
A questão cobra a distinção entre critérios maiores e menores de Jones para febre reumática. A coreia de Sydenham é critério maior em qualquer população. Febre e intervalo PR prolongado são sempre critérios menores, e a poliartralgia só sobe para critério maior em populações de risco moderado a alto, o que torna a coreia a resposta inequívoca.
Critérios maiores de Jones (cardite + artrite + coreia + eritema marginado + nódulos subcutâneos) = coreia é a única alternativa sempre maior → resposta D
Os critérios de Jones são o conjunto de achados clínicos e laboratoriais usados para diagnosticar a febre reumática aguda, uma complicação tardia não supurativa da faringoamigdalite pelo estreptococo do grupo A. Na revisão da American Heart Association de 2015, os critérios maiores são cardite (clínica ou subclínica, detectada ao ecocardiograma com Doppler), artrite, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos. Os menores são febre, poliartralgia ou monoartralgia (conforme o risco), elevação de VHS e/ou PCR e intervalo PR prolongado ao ECG.
O diagnóstico do primeiro episódio exige evidência de infecção estreptocócica prévia (por exemplo, ASLO elevada ou cultura positiva) somada a dois critérios maiores, ou a um maior e dois menores. Na recorrência, também valem três critérios menores. A coreia é uma exceção importante: isolada, após exclusão de outras causas, já permite o diagnóstico, mesmo sem comprovação de infecção recente, porque costuma surgir meses após a faringite.
A principal armadilha está na estratificação por risco populacional. Em populações de baixo risco, apenas a poliartrite é critério maior articular. Em populações de risco moderado a alto (situação do Brasil), monoartrite e poliartralgia também contam como critério maior. Outro detalhe cobrado em prova: o PR prolongado não pode ser contado como critério menor se a cardite já foi usada como critério maior.
A poliartralgia é critério menor em populações de baixo risco e só é considerada critério maior em populações de risco moderado a alto. Como depende do contexto epidemiológico, não é a melhor resposta. O critério maior articular clássico é a poliartrite, com sinais inflamatórios.
O intervalo PR prolongado ao ECG é critério menor. Não deve ser contado se a cardite já estiver sendo usada como critério maior.
A febre é critério menor e inespecífica. O limiar é de 38,5 °C em populações de baixo risco e de 38 °C em populações de risco moderado a alto.
A coreia de Sydenham é critério maior de Jones em qualquer população. Isolada, após exclusão de outras causas, já é suficiente para o diagnóstico de febre reumática.
Os cinco maiores são cardite, artrite, coreia, eritema marginado e nódulos subcutâneos. Febre, PR longo e provas inflamatórias são sempre menores, e a poliartralgia só vira maior em população de risco moderado a alto.
Febre reumática é uma doença inflamatória autoimune, pós-infecção por estreptococo beta-hemolítico do grupo A, que aparece semanas após faringoamigdalite e pode causar cardite valvar crônica.
Para prova, o mais importante é reconhecer o tripé: criança ou adolescente, antecedente de faringite estreptocócica e critérios de Jones. O que separa febre reumática dos diagnósticos vizinhos é a combinação de artrite migratória, cardite, coreia, eritema marginado ou nódulos subcutâneos, sempre com evidência de infecção estreptocócica prévia, exceto em algumas apresentações típicas.
A banca costuma cobrar criança de 5 a 15 anos, algumas semanas após dor de garganta, com febre e poliartrite migratória de grandes articulações. O joelho dói hoje, melhora, depois o tornozelo ou cotovelo inflama. A palavra que entrega é "migratória".
Achados clássicos:
Artrite de grandes articulações, migratória e muito dolorosa.
Cardite com sopro novo, taquicardia desproporcional, cardiomegalia ou insuficiência cardíaca.
Coreia de Sydenham com movimentos involuntários, labilidade emocional e hipotonia.
ASLO elevado ou anti-DNase B elevado como evidência de infecção estreptocócica prévia.
Intervalo típico: 2 a 3 semanas após faringite para artrite e cardite; coreia pode surgir meses depois.
O dado que mata a questão é: febre reumática não ocorre após impetigo de forma clássica para prova. A associação cobrada é com faringoamigdalite estreptocócica.
A febre reumática resulta de mimetismo molecular: anticorpos contra o estreptococo beta-hemolítico do grupo A reagem contra tecidos humanos, principalmente coração, articulações, sistema nervoso central e pele.
Para prova:
Articulação inflama, mas não deixa sequela.
Coração inflama e pode deixar sequela valvar.
A valva mais acometida é a mitral.
179 questões do tema no qBank, cada uma com comentário e resumo do tema, revisão espaçada do que você errou e flashcards do mesmo assunto.
A lesão crônica clássica é estenose mitral reumática.
Cardite reumática pode envolver endocárdio, miocárdio e pericárdio, mas a consequência mais importante é valvar.
Regra prática: na febre reumática, quem sofre no agudo é a articulação, quem paga a conta no futuro é a valva.
Poliartrite migratória de grandes articulações.
Febre.
História recente de faringoamigdalite.
Cardite com sopro de regurgitação mitral ou aórtica.
Criança ou adolescente em idade escolar.
A artrite típica:
Migratória.
Assimétrica.
Grandes articulações.
Muito dolorosa.
Responde muito bem a anti-inflamatório não esteroidal.
Coreia de Sydenham: movimentos involuntários, piora com estresse, melhora durante o sono, queda de objetos, alteração de escrita, irritabilidade e labilidade emocional.
Eritema marginado: rash evanescente, róseo, com centro claro, mais em tronco e raiz de membros.
Nódulos subcutâneos: firmes, indolores, sobre proeminências ósseas, geralmente associados a cardite.
Artralgia, febre, VHS ou PCR elevados e intervalo PR prolongado no eletrocardiograma como critérios menores.
Sopro novo.
Dispneia, ortopneia ou sinais de insuficiência cardíaca.
Cardiomegalia.
Taquicardia desproporcional à febre.
Atrito pericárdico.
Coreia isolada em criança ou adolescente.
Recorrência em paciente com história prévia de febre reumática.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.