
A questão cobra a principal consequência elétrica do prolongamento da repolarização ventricular. O QT longo favorece pós-despolarizações precoces, que deflagram uma taquicardia ventricular polimórfica típica, a torsades de pointes. As demais opções são arritmias supraventriculares ou distúrbios de condução, que não são a marca da síndrome.
Repolarização ventricular prolongada (QTc aumentado) + pós-despolarizações precoces = torsades de pointes → risco de fibrilação ventricular e morte súbita
A síndrome do QT longo é o prolongamento do intervalo QT corrigido para a frequência cardíaca (QTc). Ela pode ser congênita, por mutações em canais iônicos: LQT1 (KCNQ1, eventos no exercício e na natação), LQT2 (KCNH2, eventos com estímulo auditivo súbito e no pós-parto) e LQT3 (SCN5A, eventos no repouso e no sono). Também pode ser adquirida, por fármacos (antiarrítmicos classe IA e III, macrolídeos, antipsicóticos, metadona, ondansetrona), por hipocalemia, hipomagnesemia ou hipocalcemia, e por bradicardia acentuada, como no BAV total.
O QT é medido do início do QRS ao fim da onda T e corrigido pela fórmula de Bazett: QTc = QT dividido pela raiz quadrada do intervalo RR em segundos. Pelas diretrizes europeias, o diagnóstico da forma congênita se apoia em QTc igual ou maior que 480 ms em ECGs repetidos, ou em escore de Schwartz maior que 3, ou em variante patogênica confirmada. Valores de QTc acima de 500 ms indicam risco alto de arritmia.
A complicação temida é a torsades de pointes: uma taquicardia ventricular polimórfica em que os QRS parecem girar em torno da linha de base, frequentemente iniciada por sequência de ciclos curto, longo e curto. Ela pode reverter espontaneamente, causando síncope, ou degenerar em fibrilação ventricular. O tratamento agudo é sulfato de magnésio IV, correção de potássio e magnésio e suspensão do fármaco causador, com desfibrilação se houver instabilidade. Na forma adquirida, o aumento da frequência (marca-passo ou isoproterenol) encurta o QT. Na forma congênita, a base é o betabloqueador.
O prolongamento da repolarização gera pós-despolarizações precoces, que deflagram torsades de pointes. É a arritmia característica do QT longo, tanto congênito quanto adquirido.
Flutter atrial é uma macrorreentrada atrial e não depende do prolongamento da repolarização ventricular. Não é a arritmia associada à síndrome.
BAV total é um distúrbio de condução. A relação costuma ser inversa: a bradicardia do BAV total prolonga o QT e pode precipitar torsades, ou seja, é causa e não consequência típica.
A taquicardia paroxística supraventricular depende de reentrada nodal ou de via acessória. Não tem relação fisiopatológica com o QT longo.
Fibrilação atrial é uma arritmia supraventricular e não é a manifestação característica da síndrome. O risco do QT longo é ventricular.
QT longo na prova é igual a torsades de pointes, e torsades pede sulfato de magnésio IV. Lembre que bradicardia, hipocalemia, hipomagnesemia e fármacos são as causas adquiridas mais cobradas.
Arritmia cardíaca é qualquer alteração da formação ou condução do impulso elétrico que muda a frequência, a regularidade ou a origem do ritmo cardíaco. Para prova, o mais importante é separar três perguntas: o paciente está instável, o QRS é estreito ou largo, e o ritmo é regular ou irregular.
A banca costuma cobrar paciente com palpitações, síncope, dor torácica, dispneia, hipotensão ou achado incidental no ECG.
O dado que mata a questão quase sempre está no ECG:
QRS estreito e regular: pense em taquicardia supraventricular paroxística.
QRS estreito e irregular: pense em fibrilação atrial.
QRS largo e regular: trate como taquicardia ventricular até prova em contrário.
QRS largo e irregular: pense em fibrilação atrial com pré-excitação ou taquicardia ventricular polimórfica.
Bradicardia sintomática: pense em atropina, marca-passo transcutâneo e causa reversível.
Ausência de pulso: protocolo de parada cardiorrespiratória.
A palavra que entrega o diagnóstico costuma ser: “irregularmente irregular” para fibrilação atrial, “ondas em serrilhado” para flutter atrial, “torsades de pointes” para taquicardia ventricular polimórfica com QT longo, e “captura ou fusão” para taquicardia ventricular.
Arritmias surgem por três mecanismos principais:
Automatismo aumentado: foco ectópico dispara mais que o nó sinusal.
Reentrada: circuito elétrico se perpetua, típico de taquicardias paroxísticas.
Atividade deflagrada: pós-potenciais, comum em distúrbios eletrolíticos, intoxicação digitálica e QT longo.
Para prova
396 questões do tema no qBank, cada uma com comentário e resumo do tema, revisão espaçada do que você errou e flashcards do mesmo assunto.
Reentrada nodal: responde a manobra vagal e adenosina.
Fibrilação atrial: risco de trombo em átrio esquerdo, por isso anticoagulação conforme risco embólico.
Taquicardia ventricular: geralmente vem de cardiopatia estrutural ou isquemia, por isso é potencialmente fatal.
Torsades de pointes: QT longo, tratar com sulfato de magnésio.
Bradiarritmia sintomática: problema é baixo débito, tratar sintoma e perfusão, não só número da frequência cardíaca.
Palpitações de início e fim súbitos: taquicardia supraventricular paroxística.
Palpitação irregular: fibrilação atrial.
Síncope ou pré-síncope com QRS largo: taquicardia ventricular até prova em contrário.
Bradicardia com hipotensão, rebaixamento, dor torácica ou insuficiência cardíaca: bradiarritmia instável.
Dor torácica associada a arritmia: investigar síndrome coronariana aguda.
Dispneia e estertores com taquiarritmia: edema agudo de pulmão e instabilidade.
Flutter atrial: frequência atrial perto de 300 bpm, condução 2:1 com frequência ventricular perto de 150 bpm.
Extrassístoles: palpitação em “falha” ou “pausa”, geralmente benignas se sem cardiopatia estrutural.
Síndrome de Wolff-Parkinson-White: PR curto, onda delta e QRS alargado.
Bloqueio atrioventricular de primeiro grau: PR > 200 ms.
Bloqueio atrioventricular de segundo grau Mobitz I: PR vai aumentando até bloquear.
Bloqueio atrioventricular de segundo grau Mobitz II: PR fixo com bloqueio súbito, maior risco de bloqueio total.
Bloqueio atrioventricular total: dissociação atrioventricular.
Instabilidade hemodinâmica: hipotensão, choque, dor torácica isquêmica, edema agudo de pulmão, alteração do nível de consciência.
Síncope durante esforço.
História familiar de morte súbita.
Cardiopatia estrutural conhecida.
QRS largo em taquicardia.
QT longo com síncope.
Hipercalemia no ECG.
Intoxicação digitálica.
Taquiarritmia em paciente com pré-excitação.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.