
Paciente com dor lombar irradiada para a região inguinal, sinal de Giordano positivo e hematúria tem cólica renal por provável cálculo ureteral. A questão cobra a analgesia. Entre os opioides, a morfina é preferível à meperidina, e é possível associar anti-inflamatórios (que são, inclusive, a primeira linha). Por isso a alternativa B é a correta.
Dor lombar irradiada para região inguinal + Giordano positivo + hematúria = cólica renal → analgesia com AINE, associando opioide (morfina, não meperidina) se a dor for refratária
O sinal de Giordano é pesquisado pela punho-percussão lombar. O examinador percute a região do ângulo costovertebral com a borda ulnar da mão fechada (ou com o punho sobre a própria mão espalmada) e compara os dois lados. O sinal é positivo quando a manobra desencadeia ou intensifica a dor, o que sugere distensão ou inflamação da cápsula renal.
As duas causas clássicas de Giordano positivo são a pielonefrite aguda e a obstrução urinária com hidronefrose, como na cólica renal por cálculo ureteral. A diferença costuma vir do contexto: febre, calafrios e piúria apontam para infecção. Dor em cólica, irradiada para flanco, região inguinal ou genitália, com hematúria, aponta para litíase.
Armadilha: o sinal é sensível, mas pouco específico. Pode ser positivo em dor musculoesquelética e ser negativo em obstruções discretas, por isso não substitui exame de urina e imagem. A combinação de febre com obstrução (pielonefrite obstrutiva) é urgência urológica e exige desobstrução, não apenas analgesia.
A meperidina não é o opioide preferido: causa mais vômitos, e seu metabólito normeperidina pode acumular e provocar convulsões. A dexmedetomidina é sedativo de uso em ambiente monitorizado e não faz parte da analgesia padrão da cólica renal.
A morfina é preferível à meperidina quando se usa opioide na cólica renal, e a associação com anti-inflamatórios é adequada, pois os AINEs são a primeira linha. Os antiespasmódicos podem ser associados, embora não acrescentem benefício analgésico comprovado.
O risco de dependência com dose única ou uso agudo e controlado de morfina é baixo e não justifica negar o opioide a quem tem dor refratária. Além disso, antiespasmódicos não têm eficácia comprovada como pilar da analgesia.
Não se deve retardar a analgesia para monitorar a dor. A evolução do cálculo é acompanhada por exame de imagem, e o alívio da dor é prioridade.
Na cólica renal, o AINE é a primeira linha, e o opioide de resgate é a morfina, nunca a meperidina. Não se nega analgesia para acompanhar a dor ou por medo de dependência em uso agudo.
Litíase renal é a formação de cálculos no trato urinário, geralmente manifestada por cólica renal súbita, intensa e unilateral, com ou sem hematúria. Para prova, o mais importante é reconhecer a cólica ureteral, saber quando pedir tomografia, quando tratar clinicamente e quando indicar intervenção urgente.
O que separa este tema dos vizinhos é: dor em cólica irradiada para virilha, hematúria e cálculo em ureter; diferente de pielonefrite, que costuma ter febre, toxemia e dor lombar mais contínua.
A banca costuma cobrar adulto jovem ou de meia-idade com dor lombar súbita, intensa, em cólica, unilateral, irradiando para fossa ilíaca, testículo ou grandes lábios, associado a náuseas, vômitos, sudorese e hematúria.
O perfil clássico:
Homem, 30 a 50 anos.
Dor muito intensa, paciente inquieto, não acha posição de conforto.
Hematúria microscópica é comum, mas sua ausência não exclui litíase.
Exame mais sensível e específico: tomografia de abdome e pelve sem contraste.
Palavra que entrega o diagnóstico: cólica renal com irradiação para virilha.
O dado que mata a questão é dor lombar em cólica + hematúria + paciente inquieto.
O cálculo se forma quando a urina fica supersaturada por substâncias cristalizáveis, como cálcio, oxalato, ácido úrico, cistina ou fosfato. A baixa ingestão hídrica aumenta a concentração urinária e é o principal fator favorecedor.
Tipos principais:
Oxalato de cálcio: mais comum.
Fosfato de cálcio: pode ocorrer em urina alcalina e distúrbios tubulares.
Ácido úrico: associado a urina ácida, gota, síndrome metabólica e lise tumoral.
Estruvita: associada a infecção por bactérias produtoras de urease, como Proteus.
Cistina: doença hereditária, costuma aparecer em jovens e recidivar.
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Regra prática: não precisa decorar todos os detalhes bioquímicos; para prova, relacione cálculo de estruvita com infecção, ácido úrico com urina ácida e oxalato de cálcio como o mais comum.
Dor lombar súbita, intensa, em cólica.
Irradiação para flanco, fossa ilíaca, virilha, testículo ou grandes lábios.
Náuseas e vômitos.
Hematúria microscópica ou macroscópica.
Disúria, urgência ou polaciúria quando o cálculo está no ureter distal.
Paciente inquieto, ao contrário do abdome agudo peritoneal, em que o paciente tende a ficar parado.
Cálculo renal assintomático achado em exame de imagem.
Dor migratória conforme o cálculo desce pelo ureter.
Cristalúria no exame de urina.
História familiar ou recorrência.
Infecção urinária associada.
Relação localização-sintoma:
Junção ureteropélvica: dor em flanco.
Ureter médio: dor em abdome inferior.
Ureter distal ou junção ureterovesical: dor irradiada para genitália, urgência urinária e disúria.
Suspeite de complicação e não trate como cólica simples se houver:
Febre ou calafrios.
Sepse ou toxemia.
Anúria.
Rim único.
Lesão renal aguda.
Cálculo bilateral obstrutivo.
Dor intratável ou vômitos persistentes.
Gestação.
Imunossupressão.
Obstrução com infecção.
Red flag mais cobrada: cálculo obstrutivo + febre = emergência urológica.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.