
A questão cobra o critério central de Roma IV para síndrome do intestino irritável: dor abdominal recorrente, em média pelo menos 1 dia por semana nos últimos 3 meses. As demais alternativas trazem sinais de alarme (sangue retal, perda ponderal) ou sintomas que não fazem parte dos critérios, o que leva à letra A.
Dor abdominal recorrente ≥ 1 dia/semana nos últimos 3 meses + 2 de 3 (relação com a evacuação, mudança na frequência, mudança na forma das fezes) + início há ≥ 6 meses + ausência de sinais de alarme = SII por Roma IV
Os critérios de Roma IV (2016) definem a síndrome do intestino irritável como dor abdominal recorrente, em média pelo menos 1 dia por semana nos últimos 3 meses, associada a dois ou mais dos seguintes: relação com a evacuação, alteração na frequência das evacuações e alteração na forma das fezes. Os critérios devem estar presentes nos últimos 3 meses, com início dos sintomas pelo menos 6 meses antes do diagnóstico. Em relação a Roma III, o termo 'desconforto' foi retirado, a dor passou a ser obrigatória e a relação com a evacuação deixou de exigir melhora com ela.
O diagnóstico é clínico e positivo, sem necessidade de extensa investigação, desde que não haja sinais de alarme: sangramento retal, perda ponderal não intencional, anemia, sintomas noturnos, início após os 50 anos, história familiar de câncer colorretal ou doença inflamatória intestinal e massa abdominal. A presença de qualquer um deles impõe investigação (por exemplo, colonoscopia) antes de rotular o quadro como funcional.
Depois do diagnóstico, a SII é subdividida pelo padrão predominante das fezes nos dias com evacuação alterada, avaliado pela escala de Bristol: com constipação (SII-C), com diarreia (SII-D), mista (SII-M) ou não classificada (SII-U). Armadilha comum: muco nas fezes, distensão e evacuação incompleta podem ocorrer, mas não integram os critérios de Roma IV.
Reproduz o componente obrigatório de Roma IV: dor abdominal recorrente, em média pelo menos 1 dia por semana nos últimos 3 meses. Para fechar o diagnóstico, ela precisa estar associada a 2 dos 3 critérios relacionados à evacuação.
Vômitos não fazem parte dos critérios de SII. A diarreia pode ocorrer, mas o critério é a alteração da frequência ou da forma das fezes associada à dor, não a diarreia isolada.
Sangue retal é sinal de alarme e obriga investigação de doença orgânica, como doença inflamatória intestinal ou neoplasia colorretal. Não é critério de Roma IV.
O aumento da frequência evacuatória pode fazer parte do quadro, mas não é critério isolado, e o muco nas fezes não integra os critérios de Roma IV. Falta o elemento obrigatório, que é a dor abdominal.
Perda ponderal é sinal de alarme que sugere doença orgânica e exige investigação. Além disso, o intervalo temporal de Roma IV é de 3 meses de critérios, não de 6 meses de sintomas.
Em Roma IV, a dor abdominal é obrigatória (pelo menos 1 dia por semana nos últimos 3 meses, com início há 6 meses ou mais) e deve se associar a 2 de 3 critérios ligados à evacuação. Sangue, perda de peso, anemia ou sintomas noturnos são sinais de alarme, nunca critérios.
A síndrome do intestino irritável (SII) é um distúrbio da interação intestino-cérebro: dor ou desconforto abdominal recorrente (mas não contínuo) relacionado à defecação ou à mudança do hábito intestinal, sem lesão estrutural ou bioquímica que explique o quadro. O que a separa dos vizinhos (doença inflamatória intestinal, doença celíaca, câncer colorretal) é a ausência de sinais de alarme e a normalidade dos exames básicos. Desde Roma IV, o diagnóstico é positivo (baseado em critérios), e não de exclusão. Roma V (2026) manteve essa lógica e afrouxou os critérios: o desconforto voltou ao lado da dor e a frequência mínima caiu para 3 dias por mês.
Mulher jovem ou de meia-idade com dor abdominal crônica que muda com a evacuação, alternância entre constipação e diarreia, distensão abdominal, piora com estresse ou com certos alimentos. Exame físico normal, hemograma e proteína C-reativa (PCR) normais, sem perda de peso, sem sangue nas fezes, sem sintomas noturnos. A banca quer que o aluno reconheça o quadro pelos critérios de Roma (provas até 2026 cobram Roma IV; a partir de 2027, esperar Roma V), negue a colonoscopia de rotina no jovem sem alarme e escolha o tratamento pelo subtipo. As palavras que entregam o diagnóstico: "relação com a evacuação", "exames normais", "ausência de sinais de alarme".
Não há uma causa única. O modelo aceito é o de disfunção do eixo cérebro-intestino, com hipersensibilidade visceral (limiar de dor reduzido à distensão intestinal) e alteração da motilidade. Contribuem alteração da microbiota, aumento da permeabilidade da mucosa, ativação imune de baixo grau, má absorção de ácidos biliares (em parte da SII-D) e fatores psicossociais (ansiedade, depressão, estresse precoce). Gastroenterite aguda é fator de risco reconhecido (SII pós-infecciosa), sobretudo após infecção bacteriana ou por protozoário. Não há potencial pré-maligno.
Dor abdominal recorrente, em geral em cólica, de intensidade variável, relacionada à defecação (melhora ou piora ao evacuar).
Alteração do hábito intestinal: constipação, diarreia ou alternância, com mudança da frequência e da forma das fezes.
Distensão abdominal e flatulência.
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Subtipos pela escala de Bristol nos dias com evacuação anormal, sem laxante ou antidiarreico: SII-C (mais de 25% Bristol 1 ou 2 e menos de 25% Bristol 6 ou 7), SII-D (o inverso), SII-M (ambos acima de 25%) e SII-U (nenhum atinge 25%).
Muco nas fezes, urgência evacuatória, sensação de evacuação incompleta.
Sobreposição com dispepsia funcional, fibromialgia, cefaleia, transtornos de ansiedade e depressão.
Predomínio em mulheres (cerca de 2:1). Prevalência global de cerca de 4% por Roma IV e de cerca de 10% por Roma III; Roma V foi desenhado para reaproximar a prevalência da prática clínica.
O subtipo pode mudar ao longo do tempo no mesmo paciente.
Sangramento retal ou melena.
Perda de peso não intencional.
Sintomas noturnos que despertam o paciente.
Início após os 50 anos.
Anemia (sobretudo ferropriva), febre, massa abdominal.
História familiar de câncer colorretal, doença inflamatória intestinal ou doença celíaca.
Diarreia persistente com desidratação ou PCR e calprotectina elevadas.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.