
A questão cobra o reconhecimento de um efeito adverso clássico em um paciente com insuficiência cardíaca em polifarmácia. A xantopsia (visão amarelada) é uma manifestação visual típica da intoxicação digitálica, e entre os fármacos listados somente a digoxina tem esse efeito descrito. Por isso a resposta é a digoxina, cuja toxicidade aumenta em idosos, na disfunção renal e na hipocalemia.
IC em uso de digoxina + xantopsia (visão amarelada) = intoxicação digitálica → suspender digoxina, dosar nível sérico, potássio e função renal, monitorar ECG
Os diuréticos poupadores de potássio agem no túbulo distal e no ducto coletor e aumentam pouco a natriurese, mas reduzem a perda renal de potássio. Eles se dividem em dois grupos. O primeiro é o dos antagonistas do receptor mineralocorticoide, como a espironolactona e a eplerenona. O segundo é o dos bloqueadores do canal epitelial de sódio (ENaC), como a amilorida e o triantereno.
Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, a espironolactona reduz mortalidade e internações (estudo RALES). Por isso ela faz parte da terapia de base, e não serve apenas como diurético. Outros usos incluem o hiperaldosteronismo primário e a ascite do cirrótico. Também é comum associar esses fármacos a diuréticos de alça ou tiazídicos para evitar hipocalemia. Esse ponto se liga à questão: a hipocalemia causada pela furosemida aumenta o risco de intoxicação digitálica, e o poupador de potássio ajuda a prevenir esse cenário.
A principal armadilha é a hipercalemia. O risco cresce na doença renal e na associação com IECA ou BRA, o que exige dosar potássio e creatinina no início do tratamento e periodicamente. A espironolactona tem efeito antiandrogênico e pode causar ginecomastia, o que não ocorre de forma relevante com a eplerenona. Esses fármacos não causam xantopsia.
A furosemida pode causar hipocalemia, hipovolemia e ototoxicidade, mas não xantopsia. Ainda assim, a hipocalemia que ela provoca favorece a toxicidade da digoxina.
A espironolactona é um diurético poupador de potássio. Seus efeitos adversos típicos são hipercalemia e ginecomastia, e ela não causa xantopsia.
O captopril pode causar tosse, angioedema, hipercalemia e piora da função renal, mas não xantopsia.
A digoxina é a resposta. A xantopsia é a alteração visual clássica da intoxicação digitálica, que também pode causar náuseas, vômitos, confusão mental e arritmias.
Visão amarelada ou esverdeada em paciente que usa digoxina indica intoxicação digitálica até que se prove o contrário. Sempre procure hipocalemia, disfunção renal e idade avançada como fatores precipitantes.
Insuficiência cardíaca é a síndrome clínica em que o coração não consegue bombear sangue adequadamente para suprir as demandas do organismo ou só consegue fazê-lo às custas de pressões de enchimento elevadas.
Para prova, o mais importante é reconhecer o paciente congesto, classificar pela fração de ejeção e saber a conduta inicial na descompensação. O tema fica entre dispneia, edema, choque, doença coronariana, valvopatias, hipertensão arterial e arritmias.
A banca costuma cobrar um paciente com dispneia progressiva, ortopneia, dispneia paroxística noturna, edema de membros inferiores, estertores, turgência jugular, hepatomegalia dolorosa ou terceira bulha.
O perfil clássico é idoso, hipertenso, diabético, coronariopata ou com história de infarto. Em pacientes jovens, pense em miocardiopatia, miocardite, doença valvar, Chagas ou cardiotoxicidade.
O dado que mata a questão é a combinação de congestão pulmonar ou sistêmica com evidência de disfunção cardíaca, especialmente ao ecocardiograma.
Palavras que entregam o diagnóstico:
Ortopneia
Dispneia paroxística noturna
B3
Turgência jugular
Edema periférico
Estertores bibasais
Cardiomegalia
BNP ou NT-proBNP elevado
Fração de ejeção reduzida no ecocardiograma
Na insuficiência cardíaca, há queda do débito cardíaco efetivo ou aumento das pressões de enchimento. O organismo tenta compensar ativando sistema nervoso simpático, sistema renina-angiotensina-aldosterona e vasopressina.
No começo, isso mantém perfusão. Com o tempo, piora retenção de sódio e água, vasoconstrição, remodelamento ventricular e congestão.
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Para prova, separe dois problemas:
Congestão: causa dispneia, ortopneia, edema, estertores, ascite e turgência jugular.
Baixo débito: causa fadiga, intolerância ao esforço, extremidades frias, confusão, oligúria e hipotensão.
Classificação pela fração de ejeção:
Tipo | Fração de ejeção |
|---|---|
IC com fração de ejeção reduzida | FEVE ≤ 40% |
IC com fração de ejeção levemente reduzida | FEVE 41 a 49% |
IC com fração de ejeção preservada | FEVE ≥ 50% |
A prova costuma cobrar mais a IC com fração de ejeção reduzida, porque há tratamento modificador de mortalidade bem estabelecido.
O quadro clássico é dispneia aos esforços que progride para ortopneia e dispneia paroxística noturna, associada a edema de membros inferiores e estertores pulmonares.
Achados muito cobrados:
Dispneia aos esforços
Ortopneia
Dispneia paroxística noturna
Edema periférico
Turgência jugular
Estertores crepitantes
B3
Hepatomegalia congestiva
Refluxo hepatojugular
Ganho de peso recente
Oligúria na descompensação
Regra prática: pulmão cheio sugere congestão esquerda; pescoço e pernas cheios sugerem congestão direita.
Manifestações menos óbvias, mas úteis em prova:
Tosse noturna
Sibilância cardíaca
Noctúria
Anorexia e náuseas por congestão hepática ou intestinal
Caquexia cardíaca
Confusão mental em idosos
Extremidades frias no baixo débito
Hiponatremia em doença avançada
Piora da função renal por síndrome cardiorrenal
Classificação funcional da NYHA:
Classe | Sintomas |
|---|---|
I | Sem limitação aos esforços habituais |
II | Sintomas aos esforços habituais |
III | Sintomas aos pequenos esforços |
IV | Sintomas em repouso |
A banca gosta de perguntar NYHA III como dispneia aos pequenos esforços e NYHA IV como sintomas em repouso.
Sinais de gravidade:
Hipotensão
Rebaixamento do nível de consciência
Extremidades frias
Oligúria
Saturação baixa
Edema agudo de pulmão
Dor torácica sugestiva de síndrome coronariana aguda
Arritmia instável
Síncope
Hiponatremia importante
Piora aguda da função renal
Lactato elevado
Necessidade de ventilação não invasiva ou droga vasoativa
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.