
A questão cobra a conduta na suspeita de obstrução intestinal por bridas e aderências, em que a decisão central é entre tratamento clínico e cirurgia. A tomografia computadorizada com contraste venoso identifica sinais de estrangulamento (falha de realce da parede, alça fechada, edema de mesentério, líquido livre, pneumatose), o que permite indicar cirurgia precoce antes da peritonite franca. Por isso a alternativa B é a correta.
Obstrução por bridas + TC com falha de realce de parede, alça fechada ou líquido livre = sofrimento de alça → cirurgia precoce
As bridas intestinais são aderências fibrosas, quase sempre formadas após cirurgia abdominal ou pélvica prévia, e são a principal causa de obstrução do intestino delgado nos adultos. Na ausência de sinais de estrangulamento, a maioria dos casos resolve com tratamento clínico: jejum, hidratação venosa, correção de distúrbios eletrolíticos e descompressão por sonda nasogástrica.
A tomografia computadorizada com contraste venoso é o exame de escolha na suspeita de obstrução por bridas. Ela confirma o diagnóstico, localiza o ponto de transição e mostra sinais de sofrimento de alça, como falha de realce da parede, obstrução em alça fechada, sinal do redemoinho, edema de mesentério, líquido livre e pneumatose. A presença desses achados, junto com febre, taquicardia, leucocitose, dor contínua ou peritonite, indica cirurgia de urgência.
No tratamento clínico, o contraste hidrossolúvel por via oral ou pela sonda tem valor diagnóstico e prognóstico: quando chega ao cólon em até 24 horas, a resolução sem cirurgia é provável. Se o quadro não melhora após cerca de 72 horas de tratamento clínico, a cirurgia está indicada. Uma armadilha clássica é o abdome virgem de cirurgia: nesse caso a obstrução não deve ser atribuída a bridas sem investigar outras causas, como hérnias e neoplasias.
A indicação cirúrgica depende principalmente de sinais clínicos e tomográficos de estrangulamento ou peritonite e da falha do tratamento clínico. O tempo de história isolado não é o critério principal.
A tomografia mostra sinais de isquemia e de alça fechada que nem sempre são evidentes no exame físico. Assim, ela permite indicar a cirurgia antes da evolução para necrose e perfuração.
A antibioticoterapia não é obrigatória na obstrução por bridas sem complicação. Ela está indicada quando há suspeita de isquemia, perfuração ou peritonite, e como profilaxia no ato cirúrgico.
O tratamento clínico se baseia em jejum, hidratação, correção eletrolítica e descompressão nasogástrica. A morfina serve apenas para analgesia, não trata a obstrução e pode piorar a motilidade intestinal.
A videolaparoscopia é uma opção em pacientes selecionados, sobretudo quando se suspeita de brida única, mas não é considerada padrão-ouro. A escolha da via depende do quadro clínico e da experiência da equipe.
Na obstrução por bridas, o tratamento clínico é a regra, mas sinais de estrangulamento na clínica ou na tomografia indicam cirurgia imediata, independentemente do tempo de evolução. Falha do tratamento clínico após cerca de 72 horas também indica cirurgia.
Obstrução intestinal é a interrupção mecânica ou funcional da progressão do conteúdo intestinal. Para prova, o mais importante é separar obstrução de intestino delgado, obstrução de cólon, íleo paralítico e abdome agudo complicado por estrangulamento, isquemia ou perfuração.
O dado que muda conduta é: obstrução simples pode começar com tratamento conservador; obstrução com sofrimento vascular, peritonite, alça fechada, perfuração ou instabilidade é cirurgia.
A banca costuma cobrar paciente com dor abdominal em cólica, distensão, vômitos e parada de eliminação de flatos e fezes.
Perfil clássico:
Pós-operatório abdominal prévio: pensar em bridas ou aderências.
Idoso com distensão importante e constipação progressiva: pensar em câncer colorretal ou volvo.
Hérnia encarcerada dolorosa: pensar em obstrução mecânica com risco de estrangulamento.
Dor contínua, febre, taquicardia, leucocitose, acidose ou peritonite: pensar em isquemia ou perfuração.
Palavras que entregam o diagnóstico:
Dor em cólica: obstrução mecânica.
Vômitos precoces e distensão menor: obstrução alta de delgado.
Distensão importante e vômitos tardios: obstrução baixa ou cólon.
Parada de flatos e fezes: obstrução completa.
Ruídos hidroaéreos aumentados em timbre metálico: fase inicial mecânica.
Abdome silencioso: fase tardia, íleo paralítico ou sofrimento intestinal.
Na obstrução mecânica, há bloqueio físico do lúmen. O intestino proximal dilata, acumula gás e líquido, aumenta a secreção intraluminal e reduz a absorção. Isso causa vômitos, desidratação, distúrbios hidroeletrolíticos e risco de hipovolemia.
Se a pressão intraluminal compromete o retorno venoso, pode evoluir para edema de parede, isquemia, necrose e perfuração. Esse é o raciocínio que mata a questão: não é a obstrução em si que mata, é a obstrução complicada.
394 questões do tema no qBank, cada uma com comentário e resumo do tema, revisão espaçada do que você errou e flashcards do mesmo assunto.
Na alça fechada, dois pontos do intestino ficam obstruídos ao mesmo tempo. A pressão sobe rápido e o risco de isquemia é maior. Exemplos clássicos: volvo, hérnia encarcerada e obstrução de cólon com válvula ileocecal competente.
No íleo paralítico, não há barreira mecânica. O problema é falência da motilidade, comum no pós-operatório, distúrbios metabólicos, sepse, peritonite, opioides e hipocalemia.
Dor abdominal em cólica.
Distensão abdominal.
Náuseas e vômitos.
Parada de eliminação de flatos e fezes.
Desidratação.
Ruídos hidroaéreos aumentados, metálicos ou em luta no início.
História de cirurgia abdominal prévia, hérnia ou neoplasia.
Regra prática: quanto mais alta a obstrução, mais vômito; quanto mais baixa, mais distensão.
Vômitos fecaloides em obstrução distal ou prolongada.
Diarreia paradoxal na obstrução parcial.
Massa abdominal ou inguinal dolorosa em hérnia encarcerada.
Toque retal com ampola vazia ou massa retal.
Constipação progressiva e perda ponderal em câncer colorretal.
Dor súbita com grande distensão em volvo.
Sinais de obstrução complicada:
Dor contínua, intensa ou desproporcional.
Febre.
Taquicardia persistente.
Hipotensão.
Defesa, rigidez ou peritonite.
Leucocitose importante.
Acidose metabólica ou lactato elevado.
Pneumoperitônio.
Pneumatose intestinal.
Gás em veia porta.
Alça fechada na tomografia.
Hérnia encarcerada dolorosa e irredutível.
Para prova, peritonite ou instabilidade hemodinâmica não combina com observar: combina com cirurgia.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.