
A questão cobra a classificação de Bismuth das estenoses e lesões pós-operatórias da via biliar principal, que se baseia na extensão de ducto hepático comum saudável preservada abaixo da confluência dos hepáticos. Como a lesão está a 3,5 cm da confluência, sobra mais de 2 cm de hepático comum, o que define o tipo I.
Lesão de via biliar principal + coto de hepático comum maior que 2 cm abaixo da confluência = Bismuth tipo I
A classificação de Bismuth foi proposta por Henri Bismuth para as estenoses pós-operatórias da via biliar, hoje associadas principalmente à lesão de via biliar na colecistectomia. O critério é anatômico e cirúrgico: quanto de ducto hepático comum saudável resta abaixo da confluência dos ductos hepáticos, porque isso define onde será feita a anastomose biliodigestiva.
Os tipos são: I, coto de hepático comum maior que 2 cm; II, coto menor que 2 cm; III, estenose hilar sem coto de hepático comum, mas com a confluência preservada; IV, destruição da confluência, com ductos hepáticos direito e esquerdo separados; V, lesão de ducto hepático direito aberrante (setorial), isolada ou associada a estenose do hepático comum. Quanto maior o tipo, mais alta e complexa a reconstrução.
Armadilhas de prova: a classificação de Strasberg ampliou o sistema para incluir lesões típicas da via laparoscópica (fístulas do ducto cístico, ductos aberrantes), e seus tipos E1 a E5 correspondem aos tipos I a V de Bismuth. Não confunda com a classificação de Bismuth-Corlette, que estadia o colangiocarcinoma peri-hilar conforme a extensão do tumor nos ductos hepáticos.
Uma lesão a 3,5 cm da confluência deixa mais de 2 cm de ducto hepático comum preservado, critério que define o tipo I de Bismuth.
O tipo II exige coto de hepático comum menor que 2 cm, o que não se aplica a uma lesão a 3,5 cm da confluência.
O tipo III é uma estenose hilar sem coto de hepático comum, porém com a confluência ainda preservada. Não é o caso de uma lesão distante 3,5 cm.
O tipo IV corresponde à destruição da confluência, com separação dos ductos hepáticos direito e esquerdo.
O tipo V envolve um ducto hepático direito aberrante (setorial), isolado ou com estenose associada do hepático comum, situação que o enunciado não descreve.
Na classificação de Bismuth, pense no coto de hepático comum preservado: maior que 2 cm é I, menor que 2 cm é II, sem coto com confluência íntegra é III, confluência destruída é IV e ducto direito aberrante é V.
Litíase biliar é a presença de cálculos na vesícula ou nas vias biliares; para prova, o mais importante é separar cólica biliar, colecistite aguda, coledocolitíase, colangite aguda e pancreatite biliar, porque cada uma tem conduta diferente.
A banca costuma trazer mulher, meia-idade, obesidade, multípara, com dor no hipocôndrio direito ou epigástrio após refeição gordurosa.
O dado que mata a questão:
dor episódica, sem febre e sem leucocitose: cólica biliar;
dor persistente maior que 6 horas, febre, leucocitose e Murphy positivo: colecistite aguda;
icterícia, colúria, acolia fecal e bilirrubina direta elevada: coledocolitíase;
febre, icterícia e dor em hipocôndrio direito: colangite aguda;
dor epigástrica irradiada para dorso, amilase ou lipase elevada: pancreatite aguda biliar.
A palavra que entrega o diagnóstico em prova costuma ser “Murphy”, “colúria”, “tríade de Charcot”, “via biliar dilatada” ou “cálculo no colédoco”.
A maioria dos cálculos é de colesterol, formada por bile supersaturada, hipomotilidade da vesícula e nucleação de cristais. A obstrução intermitente do ducto cístico causa cólica biliar. A obstrução persistente causa inflamação da vesícula, levando à colecistite aguda.
Quando o cálculo migra para o colédoco, pode causar obstrução biliar extra-hepática, com icterícia colestática. Se houver infecção associada e aumento da pressão na via biliar, surge colangite aguda, que é emergência. Se o cálculo impacta transitoriamente na papila, pode obstruir o ducto pancreático e causar pancreatite biliar.
Regra de prova: cálculo parado na vesícula causa dor; cálculo no colédoco causa icterícia; cálculo infectado na via biliar causa colangite.
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Cólica biliar:
dor em hipocôndrio direito ou epigástrio;
geralmente após refeição gordurosa;
duração típica menor que 6 horas;
sem febre;
sem sinais inflamatórios importantes;
ultrassom mostra cálculo, mas sem espessamento importante da parede.
Colecistite aguda:
dor persistente maior que 6 horas;
febre;
náuseas e vômitos;
sinal de Murphy positivo;
leucocitose;
PCR elevada;
ultrassom com cálculo, parede vesicular espessada, líquido perivesicular e Murphy ultrassonográfico.
Coledocolitíase:
icterícia;
colúria;
acolia fecal;
prurido;
padrão colestático: bilirrubina direta, fosfatase alcalina e GGT elevadas;
dilatação de via biliar no ultrassom.
Colangite aguda:
tríade de Charcot: febre, icterícia e dor em hipocôndrio direito;
pêntade de Reynolds: tríade de Charcot mais hipotensão e alteração do sensório;
emergência infecciosa obstrutiva.
Pancreatite biliar:
dor epigástrica intensa irradiada para dorso;
náuseas e vômitos;
lipase elevada, geralmente maior que 3 vezes o limite superior da normalidade;
ALT maior que 150 U/L sugere etiologia biliar.
Íleo biliar:
obstrução intestinal mecânica em idoso;
história de litíase biliar;
fístula colecistoentérica;
cálculo impactado, classicamente na válvula ileocecal;
tríade de Rigler: pneumobilia, obstrução intestinal e cálculo ectópico.
Síndrome de Mirizzi:
cálculo impactado no infundíbulo da vesícula ou ducto cístico;
compressão extrínseca do ducto hepático comum;
icterícia obstrutiva;
pegadinha: parece coledocolitíase, mas o cálculo não está necessariamente dentro do colédoco.
febre com icterícia;
hipotensão;
confusão mental;
lactato elevado;
sinais de sepse;
dor persistente com defesa abdominal;
bilirrubina muito elevada com dilatação de via biliar;
suspeita de colangite aguda grave.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.