
A questão cobra a conduta na perfuração iatrogênica do sigmoide após colonoscopia. O diagnóstico foi precoce (no mesmo dia), o paciente está estável e não tem peritonite, portanto a contaminação é mínima. Nesse cenário a sutura primária da lesão (colorrafia), por via laparoscópica ou aberta, resolve o problema sem necessidade de ressecção ou estomia.
Colonoscopia recente + dor abdominal + pneumoperitoneo + estabilidade hemodinâmica sem peritonite = perfuração iatrogênica precoce de sigmoide → colorrafia primária
O sinal de rigler (sinal da dupla parede) é um achado de pneumoperitoneo na radiografia simples de abdome em decúbito dorsal. Com ar dentro da alça e também fora dela, na cavidade peritoneal, as duas faces da parede intestinal ficam visíveis como uma linha bem definida. Normalmente só se enxerga a face interna, porque ela está em contato com o gás luminal.
O sinal é útil quando o paciente não consegue ficar em pé, como o paciente grave ou acamado. Costuma aparecer com volumes maiores de ar livre. Outros sinais de pneumoperitoneo em decúbito são o sinal do ligamento falciforme e o sinal da bola de futebol. A radiografia de tórax em ortostase mostra bem o ar sob as cúpulas diafragmáticas, e a tomografia computadorizada é o exame mais sensível.
Duas armadilhas são comuns. A primeira é confundir o sinal com a tríade de Rigler do íleo biliar (pneumobilia, obstrução intestinal e cálculo ectópico). A segunda é pensar que achar pneumoperitoneo obriga sempre a uma cirurgia extensa. Na perfuração pós-colonoscopia, a conduta depende do tempo até o diagnóstico, do grau de contaminação e da estabilidade do paciente.
A ressecção do segmento é agressiva demais para uma perfuração diagnosticada precocemente em paciente estável e sem peritonite. Fica reservada para lesões extensas, cólon doente ou contaminação importante.
Com diagnóstico no mesmo dia, cólon preparado e ausência de peritonite, a contaminação é mínima. A sutura primária da perfuração é segura e é a conduta de escolha entre as opções apresentadas.
A ileostomia protetora não se justifica numa colorrafia primária feita com baixa contaminação e paciente estável. Ela acrescentaria morbidade sem benefício.
Exteriorizar a lesão (colostomia) é estratégia de controle de dano, usada em peritonite fecal, instabilidade hemodinâmica ou diagnóstico tardio, cenário diferente do descrito.
Perfuração pós-colonoscopia diagnosticada cedo, com paciente estável e sem peritonite: sutura primária. Peritonite fecal, instabilidade ou diagnóstico tardio: ressecção ou estomia.
Abdome agudo é dor abdominal de início recente, potencialmente grave, que exige decisão rápida entre observar, investigar, operar ou tratar causa clínica. Para prova, o mais importante é reconhecer o abdome agudo cirúrgico, principalmente quando há peritonite, instabilidade, obstrução, isquemia ou perfuração.
O que separa este tema dos vizinhos é a lógica sindrômica: não começa decorando doença, começa classificando o padrão da dor.
A banca costuma cobrar paciente com dor abdominal súbita ou progressiva, associada a vômitos, febre, parada de eliminação de gases e fezes, defesa abdominal, descompressão brusca dolorosa ou alteração hemodinâmica.
O dado que mata a questão é o padrão:
Padrão | Palavra que entrega |
|---|---|
Inflamatório | Dor progressiva, febre, leucocitose, irritação peritoneal localizada |
Perfurativo | Dor súbita intensa, abdome em tábua, pneumoperitônio |
Obstrutivo | Dor em cólica, distensão, vômitos, parada de gases e fezes |
Vascular | Dor intensa desproporcional ao exame, acidose, lactato elevado |
Hemorrágico | Dor com choque, palidez, queda de hemoglobina |
Ginecológico | Mulher em idade fértil, dor pélvica, atraso menstrual, sangramento vaginal |
Para prova, a primeira pergunta é: tem peritonite difusa ou instabilidade? Se sim, pense em cirurgia ou intervenção urgente, sem perder tempo com investigação prolongada.
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A dor visceral é mal localizada, em cólica ou profunda, causada por distensão, isquemia ou inflamação de víscera. A dor somática aparece quando o peritônio parietal é irritado, ficando localizada e piorando com movimento, tosse ou palpação.
Regra prática: dor que começou vaga e depois localizou sugere processo inflamatório evoluindo para irritação peritoneal, como apendicite. Dor súbita, intensa e com rigidez sugere perfuração. Dor intensa com exame pobre sugere isquemia mesentérica.
O peritônio irritado muda a prova: defesa involuntária, rigidez e dor à descompressão indicam abdome cirúrgico até prova em contrário.
Dor abdominal de início recente.
Náuseas e vômitos.
Febre e leucocitose no padrão inflamatório.
Distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes no padrão obstrutivo.
Sinais de irritação peritoneal: defesa, rigidez, dor à descompressão brusca.
Instabilidade hemodinâmica em perfuração, hemorragia, sepse ou isquemia avançada.
Para prova, localização ajuda muito:
Local da dor | Diagnósticos clássicos |
|---|---|
Epigástrio | Úlcera perfurada, pancreatite, infarto inferior |
Hipocôndrio direito | Colecistite, colangite, hepatite |
Fossa ilíaca direita | Apendicite, ileíte, adenite mesentérica, doença ginecológica |
Fossa ilíaca esquerda | Diverticulite |
Dor difusa | Peritonite, obstrução, isquemia mesentérica |
Dor pélvica | Gravidez ectópica, torção ovariana, doença inflamatória pélvica |
Idoso pode ter quadro pobre, pouca febre e pouca leucocitose mesmo com doença grave.
Diabético, imunossuprimido e usuário de corticoide podem ter peritonite menos exuberante.
Vômito precoce sugere obstrução alta; vômito fecaloide sugere obstrução baixa avançada.
Diarreia não exclui apendicite, especialmente se o apêndice for pélvico.
Dor abdominal pode ser manifestação de doença extra-abdominal, como infarto agudo do miocárdio, pneumonia basal, cetoacidose diabética ou porfiria.
Hipotensão, taquicardia, sudorese fria ou confusão mental.
Abdome em tábua.
Dor súbita e máxima no início.
Dor desproporcional ao exame físico.
Pneumoperitônio.
Lactato elevado ou acidose metabólica.
Sangramento digestivo associado a dor intensa.
Mulher em idade fértil com atraso menstrual ou choque.
Hérnia dolorosa, irredutível ou com sinais flogísticos.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.