
A questão descreve deformidades das mãos que se corrigem ao apoiar a mão numa superfície plana e que não aparecem na radiografia, definição clássica das mãos de Jaccoud. Como a deformidade é periarticular e não erosiva, a artrite reumatoide fica descartada. Entre as opções, a febre reumática é a doença em que Jaccoud descreveu originalmente esse quadro.
Deformidade de mãos redutível + radiografia sem erosões nem lesão óssea correspondente = mãos de Jaccoud → pensar em febre reumática (descrição clássica) ou lúpus eritematoso sistêmico (causa mais comum atual)
A artropatia de Jaccoud é uma deformidade das mãos causada por comprometimento periarticular, com frouxidão de cápsula articular, ligamentos e tendões, sem destruição da cartilagem e do osso. O aspecto lembra a artrite reumatoide: desvio ulnar dos dedos, dedos em pescoço de cisne e polegar em Z. A diferença é que, nas mãos de Jaccoud, as deformidades são redutíveis, isto é, se corrigem passivamente ou quando o paciente apoia a mão numa mesa.
O diagnóstico é clínico e radiológico. Ao exame físico, pede-se ao paciente que apoie a palma numa superfície plana e observa-se se a deformidade desaparece. Na radiografia, classicamente não há erosões nem redução do espaço articular, o que explica a ausência de correspondência anatômica entre o que se vê na inspeção e o que aparece no exame de imagem.
Jaccoud descreveu o quadro no século XIX como artropatia crônica pós-febre reumática, e por isso as provas associam o epônimo à febre reumática. Atualmente, a causa mais frequente é o lúpus eritematoso sistêmico, e o padrão também já foi descrito em outras doenças reumatológicas. A armadilha é confundir com artrite reumatoide: na AR as deformidades tendem a ser fixas e há erosões ósseas na radiografia.
Na artrite reumatoide, as deformidades decorrem de sinovite erosiva, tendem a ser fixas e têm correspondência radiológica (erosões e redução do espaço articular). O enunciado descreve justamente o oposto.
A hanseníase deforma as mãos por neuropatia periférica, com amiotrofia e mão em garra, além de reabsorção óssea em fases avançadas. Não é o padrão redutível e sem alteração radiológica descrito.
Gabarito. Jaccoud descreveu essa artropatia deformante, redutível e não erosiva como sequela crônica da febre reumática. Entre as opções, é a única associação compatível com o epônimo.
A porfiria cutânea se manifesta por fotossensibilidade, bolhas e fragilidade cutânea em áreas expostas, como o dorso das mãos. Não causa a artropatia redutível descrita.
Deformidade de mão que se corrige ao apoiar na mesa e com radiografia normal é Jaccoud: na prova, febre reumática ou lúpus. Se a deformidade é fixa e erosiva, pense em artrite reumatoide.
Febre reumática é uma doença inflamatória autoimune, pós-infecção por estreptococo beta-hemolítico do grupo A, que aparece semanas após faringoamigdalite e pode causar cardite valvar crônica.
Para prova, o mais importante é reconhecer o tripé: criança ou adolescente, antecedente de faringite estreptocócica e critérios de Jones. O que separa febre reumática dos diagnósticos vizinhos é a combinação de artrite migratória, cardite, coreia, eritema marginado ou nódulos subcutâneos, sempre com evidência de infecção estreptocócica prévia, exceto em algumas apresentações típicas.
A banca costuma cobrar criança de 5 a 15 anos, algumas semanas após dor de garganta, com febre e poliartrite migratória de grandes articulações. O joelho dói hoje, melhora, depois o tornozelo ou cotovelo inflama. A palavra que entrega é "migratória".
Achados clássicos:
Artrite de grandes articulações, migratória e muito dolorosa.
Cardite com sopro novo, taquicardia desproporcional, cardiomegalia ou insuficiência cardíaca.
Coreia de Sydenham com movimentos involuntários, labilidade emocional e hipotonia.
ASLO elevado ou anti-DNase B elevado como evidência de infecção estreptocócica prévia.
Intervalo típico: 2 a 3 semanas após faringite para artrite e cardite; coreia pode surgir meses depois.
O dado que mata a questão é: febre reumática não ocorre após impetigo de forma clássica para prova. A associação cobrada é com faringoamigdalite estreptocócica.
A febre reumática resulta de mimetismo molecular: anticorpos contra o estreptococo beta-hemolítico do grupo A reagem contra tecidos humanos, principalmente coração, articulações, sistema nervoso central e pele.
Para prova:
Articulação inflama, mas não deixa sequela.
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Coração inflama e pode deixar sequela valvar.
A valva mais acometida é a mitral.
A lesão crônica clássica é estenose mitral reumática.
Cardite reumática pode envolver endocárdio, miocárdio e pericárdio, mas a consequência mais importante é valvar.
Regra prática: na febre reumática, quem sofre no agudo é a articulação, quem paga a conta no futuro é a valva.
Poliartrite migratória de grandes articulações.
Febre.
História recente de faringoamigdalite.
Cardite com sopro de regurgitação mitral ou aórtica.
Criança ou adolescente em idade escolar.
A artrite típica:
Migratória.
Assimétrica.
Grandes articulações.
Muito dolorosa.
Responde muito bem a anti-inflamatório não esteroidal.
Coreia de Sydenham: movimentos involuntários, piora com estresse, melhora durante o sono, queda de objetos, alteração de escrita, irritabilidade e labilidade emocional.
Eritema marginado: rash evanescente, róseo, com centro claro, mais em tronco e raiz de membros.
Nódulos subcutâneos: firmes, indolores, sobre proeminências ósseas, geralmente associados a cardite.
Artralgia, febre, VHS ou PCR elevados e intervalo PR prolongado no eletrocardiograma como critérios menores.
Sopro novo.
Dispneia, ortopneia ou sinais de insuficiência cardíaca.
Cardiomegalia.
Taquicardia desproporcional à febre.
Atrito pericárdico.
Coreia isolada em criança ou adolescente.
Recorrência em paciente com história prévia de febre reumática.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.