
A questão cobra o conceito de LER/DORT: afecções do sistema musculoesquelético causadas ou agravadas pela sobrecarga de movimentos repetitivos, posturas inadequadas e organização do trabalho. Entre as opções, só a síndrome de De Quervain (tenossinovite do primeiro compartimento dorsal do punho) tem nexo com esforço repetitivo. As demais são doenças inflamatórias sistêmicas imunomediadas.
Tenossinovite localizada + movimentos repetitivos de polegar e punho = síndrome de De Quervain → LER/DORT
LER (lesões por esforços repetitivos) e DORT (distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho) designam o mesmo grupo de afecções: tendinites, tenossinovites, bursites, mialgias e neuropatias compressivas. Elas acometem principalmente os membros superiores, a região escapular e o pescoço. O que as define não é um diagnóstico específico, mas o nexo com a atividade laboral: repetitividade, força, posturas viciosas, ausência de pausas e pressão por produtividade.
A síndrome de De Quervain é a tenossinovite estenosante dos tendões do abdutor longo e do extensor curto do polegar, no primeiro compartimento dorsal do punho. Ela causa dor no processo estiloide do rádio. O teste de Finkelstein (dor com o desvio ulnar do punho com o polegar fletido) sugere o diagnóstico. Outros exemplos clássicos de distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho são a síndrome do túnel do carpo, a epicondilite lateral, a tendinite do supraespinal e o dedo em gatilho.
A armadilha da prova é confundir dor articular com LER/DORT. Artrite reumatoide, espondilite anquilosante e artrite reativa podem até piorar com o esforço, mas sua etiologia é imunomediada e sistêmica, sem nexo causal com o trabalho. O termo osteomusculares, na sigla DORT, reforça que o foco são estruturas locais submetidas a sobrecarga mecânica.
A artrite reumatoide é uma doença inflamatória autoimune sistêmica, com poliartrite simétrica de pequenas articulações. Sua origem não tem relação com esforço repetitivo.
A síndrome de De Quervain é uma tenossinovite estenosante do primeiro compartimento dorsal do punho, associada a movimentos repetitivos de pinça e desvio ulnar. É uma LER/DORT clássica.
A espondilite anquilosante é uma espondiloartrite inflamatória imunomediada, associada ao HLA-B27, que acomete o esqueleto axial. Não é causada por sobrecarga mecânica do trabalho.
A síndrome de Reiter (artrite reativa) é uma artrite inflamatória desencadeada por infecção genitourinária ou intestinal. Não tem nexo com esforço repetitivo.
LER/DORT é afecção local de tendões, músculos, bursas ou nervos, com nexo com a sobrecarga do trabalho. Se a opção for uma doença inflamatória sistêmica (artrite reumatoide, espondiloartrites), descarte.
Saúde do trabalhador é o campo que reconhece, previne, investiga e conduz agravos relacionados ao trabalho, separando doença comum, doença agravada pelo trabalho, doença profissional e acidente de trabalho.
Para prova, o mais importante é identificar o nexo causal: exposição ocupacional compatível, temporalidade, plausibilidade clínica, melhora ao afastar, piora ao reexpor e exclusão de causas mais prováveis.
A banca costuma cobrar um trabalhador com sintoma típico após exposição ocupacional clássica.
Perfis comuns:
Trabalhador de indústria com perda auditiva bilateral progressiva após ruído.
Trabalhador rural com síndrome colinérgica após agrotóxico.
Trabalhador da construção civil ou mineração com dispneia crônica e pneumoconiose.
Digitador, costureira ou trabalhador repetitivo com dor musculoesquelética relacionada à tarefa.
Profissional de saúde com acidente perfurocortante.
Trabalhador com sofrimento mental ligado a assédio, sobrecarga ou organização do trabalho.
A palavra que entrega o diagnóstico geralmente é exposição: ruído, sílica, asbesto, chumbo, benzeno, agrotóxico, esforço repetitivo, jornada excessiva, acidente perfurocortante.
O raciocínio é clínico-epidemiológico. A doença não é definida só pelo diagnóstico, mas pela relação entre diagnóstico e trabalho.
Regra prática:
Agente físico: ruído, calor, radiação, vibração.
Agente químico: chumbo, benzeno, solventes, agrotóxicos, sílica, asbesto.
Agente biológico: vírus, bactérias, material perfurocortante.
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Agente psicossocial: assédio, metas abusivas, violência, estresse ocupacional.
O dado que mata a questão é a compatibilidade entre exposição e doença.
Exemplos clássicos:
Ruído crônico lesa células ciliadas e causa perda auditiva neurossensorial.
Sílica causa fibrose pulmonar nodular, principalmente em lobos superiores.
Asbesto causa placas pleurais, asbestose e mesotelioma.
Chumbo causa anemia, dor abdominal, neuropatia e alterações neuropsiquiátricas.
Organofosforado inibe acetilcolinesterase e causa excesso colinérgico.
Acidente de trabalho típico: evento súbito no exercício do trabalho, com lesão corporal ou perturbação funcional.
Doença profissional: produzida por atividade específica, com nexo presumido pela exposição típica.
Doença do trabalho: adquirida ou desencadeada pelas condições especiais em que o trabalho é realizado.
PAIR: perda auditiva induzida por ruído, neurossensorial, bilateral, irreversível e geralmente mais evidente em 3.000 a 6.000 Hz.
LER/DORT: dor, parestesia, fadiga, perda de força ou limitação funcional associada a repetição, força, postura ou organização do trabalho.
Intoxicação por organofosforado: miose, sialorreia, broncorreia, broncoespasmo, vômitos, diarreia, sudorese, bradicardia e fasciculações.
Pneumoconiose: dispneia crônica, tosse, história de poeira mineral e imagem compatível.
Transtorno mental relacionado ao trabalho: depressão, ansiedade, burnout, transtorno de estresse pós-traumático ou abuso de substâncias ligados à organização do trabalho.
Dermatose ocupacional: dermatite de contato irritativa ou alérgica, geralmente em mãos.
Exposição ocupacional a material biológico: acidente perfurocortante, sangue ou secreção potencialmente contaminante.
Intoxicação por chumbo: cólica abdominal, anemia, neuropatia periférica, linha gengival azulada e alteração cognitiva.
Exposição a benzeno: risco hematológico, especialmente citopenias e neoplasias hematológicas.
Dispneia progressiva em exposto à sílica ou asbesto.
Hemoptise, perda ponderal ou febre em pneumoconiose, pensar também em tuberculose.
Rebaixamento de consciência, broncorreia intensa ou insuficiência respiratória em agrotóxico.
Ideação suicida em sofrimento mental relacionado ao trabalho.
Acidente perfurocortante com fonte HIV positiva ou desconhecida.
Sinais de compressão neurológica em quadro musculoesquelético, como déficit motor progressivo.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.