
A questão cobra a correlação clássica entre autoanticorpo e manifestação clínica no lúpus eritematoso sistêmico. O anti-DNA de dupla hélice é o anticorpo que se associa à nefrite lúpica, sobretudo às formas proliferativas (classes III e IV), e seus títulos acompanham a atividade da doença. Por isso a resposta é nefropatia.
LES + anti-DNA dupla hélice positivo (títulos altos) + complemento baixo = risco e atividade de nefrite lúpica → pesquisar proteinúria e sedimento urinário
O anti dna dupla helice (anti-dsDNA) é um autoanticorpo dirigido contra o DNA nativo, de fita dupla. É altamente específico para o lúpus eritematoso sistêmico e aparece em cerca de 50 a 70% dos pacientes, conforme o método usado. Junto com o anti-Sm, que é o mais específico de todos, entra como critério imunológico na classificação EULAR/ACR 2019.
Pode ser pesquisado por ELISA (mais sensível e menos específico), por imunofluorescência indireta com Crithidia luciliae (muito específica) ou pelo ensaio de Farr, que é o método clássico. Sua grande utilidade clínica é a associação com a nefrite lúpica: títulos elevados e em ascensão, sobretudo junto com queda do complemento (C3 e C4), indicam atividade da doença e do acometimento renal.
Armadilhas de prova: o anti-Sm é mais específico que o anti-DNA, mas não acompanha a atividade da doença. No lúpus induzido por drogas o anticorpo típico é o anti-histona, e o anti-DNA costuma ser negativo, com exceção dos anti-TNF. Cada anticorpo tem seu fenótipo: anti-Ro com lúpus cutâneo subagudo e lúpus neonatal, anti-P ribossomal com psicose, antifosfolípides com trombose.
O acometimento neuropsiquiátrico do LES se associa ao anti-P ribossomal (psicose) e aos antifosfolípides (eventos trombóticos), não ao anti-DNA.
O anti-DNA não é marcador de infecção. Infecções no LES decorrem principalmente da imunossupressão, da própria doença e do tratamento.
O anti-DNA de dupla hélice é o autoanticorpo clássico da nefrite lúpica, especialmente das formas proliferativas. Seus títulos, associados ao complemento baixo, ajudam a monitorar a atividade da doença.
A anemia hemolítica autoimune do LES é mediada por anticorpos contra a membrana do eritrócito e se identifica pelo Coombs direto positivo, não pelo anti-DNA.
A hipertensão arterial pulmonar no LES se associa ao fenômeno de Raynaud, ao anti-U1-RNP e aos antifosfolípides, não ao anti-DNA.
Anti-DNA de dupla hélice combina com rim e com atividade de doença, e anti-Sm combina com especificidade. Se a questão perguntar qual anticorpo acompanha a atividade ou a nefrite, a resposta é anti-DNA.
Lúpus eritematoso sistêmico é doença autoimune multissistêmica, típica de mulher jovem, com autoanticorpos, consumo de complemento e surtos inflamatórios que podem acometer pele, articulações, rim, sangue, serosas e sistema nervoso.
O que separa lúpus dos vizinhos é a combinação de artralgia ou artrite não erosiva, lesões cutâneas fotossensíveis, citopenias, FAN positivo e autoanticorpos específicos, especialmente anti-DNA dupla-hélice e anti-Sm. Para prova, o rim muda prognóstico e conduta.
A banca costuma cobrar mulher jovem com fadiga, febre baixa, artralgia, rash malar poupando sulco nasolabial, fotossensibilidade, úlceras orais indolores, alopecia, serosite, citopenias e urina alterada.
O dado que mata a questão costuma ser:
FAN positivo em título alto.
Anti-DNA dupla-hélice positivo associado a nefrite e atividade de doença.
Anti-Sm como anticorpo mais específico.
C3 e C4 baixos em atividade, especialmente renal.
Proteinúria, hematúria dismórfica ou cilindros celulares sugerindo nefrite lúpica.
Rash malar fotossensível poupando sulco nasolabial.
Artrite inflamatória não erosiva.
Para prova, pense em lúpus quando houver doença sistêmica com pele, articulação, rim e sangue ao mesmo tempo.
O lúpus é uma perda de autotolerância com produção de autoanticorpos contra antígenos nucleares. Esses autoanticorpos formam imunocomplexos, que se depositam em tecidos e ativam complemento.
Regra para prova:
Imunocomplexo explica glomerulonefrite, serosite, vasculite e consumo de complemento.
Anti-DNA dupla-hélice acompanha atividade e nefrite.
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Complemento baixo sugere atividade, especialmente se C3 e C4 caem junto.
Anticorpos antifosfolípides mudam a questão para trombose, abortamento de repetição e livedo reticular.
Mulher em idade fértil.
Artralgia ou artrite inflamatória, simétrica, não erosiva.
Rash malar em asa de borboleta, fotossensível, poupando sulco nasolabial.
Úlceras orais ou nasais, geralmente indolores.
Alopecia não cicatricial.
Febre, fadiga e perda ponderal.
Citopenias: anemia hemolítica autoimune, leucopenia, linfopenia ou plaquetopenia.
Serosite: pleurite ou pericardite.
Nefrite: proteinúria, hematúria, cilindros, hipertensão ou perda de função renal.
Fenômeno de Raynaud.
Livedo reticular, especialmente se síndrome antifosfolípide associada.
Convulsão ou psicose por lúpus neuropsiquiátrico, após excluir causas infecciosas, metabólicas e medicamentosas.
Miocardite, pneumonite, hipertensão pulmonar e vasculite, menos comuns, mas graves.
Lúpus discoide com lesões cicatriciais.
Lúpus cutâneo subagudo com lesões anulares ou psoriasiformes, associado a anti-Ro.
Proteinúria persistente, hematúria glomerular ou cilindros celulares.
Creatinina em ascensão.
Sintomas neurológicos novos.
Plaquetopenia grave ou anemia hemolítica.
Dor torácica com derrame pericárdico importante.
Febre em paciente imunossuprimido, porque infecção pode imitar atividade lúpica.
Gestante com anti-Ro ou anti-La positivo, pelo risco de lúpus neonatal e bloqueio atrioventricular congênito.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.