
A questão cobra a finalidade do escore CURB-65 na pneumonia comunitária. O escore soma cinco critérios clínicos e laboratoriais simples para estimar a mortalidade em 30 dias e, a partir dela, decidir se o paciente trata em casa, na enfermaria ou na UTI. Por isso, a resposta é a alternativa C.
Pneumonia comunitária + escore de gravidade CURB-65 = estimativa de mortalidade em 30 dias → definição do local de tratamento (ambulatório, internação ou UTI)
O CURB-65 é um escore prognóstico da pneumonia adquirida na comunidade, derivado e validado por Lim e colaboradores em 2003. Cada critério presente vale 1 ponto: Confusão mental; Ureia elevada (> 7 mmol/L no estudo original, e no Brasil costuma-se usar > 50 mg/dL); frequência Respiratória ≥ 30 irpm; pressão arterial baixa (Blood pressure: sistólica < 90 mmHg ou diastólica ≤ 60 mmHg); e idade ≥ 65 anos. A pontuação vai de 0 a 5.
A soma estima a mortalidade em 30 dias e orienta o local de tratamento. Com 0 ou 1 ponto, o risco é baixo e o tratamento pode ser ambulatorial. Com 2 pontos, o risco é intermediário e deve-se considerar internação. Com 3 a 5 pontos, a pneumonia é grave, com mortalidade que cresce de forma importante, e o paciente deve ser internado, avaliando-se UTI principalmente com 4 ou 5 pontos. Na atenção primária, sem exame laboratorial, usa-se o CRB-65, que dispensa a ureia.
Armadilhas: o escore não substitui o julgamento clínico. Hipoxemia, comorbidades descompensadas e condições sociais podem indicar internação mesmo com pontuação baixa. A decisão de UTI usa critérios próprios (ATS/IDSA). O PSI tem a mesma finalidade prognóstica, mas é mais trabalhoso, com cerca de 20 variáveis, e a diretriz ATS/IDSA de 2019 dá preferência a ele.
O CURB-65 não é um índice de comorbidades e nenhum de seus critérios avalia doenças prévias. Comorbidades entram no PSI, não no CURB-65.
A escolha da classe de antibiótico depende do local de tratamento, dos fatores de risco para resistência e da epidemiologia. A gravidade pode influenciar o esquema empírico, mas escolher o antibiótico não é a finalidade do escore.
O CURB-65 estima a mortalidade em 30 dias da pneumonia comunitária e, com base nela, orienta se o tratamento será ambulatorial, em enfermaria ou em terapia intensiva.
O escore não tem nenhuma relação com a identificação de potenciais doadores de órgãos. É um distrator sem fundamento clínico.
CURB-65 é escore prognóstico: mede a mortalidade em 30 dias e decide onde tratar (0 a 1 em casa, 2 considerar internar, 3 ou mais internar e avaliar UTI). Ele não escolhe antibiótico e não avalia comorbidades.
Pneumonia é infecção aguda do parênquima pulmonar, geralmente com febre, tosse, alteração auscultatória e infiltrado novo na radiografia de tórax. Para prova, o ponto central é reconhecer pneumonia adquirida na comunidade, avaliar gravidade e iniciar antibiótico empírico sem atrasar conduta.
O que separa pneumonia dos vizinhos é o infiltrado pulmonar associado a quadro infeccioso. Bronquite aguda costuma não ter infiltrado. Exacerbação de DPOC tem piora de dispneia, tosse e escarro, mas não obrigatoriamente consolidação. Edema agudo de pulmão pode ter crepitações e infiltrado, mas o contexto é cardiogênico.
A banca costuma cobrar paciente com febre, tosse produtiva, dor torácica pleurítica, dispneia, taquipneia, estertores crepitantes ou sopro tubário, com radiografia mostrando consolidação.
O padrão clássico é:
Adulto com febre, tosse e infiltrado lobar: pensar em pneumonia pneumocócica.
Idoso com confusão mental, queda do estado geral ou taquipneia, mesmo sem febre exuberante: pneumonia grave até prova em contrário.
Pneumonia com sintomas extrapulmonares, como diarreia, hiponatremia e confusão: pensar em Legionella.
Pneumonia após influenza, com piora abrupta e cavitação ou necrose: pensar em Staphylococcus aureus.
Pneumonia aspirativa: rebaixamento de consciência, disfagia, vômitos, alcoolismo, doença neurológica, má higiene oral.
A palavra que entrega o diagnóstico é infiltrado novo em imagem no contexto de síndrome infecciosa respiratória.
A pneumonia acontece quando microrganismos chegam aos alvéolos por microaspiração, inalação de aerossóis, aspiração maciça ou disseminação hematogênica. A resposta inflamatória preenche os alvéolos com exsudato, gerando consolidação, hipoxemia, crepitações e broncograma aéreo.
Para prova, o raciocínio é simples: infecção no alvéolo gera infiltrado. Infecção só em via aérea, como bronquite, não gera consolidação alveolar.
Os agentes mais cobrados na pneumonia adquirida na comunidade são:
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Streptococcus pneumoniae: mais comum e clássico.
Mycoplasma pneumoniae: pneumonia atípica em jovens, quadro arrastado.
Haemophilus influenzae: DPOC, tabagismo, idosos.
Legionella pneumophila: surto, água contaminada, diarreia, hiponatremia.
Vírus respiratórios: influenza, SARS-CoV-2, VSR, entre outros.
Staphylococcus aureus: pós-influenza, necrosante, grave.
Febre.
Tosse produtiva.
Expectoração purulenta.
Dor torácica pleurítica.
Dispneia.
Taquipneia.
Estertores crepitantes.
Sopro tubário.
Macicez à percussão.
Radiografia com consolidação.
Para prova, taquipneia é um dos achados mais importantes de gravidade. Em criança e idoso, pode ser mais marcante que febre.
Confusão mental em idoso.
Queda do estado geral.
Hipoxemia.
Hemoptise discreta.
Náuseas, vômitos ou diarreia.
Hiponatremia, especialmente em Legionella.
Dor abdominal, principalmente em pneumonia de base pulmonar.
Pneumonia atípica com tosse seca, cefaleia, mialgia e sintomas arrastados.
Saturação de O2 baixa.
Frequência respiratória ≥ 30 irpm.
Pressão arterial sistólica < 90 mmHg ou diastólica ≤ 60 mmHg.
Confusão mental.
Sepse ou choque séptico.
Necessidade de ventilação mecânica.
Derrame pleural volumoso ou complicado.
Imunossupressão.
Falha terapêutica após 48 a 72 horas.
Pneumonia multilobar.
Lactato elevado, quando avaliado no contexto de sepse.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.