
A questão cobra um sinal semiológico clássico da reumatologia: os nódulos de Heberden, aumentos de consistência óssea nas interfalangeanas distais. Esses nódulos correspondem a osteófitos marginais e são o achado típico da osteoartrite de mãos, o que leva à alternativa C.
Nódulos duros e indolores (ou pouco dolorosos) nas interfalangeanas distais + osteófitos = osteoartrite (nódulos de Heberden)
Os nodulos de Heberden são aumentos de volume de consistência dura (óssea) na face dorsal das articulações interfalangeanas distais dos dedos das mãos. Correspondem a osteófitos marginais e são o sinal clínico mais clássico da osteoartrite de mãos. O equivalente nas interfalangeanas proximais são os nódulos de Bouchard. São mais frequentes em mulheres após a menopausa e têm forte componente familiar.
Os nódulos de Heberden são identificados pelo exame físico, por inspeção e palpação: o aumento é firme, não flutuante, sem o calor e o edema mole típicos da sinovite. Na radiografia aparecem osteófitos, redução do espaço articular e esclerose subcondral. O aumento ósseo das interfalangeanas distais faz parte dos critérios de classificação do ACR para osteoartrite de mãos.
Uma armadilha frequente é o acometimento das interfalangeanas distais na artrite psoriásica. Nesse caso o edema é inflamatório (de partes moles), pode haver dactilite e alterações ungueais, e a radiografia mostra erosões com neoformação óssea. Outra armadilha é a osteoartrite erosiva, um subtipo mais inflamatório que também tem nódulos de Heberden, mas cursa com erosões centrais. A artrite reumatoide, por sua vez, classicamente poupa as interfalangeanas distais.
A artropatia de Jaccoud é uma deformidade das mãos redutível e não erosiva, com desvio ulnar e subluxações por frouxidão capsuloligamentar. Associa-se ao lúpus eritematoso sistêmico e à febre reumática, e não produz nódulos ósseos.
A artrite psoriásica pode acometer as interfalangeanas distais, mas com edema inflamatório, dactilite, entesite e alterações ungueais. O nódulo ósseo de Heberden é o achado típico da osteoartrite, e não da artrite psoriásica.
Os nódulos de Heberden são osteófitos nas interfalangeanas distais e representam o achado clínico clássico da osteoartrite de mãos, assim como os nódulos de Bouchard nas interfalangeanas proximais.
A osteoartropatia hipertrófica combina baqueteamento digital, periostite de ossos longos e artralgia. Costuma ser secundária a doenças intratorácicas como o câncer de pulmão e não causa nódulos de Heberden.
Heberden fica no fim do dedo (interfalangeana distal) e Bouchard no meio (interfalangeana proximal): ambos são osteófitos da osteoartrite. Se a interfalangeana distal estiver inflamada, com alteração de unha, pense em artrite psoriásica.
Osteoartrite é uma doença degenerativa da articulação, com perda progressiva de cartilagem, remodelamento ósseo, osteófitos e dor mecânica. Para prova, o mais importante é reconhecer o padrão de dor que piora com uso e melhora com repouso, em paciente mais velho, com rigidez matinal curta.
A banca costuma cobrar mulher idosa, obesa, com dor em joelho, quadril ou mãos, piora ao longo do dia, crepitação, limitação funcional e rigidez matinal menor que 30 minutos.
O dado que mata a questão é:
dor mecânica;
rigidez curta;
crepitação;
osteófitos;
redução assimétrica do espaço articular no raio-X;
acometimento de interfalângicas distais, interfalângicas proximais e primeira carpometacarpal nas mãos.
Não confunda com artrite reumatoide, que tem dor inflamatória, rigidez matinal prolongada, sinovite e predomínio em metacarpofalângicas e punhos.
Na osteoartrite, a cartilagem perde capacidade de absorver impacto. O osso subcondral sofre sobrecarga, esclerose e formação de osteófitos. Pode haver sinovite leve, mas o núcleo do problema é mecânico-degenerativo, não autoimune.
Para prova, guarde:
cartilagem desgastada não dói muito, porque é pouco inervada;
a dor vem principalmente de osso subcondral, sinóvia, cápsula, ligamentos e musculatura periarticular;
obesidade pesa por sobrecarga mecânica e por inflamação metabólica de baixo grau;
desalinhamento articular aumenta progressão, especialmente no joelho.
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Dor articular mecânica, pior com movimento e carga.
Melhora com repouso.
Rigidez matinal curta, geralmente menor que 30 minutos.
Crepitação à mobilização.
Redução da amplitude de movimento.
Aumento ósseo da articulação, não apenas edema mole.
Joelho, quadril, coluna cervical, coluna lombar e mãos são sítios clássicos.
Nas mãos, a banca gosta de:
nódulos de Heberden: interfalângicas distais;
nódulos de Bouchard: interfalângicas proximais;
rizartrose: primeira carpometacarpal, dor na base do polegar.
Derrame articular discreto, principalmente no joelho.
Deformidade em varo ou valgo.
Dor inguinal no quadril, podendo irradiar para coxa ou joelho.
Dor em joelho por osteoartrite de quadril, pegadinha comum.
Atrofia de quadríceps em osteoartrite de joelho avançada.
Limitação para subir escadas, levantar da cadeira e caminhar longas distâncias.
Red flags sugerem outro diagnóstico ou complicação, não osteoartrite simples:
dor em repouso intensa e progressiva;
febre;
perda ponderal;
dor noturna persistente;
monoartrite aguda com calor importante;
derrame volumoso;
incapacidade súbita de apoiar o membro;
história de trauma;
imunossupressão;
suspeita de artrite séptica, gota, fratura, tumor ou osteonecrose.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.