
A questão cobra o momento em que as contrações uterinas adquirem o tríplice gradiente descendente, padrão que define a contração eficaz do parto. Na gestação, as contrações são localizadas e descoordenadas (ondas de Alvarez e contrações de Braxton Hicks). É no início do trabalho de parto que elas passam a nascer no fundo e a ter maior intensidade e duração nas porções superiores, o que leva à alternativa B.
Contração que começa no fundo + maior intensidade no fundo + maior duração no fundo = tríplice gradiente descendente, que surge no início do trabalho de parto
Dinâmica uterina é o estudo das contrações do útero quanto a frequência, intensidade, duração e tônus de repouso. Quem busca por dinamica uterina na prova quer saber principalmente como se avalia a contratilidade e o que muda na gestação, no parto e no puerpério. Na clínica, a avaliação é feita por palpação abdominal durante 10 minutos, contando quantas contrações ocorrem e quanto dura cada uma. Também pode ser feita por cardiotocografia, que registra as contrações.
O tríplice gradiente descendente tem três componentes. Primeiro, a contração se origina no fundo uterino, próximo aos cornos (marca-passos), e se propaga em direção ao segmento inferior e ao colo. Segundo, a intensidade é maior no fundo. Terceiro, a duração também é maior no fundo. Assim, o corpo do útero contrai com mais força e por mais tempo que o segmento inferior, o que permite a dilatação do colo e a descida fetal. Esse padrão se estabelece no início do trabalho de parto e persiste até o período expulsivo.
A medida clássica da atividade uterina é a unidade Montevidéu, que é a intensidade (em mmHg acima do tônus basal) multiplicada pelo número de contrações em 10 minutos. Uma armadilha frequente é confundir as contrações de Braxton Hicks, irregulares e sem tríplice gradiente, com trabalho de parto. Outra é esquecer que mais de 5 contrações em 10 minutos caracteriza taquissistolia.
No puerpério, as contrações servem à hemostasia (ligaduras vivas de Pinard) e à involução uterina. O tríplice gradiente descendente é o padrão que define a contração do trabalho de parto, não da fase puerperal.
É no início do trabalho de parto que as contrações deixam de ser localizadas e passam a ser coordenadas, com origem, intensidade e duração dominantes no fundo uterino. Esse é o momento em que o tríplice gradiente descendente é assumido.
O padrão não depende de um valor de dilatação: ele já está presente antes dos 6 cm. Os 6 cm marcam o início da fase ativa nas diretrizes atuais, que é outro conceito cobrado em prova.
No período expulsivo, o tríplice gradiente ainda está presente, mas já existia desde o início do trabalho de parto. A pergunta é sobre quando ele é assumido, e isso não ocorre no expulsivo.
Tríplice gradiente descendente quer dizer que a contração nasce no fundo e é mais forte e mais longa no fundo. Ele surge no início do trabalho de parto e se mantém até o expulsivo, enquanto as contrações da gestação (Alvarez e Braxton Hicks) não têm esse padrão.
Trabalho de parto é a associação de contrações uterinas regulares e dolorosas com modificação cervical progressiva, especialmente apagamento e dilatação. Para prova, o ponto-chave é separar trabalho de parto verdadeiro de pródromos, fase latente de fase ativa e parto normal de distocia.
A banca costuma cobrar gestante a termo com dor tipo cólica, contrações rítmicas, perda do tampão mucoso, dilatação progressiva e descida da apresentação fetal.
O perfil clássico é:
gestante com contrações dolorosas e regulares;
colo uterino apagando e dilatando;
apresentação cefálica insinuando ou descendo;
bolsa íntegra ou rota;
feto com vitalidade preservada.
A palavra que entrega o diagnóstico é progressão: se o colo não muda, não é trabalho de parto estabelecido.
Para prova, o mais importante é:
trabalho de parto verdadeiro: contrações regulares + modificação cervical;
fase ativa: dilatação cervical geralmente a partir de 5 a 6 cm, com progressão;
período expulsivo: dilatação completa de 10 cm até nascimento;
terceiro período: nascimento até dequitação placentária;
quarto período: primeira hora após a dequitação, fase de maior risco de hemorragia pós-parto.
O trabalho de parto depende de contrações coordenadas do miométrio, amadurecimento cervical e ação integrada de ocitocina, prostaglandinas e resposta inflamatória local.
Para a prova, não precisa decorar cascata molecular. O que importa é entender:
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contração uterina efetiva causa apagamento, dilatação e descida fetal;
colo favorável é mais macio, anterior, apagado e dilatado;
apresentação fetal, bacia materna e força contrátil determinam a evolução;
distocia costuma envolver os 3 Ps: passageiro, passagem e potência.
Regra prática: contração sem colo mudar é pródromo; contração com colo mudando é trabalho de parto.
Contrações uterinas dolorosas, regulares e progressivamente mais frequentes.
Dor em hipogástrio e lombossacra.
Dilatação e apagamento cervical ao toque vaginal.
Perda do tampão mucoso.
Descida da apresentação fetal.
Rotura de membranas com saída de líquido claro, quando presente.
O dado que mata a questão é a mudança cervical documentada em avaliações seriadas.
Fase latente com contrações irregulares ou pouco coordenadas e dilatação inicial.
Fase ativa com dilatação mais rápida e contrações efetivas.
Período expulsivo com puxos, sensação de evacuação, distensão perineal e coroamento.
Dequitação espontânea da placenta no terceiro período.
Contrações de Braxton-Hicks: irregulares, melhoram com repouso ou hidratação e não mudam o colo.
Sangramento vaginal intenso.
Dor abdominal contínua, hipertonia uterina ou sofrimento fetal.
Líquido amniótico meconial espesso associado a alteração de vitalidade fetal.
Febre materna, taquicardia materna ou fetal e líquido fétido.
Prolapso de cordão.
Apresentação anômala em trabalho de parto avançado.
Parada de progressão da dilatação ou da descida fetal.
Pressão arterial elevada, cefaleia, escotomas ou epigastralgia, sugerindo síndrome hipertensiva.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.