
A questão cobra a fisiologia da hemostasia uterina após a dequitação. As ligaduras vivas de Pinard são as fibras do miométrio, dispostas de forma entrecruzada, que se contraem e estrangulam os vasos do sítio placentário. Esse mecanismo é o miotamponamento, primeira fase do quarto período do parto, o que leva à alternativa D.
Dequitação + contração das fibras miometriais entrecruzadas que comprimem os vasos = ligaduras vivas de Pinard (miotamponamento, quarto período) → útero firme e palpável (globo de segurança)
O globo de segurança de pinard é o útero bem contraído, firme e globoso, palpado no abdome logo após a dequitação, em geral próximo ou pouco abaixo da cicatriz umbilical. Ele é a tradução clínica das ligaduras vivas de Pinard: as fibras musculares do miométrio, entrecruzadas, contraem-se e comprimem os vasos que irrigavam o leito placentário. Assim fazem a hemostasia sem nenhuma sutura.
Esse fenômeno ocorre no quarto período do parto, também chamado período de Greenberg, que corresponde à primeira hora após a saída da placenta. Classicamente o período é dividido em fases: miotamponamento (contração do miométrio), trombotamponamento (formação de trombos nos vasos uteroplacentários), indiferença miouterina (útero alterna contração e relaxamento) e contração uterina fixa.
Na prática, palpar o globo de segurança é a forma de avaliar a hemostasia no pós-parto imediato. Um útero amolecido, sem o globo formado, sugere atonia, principal causa de hemorragia pós-parto, e exige massagem uterina e uterotônicos. A armadilha de prova é imaginar as ligaduras vivas como pontos cirúrgicos: o termo vivas indica justamente que são as próprias fibras musculares.
O primeiro período é o de dilatação do colo, quando a placenta ainda está inserida. Não há leito placentário cruento a ser comprimido.
O segundo período é o de expulsão do feto. O mecanismo hemostático das fibras miometriais só entra em ação após a saída da placenta.
O terceiro período é o da dequitação (descolamento e expulsão da placenta). As ligaduras vivas atuam logo em seguida, já no quarto período.
O miotamponamento é a primeira fase do quarto período do parto. Nele, a contração das fibras miometriais entrecruzadas (ligaduras vivas de Pinard) comprime os vasos e forma o globo de segurança.
Ligaduras vivas de Pinard = fibras do miométrio, não suturas. Elas atuam no miotamponamento, primeira fase do quarto período (Greenberg), e se manifestam clinicamente como globo de segurança.
Trabalho de parto é a associação de contrações uterinas regulares e dolorosas com modificação cervical progressiva, especialmente apagamento e dilatação. Para prova, o ponto-chave é separar trabalho de parto verdadeiro de pródromos, fase latente de fase ativa e parto normal de distocia.
A banca costuma cobrar gestante a termo com dor tipo cólica, contrações rítmicas, perda do tampão mucoso, dilatação progressiva e descida da apresentação fetal.
O perfil clássico é:
gestante com contrações dolorosas e regulares;
colo uterino apagando e dilatando;
apresentação cefálica insinuando ou descendo;
bolsa íntegra ou rota;
feto com vitalidade preservada.
A palavra que entrega o diagnóstico é progressão: se o colo não muda, não é trabalho de parto estabelecido.
Para prova, o mais importante é:
trabalho de parto verdadeiro: contrações regulares + modificação cervical;
fase ativa: dilatação cervical geralmente a partir de 5 a 6 cm, com progressão;
período expulsivo: dilatação completa de 10 cm até nascimento;
terceiro período: nascimento até dequitação placentária;
quarto período: primeira hora após a dequitação, fase de maior risco de hemorragia pós-parto.
O trabalho de parto depende de contrações coordenadas do miométrio, amadurecimento cervical e ação integrada de ocitocina, prostaglandinas e resposta inflamatória local.
Para a prova, não precisa decorar cascata molecular. O que importa é entender:
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contração uterina efetiva causa apagamento, dilatação e descida fetal;
colo favorável é mais macio, anterior, apagado e dilatado;
apresentação fetal, bacia materna e força contrátil determinam a evolução;
distocia costuma envolver os 3 Ps: passageiro, passagem e potência.
Regra prática: contração sem colo mudar é pródromo; contração com colo mudando é trabalho de parto.
Contrações uterinas dolorosas, regulares e progressivamente mais frequentes.
Dor em hipogástrio e lombossacra.
Dilatação e apagamento cervical ao toque vaginal.
Perda do tampão mucoso.
Descida da apresentação fetal.
Rotura de membranas com saída de líquido claro, quando presente.
O dado que mata a questão é a mudança cervical documentada em avaliações seriadas.
Fase latente com contrações irregulares ou pouco coordenadas e dilatação inicial.
Fase ativa com dilatação mais rápida e contrações efetivas.
Período expulsivo com puxos, sensação de evacuação, distensão perineal e coroamento.
Dequitação espontânea da placenta no terceiro período.
Contrações de Braxton-Hicks: irregulares, melhoram com repouso ou hidratação e não mudam o colo.
Sangramento vaginal intenso.
Dor abdominal contínua, hipertonia uterina ou sofrimento fetal.
Líquido amniótico meconial espesso associado a alteração de vitalidade fetal.
Febre materna, taquicardia materna ou fetal e líquido fétido.
Prolapso de cordão.
Apresentação anômala em trabalho de parto avançado.
Parada de progressão da dilatação ou da descida fetal.
Pressão arterial elevada, cefaleia, escotomas ou epigastralgia, sugerindo síndrome hipertensiva.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.