
A questão cobra o reconhecimento da síndrome de iminência de rotura uterina pelos sinais de Bandl (anel de retração que separa o corpo do segmento inferior distendido) e de Frommel (ligamentos redondos retesados e palpáveis). Diante de iminência de rotura, qualquer manobra que aumente a contração ou force a via vaginal é proibida, e a conduta é a cesariana de urgência.
Parto obstruído + sinal de Bandl (útero em ampulheta) + sinal de Frommel (ligamentos redondos tensos) = iminência de rotura uterina → suspender ocitocina, inibir contrações e cesariana de urgência
O sinal de bandl-frommel reúne dois achados clássicos da síndrome de iminência de rotura uterina, também chamada síndrome de distensão segmentar. O sinal de Bandl é a formação de um anel de retração palpável, às vezes visível, entre o corpo uterino espesso e o segmento inferior adelgaçado. Esse anel sobe em direção à cicatriz umbilical e dá ao útero o aspecto de ampulheta. O sinal de Frommel é a palpação dos ligamentos redondos retesados, dolorosos e desviados para a frente, como cordas tensas na parede abdominal.
O quadro surge no trabalho de parto obstruído, principalmente na desproporção cefalopélvica, nas apresentações anômalas (como a córmica) e no uso inadequado de ocitocina. Contrações intensas e frequentes (taquissistolia) empurram o feto contra um obstáculo, e o segmento inferior se distende e afina até romper. A paciente costuma estar agitada e com dor intensa, e pode haver sinais de sofrimento fetal.
A conduta na iminência de rotura uterina é interromper a ocitocina, inibir as contrações (uterolítico ou anestesia) e realizar cesariana de urgência. A armadilha de prova é confundir o anel de Bandl com o anel de constrição localizado (anel de Schroeder), que é uma contração anômala segmentar e não marca, por si, iminência de rotura. Outra armadilha é achar que fórcipe ou amniotomia podem abreviar o parto: a via vaginal está contraindicada.
A ocitocina aumenta a intensidade e a frequência das contrações contra um obstáculo e precipita a rotura uterina. Na iminência de rotura ela deve ser suspensa, nunca iniciada.
A cesariana de urgência é a conduta na iminência de rotura uterina, idealmente após inibir as contrações. Ela retira o feto antes que o segmento inferior distendido se rompa.
O fórcipe de Simpson é um instrumento de tração e exige condições de aplicabilidade, como dilatação completa, apresentação insinuada e ausência de desproporção. No parto obstruído com iminência de rotura, a via vaginal instrumental está contraindicada.
A amniotomia não remove o obstáculo mecânico que causa a distensão segmentar. Ela pode intensificar as contrações e aumentar o risco de rotura.
Bandl + Frommel = iminência de rotura uterina: desligue a ocitocina, inibe as contrações e faça cesariana de urgência. Nada de fórcipe, amniotomia ou ocitocina.
Rotura uterina é a solução de continuidade da parede uterina durante a gestação ou o trabalho de parto, geralmente em útero cicatricial, com risco imediato de hemorragia materna e sofrimento fetal agudo.
O que separa este tema dos vizinhos é: na rotura uterina, o sinal que mata a questão costuma ser alteração súbita da frequência cardíaca fetal associada a dor abdominal, sangramento, perda da apresentação fetal ou choque materno, especialmente em paciente com cesárea prévia.
A banca costuma cobrar uma gestante em trabalho de parto, com antecedente de cesárea segmentar transversa ou cirurgia uterina, que evolui subitamente com:
bradicardia fetal ou desacelerações tardias/prolongadas;
dor abdominal intensa e persistente;
sangramento vaginal;
parada da progressão do trabalho de parto;
perda da estação fetal;
taquicardia, hipotensão ou sinais de choque;
palpação fácil de partes fetais no abdome;
contrações que reduzem ou cessam após o evento.
A palavra que entrega o diagnóstico é súbito. A prova gosta de descrever um trabalho de parto que vinha evoluindo e, de repente, aparece sofrimento fetal importante.
A rotura ocorre quando a pressão intrauterina supera a resistência da parede uterina. O ponto fraco clássico é a cicatriz uterina, principalmente de cesárea anterior, miomectomia com entrada na cavidade, incisão corporal ou cirurgia uterina extensa.
Pode ser:
completa: rompe miométrio e serosa, podendo haver extrusão fetal para a cavidade abdominal;
incompleta ou deiscência: separação parcial da cicatriz, geralmente com serosa íntegra e quadro mais brando.
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Para prova, rotura uterina completa é emergência obstétrica cirúrgica. O feto pode perder rapidamente a perfusão placentária, e a mãe pode evoluir com hemorragia grave.
Sofrimento fetal agudo, especialmente bradicardia fetal.
Dor abdominal súbita e intensa.
Sangramento vaginal.
Hipotensão, taquicardia, palidez e choque.
Parada da evolução do trabalho de parto.
Perda da apresentação fetal ao toque vaginal.
Útero com alteração do tônus ou contrações que diminuem.
Hematúria, quando há acometimento vesical.
Dor em ombro por irritação diafragmática, se hemoperitônio.
Palpação de partes fetais facilmente no abdome materno.
Desaparecimento da dinâmica uterina após período de hiperatividade.
Dor persistente entre as contrações.
Cesárea prévia em trabalho de parto com bradicardia fetal súbita.
Indução ou condução com ocitocina em útero cicatricial.
Uso de misoprostol em paciente com cesárea prévia.
Incisão uterina corporal prévia.
Grande multiparidade associada a trabalho de parto obstruído.
Manobra obstétrica traumática ou versão interna.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.