
A questão cobra o reconhecimento dos sinais periféricos da endocardite infecciosa e a identificação de um distrator de outra área. Baqueteamento digital, petéquias e nódulos de Osler são manifestações descritas da endocardite. As manchas de Bitot são um sinal ocular de deficiência de vitamina A. Portanto, apenas I, II e III estão corretas.
Baqueteamento digital + petéquias + nódulos de Osler = sinais de endocardite infecciosa; manchas de Bitot = hipovitaminose A → alternativa A
Quem pesquisa sinal de osler no contexto da endocardite infecciosa geralmente procura os nódulos de Osler. São nódulos subcutâneos pequenos, elevados e dolorosos, localizados nas polpas dos dedos das mãos e dos pés. Têm mecanismo predominantemente imunológico, por vasculite mediada por imunocomplexos, e são mais típicos da forma subaguda. Nos critérios de Duke modificados, entram como fenômeno imunológico (critério menor), junto com as manchas de Roth (hemorragias retinianas com centro pálido), a glomerulonefrite e o fator reumatoide positivo.
A principal armadilha é confundir os nódulos de Osler com as lesões de Janeway. As lesões de Janeway são máculas indolores, hemorrágicas, nas palmas e plantas. Decorrem de microembolia séptica, são mais associadas à endocardite aguda (por exemplo, por Staphylococcus aureus) e contam como fenômeno vascular. Uma regra prática ajuda: Osler dói, Janeway não. Petéquias (inclusive conjuntivais), hemorragias subungueais em lasca e baqueteamento digital completam o quadro periférico. O baqueteamento, porém, é raro hoje e não faz parte dos critérios de Duke.
Atenção a outro uso do mesmo nome. Na semiologia cardiovascular, a manobra ou sinal de Osler descreve a pseudo-hipertensão do idoso: a artéria radial continua palpável mesmo com o manguito insuflado acima da pressão sistólica, por rigidez e calcificação arterial. São conceitos sem relação entre si, e a prova pode explorar essa confusão de epônimos.
Baqueteamento digital, petéquias e nódulos de Osler são manifestações descritas da endocardite infecciosa, sobretudo na forma subaguda. As manchas de Bitot não têm relação com endocardite. É a resposta.
Exclui as petéquias, que estão entre os achados periféricos mais frequentes da endocardite, inclusive na conjuntiva.
Inclui as manchas de Bitot, que são placas conjuntivais esbranquiçadas da deficiência de vitamina A. Também exclui baqueteamento e nódulos de Osler, que são sinais da doença.
Aponta como correto justamente o único item que não se relaciona à endocardite. Inverte a lógica da questão.
O item IV invalida a alternativa: as manchas de Bitot são achado ocular da hipovitaminose A, e não da endocardite.
Nódulos de Osler são dolorosos e imunológicos; lesões de Janeway são indolores e embólicas. Manchas de Roth (retina) são da endocardite; manchas de Bitot (conjuntiva) são da vitamina A.
Endocardite infecciosa é infecção do endocárdio, geralmente valvar, que deve ser suspeitada quando há febre persistente associada a sopro novo, bacteremia por germe típico ou fenômenos embólicos.
Para prova, o mais importante é reconhecer o tripé: febre + sopro + hemocultura positiva. O que separa endocardite de outras infecções sistêmicas é a bacteremia sustentada com lesão intracardíaca e risco de embolização.
A banca costuma cobrar um paciente com febre arrastada, mal-estar, sudorese, perda ponderal e algum fator de risco: valvopatia, prótese valvar, cardiopatia congênita, uso de drogas intravenosas, cateter venoso, hemodiálise ou procedimento invasivo recente.
O dado que mata a questão é:
Febre persistente + sopro novo ou mudança de sopro.
Hemoculturas positivas para germe típico.
Vegetação no ecocardiograma.
Embolia séptica, especialmente em território cerebral, baço, rim ou pulmão.
Usuário de droga intravenosa com endocardite direita, geralmente em valva tricúspide, com embolia pulmonar séptica.
Germes clássicos de prova:
Situação | Germe mais lembrado |
|---|---|
Valva nativa subaguda | Streptococcus viridans |
Valva nativa aguda | Staphylococcus aureus |
Usuário de droga intravenosa | Staphylococcus aureus |
Prótese valvar precoce |
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Staphylococcus epidermidis e Staphylococcus aureus |
Pós-manipulação dentária | Streptococcus viridans |
Câncer colorretal ou lesão colônica | Streptococcus gallolyticus |
Cultura negativa | HACEK, Coxiella burnetii, Bartonella, uso prévio de antibiótico |
A lesão endotelial valvar permite depósito de plaquetas e fibrina. Se houver bacteremia, o microrganismo adere a esse trombo estéril e forma vegetação.
A vegetação tem três consequências cobradas em prova:
Infecção persistente: febre e hemocultura positiva.
Destruição local: insuficiência valvar, abscesso, bloqueio atrioventricular e insuficiência cardíaca.
Embolização: AVC, infarto esplênico, infarto renal, embolia pulmonar séptica na endocardite direita.
A pegadinha é que muitos achados clássicos periféricos são pouco sensíveis. Manchas de Janeway, nódulos de Osler e hemorragias subungueais ajudam na prova, mas a ausência deles não exclui endocardite.
Febre, calafrios, sudorese e queda do estado geral.
Sopro novo ou modificação de sopro prévio.
Hemocultura positiva.
Vegetação no ecocardiograma.
Fenômenos embólicos.
Insuficiência cardíaca por disfunção valvar.
Petéquias.
Hemorragias subungueais em lasca.
Manchas de Janeway: lesões indolores em palmas e plantas, fenômeno embólico.
Nódulos de Osler: lesões dolorosas em polpas digitais, fenômeno imunológico.
Manchas de Roth: hemorragias retinianas com centro pálido.
Glomerulonefrite por imunocomplexos: hematúria, proteinúria e cilindros.
Esplenomegalia em quadro subagudo.
Dor lombar por espondilodiscite associada.
Insuficiência cardíaca aguda.
Sopro novo com instabilidade.
Bloqueio atrioventricular novo, sugerindo abscesso perivalvar.
Embolia sistêmica recorrente.
AVC associado a febre e bacteremia.
Endocardite por Staphylococcus aureus.
Endocardite em prótese valvar.
Vegetação grande, especialmente se > 10 mm com embolia ou > 15 mm mesmo sem embolia.
Hemoculturas persistentemente positivas apesar de antibiótico adequado.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.