
A questão cobra a definição exata do grupo 4 da classificação de Robson. Para chegar à resposta, combine os critérios: o grupo 4 reúne as multíparas sem cesárea anterior, com feto único cefálico e termo (37 semanas ou mais), cujo trabalho de parto é induzido ou que fazem cesárea antes de entrar em trabalho de parto. Só a alternativa A traz essa combinação.
Multípara + sem cesárea anterior + feto único cefálico + 37 semanas ou mais + indução ou cesárea antes do trabalho de parto = grupo 4 de Robson
A chamada escala de robson é, na verdade, a classificação de Robson. A OMS a recomenda como padrão para monitorar e comparar taxas de cesárea entre hospitais, regiões e países. Ela divide todas as gestantes em 10 grupos mutuamente exclusivos e totalmente inclusivos: cada mulher cabe em um único grupo, e nenhuma fica de fora.
A classificação usa seis variáveis obstétricas simples: paridade (nulípara ou multípara), cesárea anterior, número de fetos, apresentação ou situação fetal, idade gestacional (a termo ou pré-termo) e início do trabalho de parto (espontâneo, induzido ou cesárea antes do trabalho de parto). Grupos 1 e 2: nulíparas, feto único cefálico, a termo (1 em trabalho de parto espontâneo; 2 com indução ou cesárea antes do trabalho de parto). Grupos 3 e 4: o mesmo par, mas em multíparas sem cesárea anterior. Grupo 5: multíparas com cesárea anterior, feto único cefálico, a termo. Grupo 6: nulíparas com apresentação pélvica. Grupo 7: multíparas com apresentação pélvica, incluindo as com cesárea anterior. Grupo 8: gestações múltiplas. Grupo 9: situação transversa ou oblíqua. Grupo 10: feto único cefálico pré-termo.
Na prática, os grupos 1, 2 e 5 costumam concentrar a maior parte das cesáreas, e por isso são o principal alvo das estratégias de redução. A armadilha clássica de prova é trocar os pares: os grupos ímpares (1 e 3) são o trabalho de parto espontâneo, e os pares (2 e 4) são a indução ou cesárea antes do trabalho de parto. Outra armadilha é esquecer que, a partir do grupo 6, entram todas as mulheres da categoria, incluindo as com cesárea anterior.
É a definição do grupo 4: multíparas sem cesárea anterior, feto único cefálico, a termo, com indução do trabalho de parto ou cesárea antes de seu início.
Descreve o grupo 3, que tem os mesmos critérios do grupo 4, com uma diferença: o trabalho de parto é espontâneo.
Descreve o grupo 5. A cicatriz de cesárea anterior em multípara com feto único cefálico a termo define esse grupo, independentemente de como o parto começa.
Descreve o grupo 7. Toda multípara com feto único em apresentação pélvica entra nesse grupo, tenha ou não cesárea anterior.
Descreve o grupo 2, que é o equivalente do grupo 4 nas nulíparas: feto único cefálico a termo com indução ou cesárea antes do trabalho de parto.
Lembre-se: grupos 1 e 2 são nulíparas, grupos 3 e 4 são multíparas sem cesárea, e dentro de cada par o número ímpar é o trabalho de parto espontâneo e o par é a indução ou cesárea antes do trabalho de parto. O grupo 5 é a cesárea anterior.
Trabalho de parto é a associação de contrações uterinas regulares e dolorosas com modificação cervical progressiva, especialmente apagamento e dilatação. Para prova, o ponto-chave é separar trabalho de parto verdadeiro de pródromos, fase latente de fase ativa e parto normal de distocia.
A banca costuma cobrar gestante a termo com dor tipo cólica, contrações rítmicas, perda do tampão mucoso, dilatação progressiva e descida da apresentação fetal.
O perfil clássico é:
gestante com contrações dolorosas e regulares;
colo uterino apagando e dilatando;
apresentação cefálica insinuando ou descendo;
bolsa íntegra ou rota;
feto com vitalidade preservada.
A palavra que entrega o diagnóstico é progressão: se o colo não muda, não é trabalho de parto estabelecido.
Para prova, o mais importante é:
trabalho de parto verdadeiro: contrações regulares + modificação cervical;
fase ativa: dilatação cervical geralmente a partir de 5 a 6 cm, com progressão;
período expulsivo: dilatação completa de 10 cm até nascimento;
terceiro período: nascimento até dequitação placentária;
quarto período: primeira hora após a dequitação, fase de maior risco de hemorragia pós-parto.
O trabalho de parto depende de contrações coordenadas do miométrio, amadurecimento cervical e ação integrada de ocitocina, prostaglandinas e resposta inflamatória local.
Para a prova, não precisa decorar cascata molecular. O que importa é entender:
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contração uterina efetiva causa apagamento, dilatação e descida fetal;
colo favorável é mais macio, anterior, apagado e dilatado;
apresentação fetal, bacia materna e força contrátil determinam a evolução;
distocia costuma envolver os 3 Ps: passageiro, passagem e potência.
Regra prática: contração sem colo mudar é pródromo; contração com colo mudando é trabalho de parto.
Contrações uterinas dolorosas, regulares e progressivamente mais frequentes.
Dor em hipogástrio e lombossacra.
Dilatação e apagamento cervical ao toque vaginal.
Perda do tampão mucoso.
Descida da apresentação fetal.
Rotura de membranas com saída de líquido claro, quando presente.
O dado que mata a questão é a mudança cervical documentada em avaliações seriadas.
Fase latente com contrações irregulares ou pouco coordenadas e dilatação inicial.
Fase ativa com dilatação mais rápida e contrações efetivas.
Período expulsivo com puxos, sensação de evacuação, distensão perineal e coroamento.
Dequitação espontânea da placenta no terceiro período.
Contrações de Braxton-Hicks: irregulares, melhoram com repouso ou hidratação e não mudam o colo.
Sangramento vaginal intenso.
Dor abdominal contínua, hipertonia uterina ou sofrimento fetal.
Líquido amniótico meconial espesso associado a alteração de vitalidade fetal.
Febre materna, taquicardia materna ou fetal e líquido fétido.
Prolapso de cordão.
Apresentação anômala em trabalho de parto avançado.
Parada de progressão da dilatação ou da descida fetal.
Pressão arterial elevada, cefaleia, escotomas ou epigastralgia, sugerindo síndrome hipertensiva.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.