
A questão cobra o estadiamento da doença renal crônica pela taxa de filtração glomerular, segundo a classificação KDIGO. Um valor de 16 mL/min está entre 15 e 29, o que corresponde ao estágio G4. Abaixo de 15 já seria G5 (falência renal).
Nefropatia diabética + filtração glomerular de 16 mL/min (faixa 15 a 29) = DRC estágio G4 → acompanhamento com nefrologista e planejamento de terapia renal substitutiva
Quem busca clearance de creatinina ckd epi costuma misturar dois conceitos. O clearance de creatinina medido (urina de 24 horas) ou estimado pela fórmula de Cockcroft-Gault avalia a depuração da creatinina em mL/min. A equação CKD-EPI estima diretamente a taxa de filtração glomerular em mL/min/1,73 m², usando creatinina sérica, idade e sexo. A versão de 2021 retirou o coeficiente de raça. A KDIGO recomenda a CKD-EPI com creatinina como avaliação inicial e a cistatina C para confirmação quando a estimativa for pouco confiável.
O clearance medido tende a superestimar a filtração, porque parte da creatinina é secretada pelos túbulos, e a coleta de 24 horas tem muitos erros. A Cockcroft-Gault não é indexada pela superfície corporal e ainda é usada para ajuste de doses de medicamentos. Para estadiar a doença, use a TFG estimada pela CKD-EPI.
Pela KDIGO, os estágios de filtração são: G1 maior ou igual a 90, G2 de 60 a 89, G3a de 45 a 59, G3b de 30 a 44, G4 de 15 a 29 e G5 abaixo de 15 mL/min/1,73 m². Duas armadilhas são frequentes. Primeiro, G1 e G2 só configuram DRC se houver marcador de lesão renal, como albuminúria, alteração de sedimento ou de imagem, presente há mais de 3 meses. Segundo, o estadiamento completo também inclui a albuminúria (A1 a A3).
O estágio G2 corresponde à filtração de 60 a 89 mL/min/1,73 m² e só define DRC se houver marcador de lesão renal. Um valor de 16 está muito abaixo dessa faixa.
O estágio G3a vai de 45 a 59 mL/min/1,73 m², bem acima do valor do paciente.
O estágio G3b vai de 30 a 44 mL/min/1,73 m². O valor de 16 fica abaixo do limite inferior dessa faixa.
O estágio G4 corresponde à filtração de 15 a 29 mL/min/1,73 m², faixa que inclui o valor de 16. Nesse estágio, a KDIGO recomenda planejar a terapia renal substitutiva.
Memorize os cortes 90, 60, 45, 30 e 15: cada valor é o limite inferior de um estágio (G1, G2, G3a, G3b e G4), e abaixo de 15 é G5. Valores entre 15 e 29 são sempre G4.
Doença renal crônica é alteração estrutural ou funcional dos rins por pelo menos 3 meses, com impacto em saúde, definida por taxa de filtração glomerular estimada < 60 mL/min/1,73 m² ou marcador de lesão renal persistente.
Para prova, o mais importante é não confundir doença renal crônica com injúria renal aguda. O dado que separa é tempo, rim pequeno ao ultrassom, anemia, distúrbio mineral ósseo e história de diabetes, hipertensão arterial ou doença renal prévia.
A banca costuma cobrar um paciente com diabetes mellitus, hipertensão arterial, idoso ou doença cardiovascular, com creatinina elevada em exames repetidos, proteinúria ou albuminúria e poucos sintomas no início.
O padrão clássico:
Creatinina elevada há mais de 3 meses.
Taxa de filtração glomerular estimada reduzida.
Albuminúria persistente.
Ultrassom com rins reduzidos e perda da diferenciação córtico-medular.
Anemia normocítica e normocrômica.
Hiperfosfatemia, hipocalcemia e hiperparatireoidismo secundário nas fases avançadas.
A palavra que entrega o diagnóstico é persistência. Uma creatinina isolada alta não fecha doença renal crônica.
A doença renal crônica evolui por perda progressiva de néfrons. Os néfrons restantes hiperfiltram para compensar, mas essa adaptação aumenta pressão intraglomerular e acelera a lesão.
As consequências cobradas em prova vêm da queda da função renal:
Menor excreção de sódio e água: hipertensão arterial e edema.
Menor excreção de potássio e ácidos: hipercalemia e acidose metabólica.
Menor produção de eritropoetina: anemia.
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Menor ativação da vitamina D e retenção de fósforo: hipocalcemia, hiperfosfatemia e hiperparatireoidismo secundário.
Acúmulo de toxinas urêmicas: náuseas, anorexia, prurido, confusão, pericardite e sangramento por disfunção plaquetária.
Assintomática nas fases iniciais.
Hipertensão arterial de difícil controle.
Edema periférico.
Noctúria e poliúria nas fases iniciais por perda da capacidade de concentração urinária.
Anemia normocítica e normocrômica.
Proteinúria ou albuminúria.
Creatinina elevada de forma persistente.
Fadiga, anorexia, náuseas e perda ponderal.
Prurido urêmico.
Câimbras.
Hálito urêmico.
Acidose metabólica.
Hipercalemia.
Doença mineral óssea da doença renal crônica.
Sangramento por disfunção plaquetária urêmica.
Neuropatia periférica nas fases avançadas.
Hipercalemia grave ou com alteração eletrocardiográfica.
Edema agudo de pulmão.
Acidose metabólica grave.
Pericardite urêmica.
Encefalopatia urêmica.
Sintomas urêmicos importantes.
Queda rápida da função renal, que sugere injúria renal aguda sobre doença renal crônica.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.