
A questão cobra o conceito de visão crítica de segurança (critical view of safety), descrito por Strasberg em 1995 para prevenir lesão da via biliar principal na colecistectomia videolaparoscópica. O critério central é visualizar duas, e apenas duas, estruturas entrando na vesícula: o ducto cístico e a artéria cística. Por isso a resposta é a alternativa A.
Colecistectomia videolaparoscópica + triângulo hepatocístico limpo de gordura e tecido fibroso + terço inferior da vesícula descolado da placa cística + apenas duas estruturas entrando na vesícula (ducto cístico e artéria cística) = visão crítica de segurança → clipar e seccionar
A visão crítica de segurança tem três critérios. O primeiro é o triângulo hepatocístico (triângulo de Calot) totalmente limpo de gordura e tecido fibroso. O segundo é o terço inferior da vesícula separado do leito hepático, expondo a placa cística. O terceiro é a visualização de duas, e apenas duas, estruturas entrando na vesícula: ducto cístico e artéria cística. Não é necessário expor o colédoco nem o ducto hepático comum. Só depois de obtida a visão crítica se clipam e seccionam as estruturas.
Quem pesquisa classificação de strasberg geralmente procura o sistema que o mesmo autor criou para as lesões de via biliar na colecistectomia. Os tipos são os seguintes. Tipo A: fístula do coto do ducto cístico ou de ductos de Luschka no leito hepático. Tipo B: oclusão de parte da árvore biliar, geralmente um ducto hepático direito aberrante. Tipo C: secção sem ligadura desse ducto aberrante, com fístula. Tipo D: lesão lateral (parcial) de ducto extra-hepático. Tipo E: lesão circunferencial da via biliar principal, subdividida de E1 a E5 conforme a classificação de Bismuth, de acordo com a distância da confluência dos hepáticos.
A principal armadilha é confundir os dois conceitos. A visão crítica de segurança é a medida de prevenção, e a classificação descreve a lesão já ocorrida, orientando prognóstico e tratamento. Outra armadilha é achar que a visão crítica exige dissecar o colédoco: o objetivo é justamente identificar o cístico com segurança sem precisar expor a via biliar principal.
Ducto cístico e artéria cística são as duas únicas estruturas que devem ser vistas entrando na vesícula. Esse é o critério que define a visão crítica de segurança de Strasberg.
O colédoco não faz parte das estruturas da visão crítica, e sua exposição não é necessária. Confundir colédoco com cístico é justamente o mecanismo clássico de lesão grave da via biliar.
Colédoco e artéria hepática não são estruturas que entram na vesícula. Não fazem parte dos critérios da visão crítica de segurança.
O triângulo de Calot é a área que deve ser dissecada, não uma estrutura a ser visualizada entrando na vesícula. Além disso, o colédoco não integra os critérios.
A visão crítica de segurança tem três critérios: triângulo hepatocístico limpo, terço inferior da vesícula descolado do leito e só duas estruturas entrando na vesícula (ducto cístico e artéria cística). Se aparecer colédoco na alternativa, descarte.
Litíase biliar é a presença de cálculos na vesícula ou nas vias biliares; para prova, o mais importante é separar cólica biliar, colecistite aguda, coledocolitíase, colangite aguda e pancreatite biliar, porque cada uma tem conduta diferente.
A banca costuma trazer mulher, meia-idade, obesidade, multípara, com dor no hipocôndrio direito ou epigástrio após refeição gordurosa.
O dado que mata a questão:
dor episódica, sem febre e sem leucocitose: cólica biliar;
dor persistente maior que 6 horas, febre, leucocitose e Murphy positivo: colecistite aguda;
icterícia, colúria, acolia fecal e bilirrubina direta elevada: coledocolitíase;
febre, icterícia e dor em hipocôndrio direito: colangite aguda;
dor epigástrica irradiada para dorso, amilase ou lipase elevada: pancreatite aguda biliar.
A palavra que entrega o diagnóstico em prova costuma ser “Murphy”, “colúria”, “tríade de Charcot”, “via biliar dilatada” ou “cálculo no colédoco”.
A maioria dos cálculos é de colesterol, formada por bile supersaturada, hipomotilidade da vesícula e nucleação de cristais. A obstrução intermitente do ducto cístico causa cólica biliar. A obstrução persistente causa inflamação da vesícula, levando à colecistite aguda.
Quando o cálculo migra para o colédoco, pode causar obstrução biliar extra-hepática, com icterícia colestática. Se houver infecção associada e aumento da pressão na via biliar, surge colangite aguda, que é emergência. Se o cálculo impacta transitoriamente na papila, pode obstruir o ducto pancreático e causar pancreatite biliar.
Regra de prova: cálculo parado na vesícula causa dor; cálculo no colédoco causa icterícia; cálculo infectado na via biliar causa colangite.
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Cólica biliar:
dor em hipocôndrio direito ou epigástrio;
geralmente após refeição gordurosa;
duração típica menor que 6 horas;
sem febre;
sem sinais inflamatórios importantes;
ultrassom mostra cálculo, mas sem espessamento importante da parede.
Colecistite aguda:
dor persistente maior que 6 horas;
febre;
náuseas e vômitos;
sinal de Murphy positivo;
leucocitose;
PCR elevada;
ultrassom com cálculo, parede vesicular espessada, líquido perivesicular e Murphy ultrassonográfico.
Coledocolitíase:
icterícia;
colúria;
acolia fecal;
prurido;
padrão colestático: bilirrubina direta, fosfatase alcalina e GGT elevadas;
dilatação de via biliar no ultrassom.
Colangite aguda:
tríade de Charcot: febre, icterícia e dor em hipocôndrio direito;
pêntade de Reynolds: tríade de Charcot mais hipotensão e alteração do sensório;
emergência infecciosa obstrutiva.
Pancreatite biliar:
dor epigástrica intensa irradiada para dorso;
náuseas e vômitos;
lipase elevada, geralmente maior que 3 vezes o limite superior da normalidade;
ALT maior que 150 U/L sugere etiologia biliar.
Íleo biliar:
obstrução intestinal mecânica em idoso;
história de litíase biliar;
fístula colecistoentérica;
cálculo impactado, classicamente na válvula ileocecal;
tríade de Rigler: pneumobilia, obstrução intestinal e cálculo ectópico.
Síndrome de Mirizzi:
cálculo impactado no infundíbulo da vesícula ou ducto cístico;
compressão extrínseca do ducto hepático comum;
icterícia obstrutiva;
pegadinha: parece coledocolitíase, mas o cálculo não está necessariamente dentro do colédoco.
febre com icterícia;
hipotensão;
confusão mental;
lactato elevado;
sinais de sepse;
dor persistente com defesa abdominal;
bilirrubina muito elevada com dilatação de via biliar;
suspeita de colangite aguda grave.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.