
A questão cobra a aplicação clínica da classificação de Child-Pugh, escore de gravidade e prognóstico da doença hepática crônica, especialmente a cirrose. Entre as opções, só a insuficiência hepática se relaciona a esse escore. Tumores gástricos e colorretais são estadiados pelo TNM, e a pancreatite aguda tem escores próprios.
Bilirrubina + albumina + INR + ascite + encefalopatia = classificação de Child-Pugh → gravidade e prognóstico da cirrose (doença hepática crônica)
A classificação de Child-Pugh estratifica a gravidade da doença hepática crônica, principalmente a cirrose. Child e Turcotte a descreveram para estimar o risco de cirurgia de derivação portossistêmica. Pugh a modificou em 1973, trocando o estado nutricional pelo tempo de protrombina.
O cálculo soma cinco parâmetros, cada um valendo de 1 a 3 pontos: bilirrubina total (menor que 2, 2 a 3, maior que 3 mg/dL), albumina (maior que 3,5, 2,8 a 3,5, menor que 2,8 g/dL), INR (menor que 1,7, 1,7 a 2,3, maior que 2,3), ascite (ausente, leve, moderada a grave) e encefalopatia hepática (ausente, graus 1 a 2, graus 3 a 4). O total define a classe: A de 5 a 6 pontos, B de 7 a 9 e C de 10 a 15. A classe se correlaciona com sobrevida e risco cirúrgico, e também orienta a escolha de terapias no carcinoma hepatocelular e o ajuste de doses de medicamentos.
Armadilhas de prova: ascite e encefalopatia são critérios subjetivos, e nas doenças colestáticas (como a colangite biliar primária) os pontos de corte de bilirrubina são diferentes. Para priorização na fila de transplante hepático usa-se o MELD, que é objetivo (bilirrubina, INR, creatinina e, nas versões atuais, sódio), e não o Child-Pugh.
O Child-Pugh avalia a gravidade da doença hepática crônica (cirrose com perda de função hepática), estimando prognóstico e risco cirúrgico.
Tumores de estômago são estadiados pelo sistema TNM. O Child-Pugh não tem papel nesse contexto.
Tumores do cólon também são estadiados pelo TNM. O Child-Pugh não se aplica.
A gravidade da pancreatite aguda é avaliada por critérios como Ranson, APACHE II e BISAP, e pela classificação de Atlanta revisada, não por Child-Pugh.
Child-Pugh é igual a cirrose: bilirrubina, albumina, INR, ascite e encefalopatia, com classes A (5 a 6), B (7 a 9) e C (10 a 15). Para fila de transplante, pense em MELD.
Cirrose hepática é a fase avançada de agressão crônica ao fígado, com fibrose difusa, nódulos regenerativos e distorção da arquitetura hepática. Para prova, o mais importante é reconhecer duas coisas: insuficiência hepatocelular e hipertensão portal.
O que separa cirrose de hepatopatia crônica simples é a presença de descompensação: ascite, hemorragia digestiva por varizes, encefalopatia hepática, icterícia ou carcinoma hepatocelular.
A banca costuma cobrar um paciente com história de etilismo, hepatite viral crônica, obesidade, diabetes, esteato-hepatite metabólica ou doença autoimune, evoluindo com sinais de doença hepática crônica.
Achados clássicos:
Ascite.
Edema de membros inferiores.
Icterícia.
Eritema palmar.
Telangiectasias.
Ginecomastia.
Atrofia testicular.
Circulação colateral abdominal.
Esplenomegalia.
Plaquetopenia.
Albumina baixa.
INR alargado.
Bilirrubina elevada.
A palavra que entrega o diagnóstico em prova costuma ser: ascite em paciente com sinais de hepatopatia crônica.
O dado que mata a questão é plaquetopenia com esplenomegalia, sugerindo hipertensão portal.
Na cirrose, a fibrose e os nódulos regenerativos aumentam a resistência ao fluxo portal. Isso gera hipertensão portal, que leva a esplenomegalia, plaquetopenia, ascite e varizes esofagogástricas.
Ao mesmo tempo, o fígado perde função sintética e metabólica. Por isso aparecem hipoalbuminemia, coagulopatia, icterícia e encefalopatia hepática.
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Regra prática: cirrose descompensa por pressão alta no sistema porta ou por falência do hepatócito.
Ascite: manifestação mais comum de descompensação.
Hemorragia digestiva alta por varizes: hematêmese ou melena em cirrótico.
Encefalopatia hepática: confusão, sonolência, flapping e alteração do ciclo sono-vigília.
Icterícia e colúria.
Plaquetopenia por hiperesplenismo.
Sarcopenia e perda ponderal.
Prurido, principalmente em doença colestática.
Ginecomastia, atrofia testicular e rarefação de pelos em homens.
Eritema palmar e telangiectasias.
Baqueteamento digital, mais associado a doenças colestáticas e hepatopulmonares.
Síndrome hepatorrenal.
Síndrome hepatopulmonar.
Peritonite bacteriana espontânea.
Carcinoma hepatocelular.
Febre, dor abdominal ou piora da encefalopatia em cirrótico com ascite: pensar em peritonite bacteriana espontânea.
Hematêmese volumosa ou melena: varizes até prova em contrário.
Creatinina subindo em cirrótico com ascite: pensar em injúria renal aguda, hipovolemia, infecção ou síndrome hepatorrenal.
Confusão mental após constipação, sangramento digestivo, infecção, sedativo ou distúrbio hidroeletrolítico: encefalopatia hepática precipitada.
Nódulo hepático em cirrótico: carcinoma hepatocelular até prova em contrário.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.