
A questão cobra os componentes dos critérios de Rochester, usados para identificar lactentes jovens febris com baixo risco de doença bacteriana grave. É preciso achar a alternativa em que o critério clínico e o laboratorial estejam ambos corretos. Só a E reúne 'previamente saudável' e sedimento urinário com até 10 leucócitos por campo.
Lactente jovem febril + bom estado geral + previamente saudável + leucócitos 5.000 a 15.000/mm3 + bastonetes ≤ 1.500/mm3 + sedimento urinário ≤ 10 leucócitos/campo (+ fezes ≤ 5 leucócitos/campo se diarreia) = baixo risco pelos critérios de Rochester
Os critérios de Rochester são uma regra clínica e laboratorial para estratificar o lactente febril sem foco aparente. O objetivo é identificar quem tem baixo risco de doença bacteriana grave, como infecção urinária, bacteremia e meningite. Foram descritos por Dagan e colaboradores em 1985 e validados em lactentes até 60 dias. A grande utilidade é o alto valor preditivo negativo: quem preenche todos os critérios tem risco muito baixo.
Os critérios clínicos são: bom estado geral, sem aparência toxemiada, e criança previamente saudável. Previamente saudável significa nascido a termo, sem antibiótico perinatal ou prévio, sem tratamento de hiperbilirrubinemia inexplicada, sem internação mais longa que a da mãe e sem doença crônica. Também não pode haver sinal de infecção de pele, partes moles, osso, articulação ou ouvido. Os critérios laboratoriais são: leucócitos entre 5.000 e 15.000/mm3, contagem absoluta de bastonetes menor ou igual a 1.500/mm3, sedimento urinário com até 10 leucócitos por campo e, se houver diarreia, até 5 leucócitos por campo nas fezes.
Armadilhas: os critérios não têm corte de temperatura como 39 °C. Também não incluem análise do liquor, portanto a punção lombar não faz parte deles. Basta um critério alterado para a criança deixar de ser considerada de baixo risco. Hoje, protocolos mais recentes, como a diretriz da AAP de 2021, incorporam marcadores como a procalcitonina, mas os critérios de Rochester seguem muito cobrados em prova.
Nascido a termo faz parte de 'previamente saudável'. Porém a faixa de leucócitos está errada: o correto é 5.000 a 15.000/mm3, e não 3.000 a 12.000/mm3.
Ausência de comorbidades é critério clínico válido. Já bastonetes acima de 1.500/mm3 indicam risco aumentado: o baixo risco exige contagem menor ou igual a 1.500/mm3.
Leucócitos entre 5.000 e 15.000/mm3 é critério correto. Mas temperatura abaixo de 39 °C não faz parte dos critérios de Rochester.
Até 5 leucócitos por campo nas fezes, em criança com diarreia, é critério laboratorial correto. Porém aparência toxemiada exclui o baixo risco, pois o critério exige bom estado geral.
Previamente saudável é critério clínico de baixo risco. Sedimento urinário com até 10 leucócitos por campo é critério laboratorial de baixo risco. Ambos estão corretos.
Memorize os números do Rochester: leucócitos 5 a 15 mil, bastonetes até 1.500, urina até 10 e fezes até 5 leucócitos por campo, em criança com bom estado geral e previamente saudável. Não existe corte de temperatura nem de liquor.
Sepse neonatal é a infecção sistêmica do recém-nascido com risco de deterioração rápida, geralmente por transmissão vertical nos primeiros dias de vida ou por aquisição hospitalar/comunitária depois. Para prova, o mais importante é separar sepse neonatal precoce de sepse neonatal tardia, porque isso muda os agentes prováveis, os fatores de risco e o antibiótico empírico.
A banca costuma trazer recém-nascido com sinais inespecíficos: hipoatividade, recusa alimentar, instabilidade térmica, desconforto respiratório, apneia, letargia, má perfusão ou icterícia. O dado que mata a questão é a combinação de recém-nascido doente com fator de risco infeccioso materno ou internação neonatal prolongada.
Perfis clássicos:
Sepse precoce: início até 72 horas de vida, associada a corioamnionite, febre materna, bolsa rota prolongada, prematuridade, colonização materna por Streptococcus agalactiae ou ausência de profilaxia intraparto quando indicada.
Sepse tardia: início após 72 horas de vida, mais ligada a UTI neonatal, cateter venoso central, nutrição parenteral, ventilação mecânica, prematuridade extrema e baixo peso.
Agentes mais cobrados:
Precoce: Streptococcus agalactiae e Escherichia coli.
Tardia: Staphylococcus coagulase-negativo, Staphylococcus aureus, Gram-negativos e Candida em prematuros com fatores de risco.
O recém-nascido tem resposta imune imatura, menor reserva fisiológica e pode descompensar com poucos sinais. Na sepse precoce, a infecção geralmente vem da mãe, por via ascendente ou durante o parto. Na sepse tardia, a porta de entrada costuma ser assistência hospitalar, dispositivos invasivos, pele, trato gastrointestinal ou foco comunitário.
Regra de prova: sepse neonatal não espera cultura positivar para tratar. Se o recém-nascido parece séptico, colhe culturas e inicia antibiótico empírico imediatamente.
161 questões do tema no qBank, cada uma com comentário e resumo do tema, revisão espaçada do que você errou e flashcards do mesmo assunto.
Instabilidade térmica: febre ou hipotermia.
Recusa alimentar ou sucção débil.
Letargia, irritabilidade ou hipoatividade.
Desconforto respiratório, taquipneia, gemência, apneia ou cianose.
Má perfusão, tempo de enchimento capilar aumentado, palidez ou moteamento.
Hipoglicemia ou hiperglicemia.
Icterícia precoce ou piora inexplicada da icterícia.
Vômitos, distensão abdominal, resíduo gástrico aumentado.
Convulsões.
Acidose metabólica.
Plaquetopenia.
Necessidade crescente de oxigênio.
Intolerância alimentar em prematuro.
Hepatoesplenomegalia, mais sugestiva em infecções congênitas ou quadros sistêmicos.
Apneia recorrente.
Choque ou má perfusão.
Convulsão.
Letargia intensa.
Necessidade de ventilação ou aumento rápido do suporte respiratório.
Petéquias, sangramento ou plaquetopenia importante.
Suspeita de meningite.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.