risco entre expostos e não expostos.
Número necessário para tratar (NNT) é 1 dividido pela redução absoluta do risco.
Número necessário para causar dano (NNH) é 1 dividido pelo aumento absoluto do risco.
Desenhos de estudo:
Desenho | Como reconhecer |
|---|---|
Transversal | Mede exposição e desfecho ao mesmo tempo |
Caso-controle | Começa pelo desfecho e olha exposição passada |
Coorte | Começa pela exposição e acompanha desfecho |
Ensaio clínico | Pesquisador intervém e randomiza idealmente |
Ecológico | Unidade de análise é grupo, cidade, país ou população |
Série de casos | Descreve pacientes sem grupo comparador |
Hierarquia prática para prova:
Ensaio clínico randomizado é forte para intervenção.
Coorte é forte para incidência, risco e temporalidade.
Caso-controle é útil para doença rara ou de longa latência.
Transversal é útil para prevalência.
Ecológico gera hipótese, mas sofre com falácia ecológica.
Associação não é causalidade.
Odds ratio não é risco relativo, exceto quando a doença é rara.
Valor preditivo positivo e valor preditivo negativo dependem da prevalência.
Sensibilidade e especificidade não dependem da prevalência de forma direta.
Rastreamento não serve para qualquer doença: precisa haver doença relevante, fase assintomática detectável, teste aceitável, tratamento eficaz e benefício maior que dano.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.