
A questão cobra a interpretação sistemática da gasometria arterial. O pH de 7,18 com HCO3 de 13 mEq/L define acidose metabólica. Pela fórmula de Winter, a PaCO2 esperada seria 27,5 ± 2 mmHg, e a PaCO2 medida de 35 mmHg está acima disso, o que caracteriza acidose respiratória associada e, portanto, distúrbio misto.
pH 7,18 + HCO3 13 mEq/L (acidose metabólica) + PaCO2 35 mmHg acima da esperada por Winter (25,5 a 29,5) = acidose metabólica com acidose respiratória associada (distúrbio misto)
A pao2 é a pressão parcial de oxigênio no sangue arterial, medida diretamente pelo eletrodo do gasômetro na gasometria arterial. Em adulto jovem, respirando ar ambiente ao nível do mar, o valor normal fica entre 80 e 100 mmHg e diminui com a idade. Valores abaixo de 80 mmHg indicam hipoxemia, e PaO2 abaixo de 60 mmHg em ar ambiente é critério de insuficiência respiratória hipoxêmica.
A PaO2 avalia a oxigenação e não entra na classificação do distúrbio ácido-base, que depende de pH, HCO3 e PaCO2. Em pacientes recebendo oxigênio, interprete a PaO2 junto com a fração inspirada de oxigênio: a relação PaO2/FiO2 é usada, por exemplo, na definição de Berlim da SDRA (até 300 leve, até 200 moderada, até 100 grave, com PEEP de pelo menos 5 cmH2O).
Na questão, a PaO2 de 90 mmHg é normal e funciona como distrator. A chave é a compensação respiratória: na acidose metabólica, a fórmula de Winter (PaCO2 esperada = 1,5 x HCO3 + 8 ± 2) mostra se o pulmão está compensando bem. Uma armadilha: a SatO2 informada na gasometria muitas vezes é calculada, e não medida, e a acidemia desloca a curva de dissociação da hemoglobina para a direita.
A alcalose metabólica cursa com pH elevado e HCO3 aumentado. Aqui o pH é 7,18 e o HCO3 é 13 mEq/L, ou seja, o oposto.
A acidose respiratória primária teria PaCO2 acima de 45 mmHg com HCO3 normal ou elevado. Aqui o HCO3 está muito baixo, então o distúrbio primário é metabólico.
A acidose metabólica existe, mas não está isolada. A PaCO2 esperada seria 25,5 a 29,5 mmHg, e a medida de 35 mmHg revela um segundo distúrbio respiratório.
Há acidose metabólica (HCO3 de 13 mEq/L) com PaCO2 inapropriadamente alta para o grau de acidose, o que indica acidose respiratória associada. Esse é o distúrbio misto.
Em toda acidose metabólica, calcule a PaCO2 esperada por Winter (1,5 x HCO3 + 8 ± 2). PaCO2 acima do intervalo indica acidose respiratória associada, mesmo que esteja dentro da faixa normal de 35 a 45 mmHg.
Distúrbio ácido-base é alteração do pH por mudança primária do bicarbonato (metabólica) ou da PaCO₂ (respiratória), com resposta compensatória previsível. Para prova, o mais importante é não parar no pH: primeiro identifique o distúrbio primário, depois veja se a compensação está adequada e, por fim, procure distúrbio misto.
A banca costuma cobrar paciente grave, dispneico, séptico, renal crônico, diabético, intoxicação, vômitos, diarreia ou em ventilação mecânica, trazendo uma gasometria arterial.
O padrão clássico:
pH baixo: acidemia.
pH alto: alcalemia.
HCO₃⁻ alterado na mesma direção do pH: distúrbio metabólico primário.
PaCO₂ alterada na direção oposta ao pH: distúrbio respiratório primário.
Ânion gap aumentado: pense em ácido não medido, principalmente lactato, cetoácidos, uremia ou intoxicações.
Compensação fora do esperado: distúrbio misto.
A palavra que entrega a questão geralmente é o contexto: sepse, choque, cetoacidose diabética, insuficiência renal, vômitos persistentes, DPOC, hiperventilação ansiosa, salicilato ou metanol.
O organismo controla o pH por três mecanismos:
Tampões químicos: atuam em segundos.
Pulmão: elimina CO₂ em minutos. CO₂ alto acidifica; CO₂ baixo alcaliniza.
Rim: regula HCO₃⁻ e H⁺ em horas a dias.
Regra prática para prova:
Problema metabólico: o HCO₃⁻ é o principal alterado, e o pulmão compensa mudando a PaCO₂.
Problema respiratório: a PaCO₂ é a principal alterada, e o rim compensa mudando o HCO₃⁻.
Compensação nunca normaliza totalmente o pH. Se normalizou demais ou passou para o lado oposto, pense em distúrbio misto.
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Acidose metabólica: respiração de Kussmaul, náuseas, vômitos, rebaixamento do nível de consciência, choque, hipercalemia.
Alcalose metabólica: fraqueza, cãibras, parestesias, arritmias, hipocalemia, história de vômitos ou diurético.
Acidose respiratória: hipoventilação, sonolência, cefaleia, DPOC, depressão respiratória por opioide ou sedativo.
Alcalose respiratória: hiperventilação, ansiedade, dor, sepse inicial, gestação, hepatopatia ou intoxicação por salicilato.
Acidose láctica em sepse, choque, hipóxia, convulsão ou uso de metformina em contexto de insuficiência renal.
Acidose metabólica com ânion gap normal em diarreia e acidose tubular renal.
Alcalose metabólica por vômitos, sonda nasogástrica, diuréticos e hiperaldosteronismo.
Distúrbio misto em paciente crítico, especialmente sepse, DPOC descompensado, intoxicação por salicilato e parada cardiorrespiratória.
pH < 7,10 ou > 7,60.
Hipercalemia com acidose metabólica.
Lactato elevado com choque.
Rebaixamento do nível de consciência.
PaCO₂ subindo em paciente exausto ou em insuficiência respiratória.
Distúrbio ácido-base misto em paciente instável.
Suspeita de intoxicação por metanol, etilenoglicol ou salicilato.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.