
A questão cobra as contraindicações à tocólise, que são as situações em que manter a gestação traz mais risco do que benefício para a mãe ou para o feto. Hipertensão grave, sangramento placentário, corioamnionite e descolamento prematuro de placenta pedem resolução da gestação, e não sua inibição. A sífilis materna deve ser tratada, mas não impede a tocólise, por isso é a exceção.
Pré-eclâmpsia grave/eclâmpsia + sangramento com instabilidade + corioamnionite + DPP + óbito ou sofrimento fetal = contraindicação à tocólise; sífilis materna = tratar com penicilina, tocólise permitida
Os tocoliticos (tocolíticos) são medicamentos que inibem as contrações uterinas no trabalho de parto prematuro. Eles não melhoram de forma consistente o desfecho neonatal por si só. Seu objetivo é adiar o parto por cerca de 48 horas, tempo suficiente para fazer o corticoide antenatal, iniciar sulfato de magnésio para neuroproteção fetal (abaixo de 32 semanas) e transferir a gestante para um centro com UTI neonatal. Em geral, a tocólise é considerada entre 24 e 34 semanas.
Os principais agentes são a nifedipina (bloqueador de canal de cálcio, muito usada no Brasil), o atosiban (antagonista do receptor de ocitocina, com poucos efeitos adversos), a indometacina (restrita a menos de 32 semanas e por até 48 horas, pelo risco de oligoâmnio e constrição do ducto arterioso) e os beta-agonistas, como a terbutalina, que têm mais efeitos cardiovasculares maternos.
As contraindicações à tocólise são as situações em que prolongar a gestação é perigoso: óbito fetal, malformação fetal letal, estado fetal não tranquilizador, pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia, sangramento materno com instabilidade hemodinâmica (descolamento prematuro de placenta, placenta prévia com sangramento importante) e corioamnionite. Existem ainda contraindicações próprias de cada droga, como hipotensão para a nifedipina e cardiopatia para os beta-agonistas. Infecções maternas tratáveis que não envolvem a cavidade amniótica, como a sífilis, não entram nessa lista.
As formas graves de hipertensão (pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, eclâmpsia, HELLP) contraindicam a tocólise, porque o tratamento definitivo é a resolução da gestação. Hipertensão leve e controlada não é, por si só, contraindicação absoluta.
Placenta prévia com sangramento ativo, sobretudo com repercussão hemodinâmica, contraindica a tocólise. O sangramento expõe mãe e feto a risco, e a prioridade passa a ser estabilizar a gestante e, muitas vezes, resolver a gestação.
Na infecção amniótica confirmada (corioamnionite), a cavidade uterina é o foco infeccioso. Inibir o parto mantém o feto em ambiente infectado e aumenta o risco de sepse materna e neonatal.
No descolamento prematuro de placenta há risco de hemorragia, coagulopatia e sofrimento fetal agudo. A conduta é resolutiva, e a tocólise é contraindicada.
Esta é a exceção. A sífilis materna exige tratamento imediato com penicilina benzatina e investigação do parceiro, mas não impede o uso de tocolíticos se houver trabalho de parto prematuro.
Contraindica a tocólise tudo o que torna o útero um ambiente pior do que o berçário: hipertensão grave, sangramento com instabilidade, infecção intra-amniótica, DPP, óbito fetal, malformação letal ou sofrimento fetal. Infecção materna tratável fora da cavidade amniótica, como a sífilis, não contraindica.
Prematuridade é nascimento antes de 37 semanas; RPMO é ruptura prematura de membranas ovulares antes do início do trabalho de parto. O ponto que separa os temas vizinhos é: trabalho de parto prematuro tem contrações e modificação cervical; RPMO tem perda de líquido antes das contrações; RPMO pré-termo combina risco infeccioso com risco de prematuridade.
A banca costuma cobrar gestante antes de 37 semanas com dor tipo contração, colo apagado ou dilatado, ou perda súbita de líquido claro pela vagina.
O dado que mata a questão é:
Situação | Palavra que entrega |
|---|---|
Contrações regulares + modificação cervical antes de 37 semanas | Trabalho de parto prematuro |
Perda de líquido antes do trabalho de parto | RPMO |
RPMO antes de 37 semanas | RPMO pré-termo |
Febre, dor uterina, taquicardia fetal e líquido fétido | Corioamnionite |
RPMO + idade gestacional baixa, sem infecção | Conduta expectante |
Para prova, o raciocínio é sempre pesar dois riscos: prematuridade versus infecção.
Na prematuridade, o parto ocorre por ativação precoce das vias de contratilidade uterina, inflamação, sangramento decidual, distensão uterina ou insuficiência cervical. O detalhe útil para prova é que infecção intra-amniótica e inflamação são causas importantes, especialmente quando há RPMO.
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Na RPMO, há ruptura das membranas antes do trabalho de parto. Quanto menor a idade gestacional, maior o benefício de ganhar tempo para corticoide, neuroproteção e transferência materna; quanto maior o risco infeccioso, menor o benefício de esperar.
Regra prática: sem infecção e feto viável, tenta-se ganhar tempo; com infecção, sofrimento fetal ou descolamento, interrompe-se.
Na prematuridade, a apresentação clássica é gestante entre 20 e 36 semanas e 6 dias com contrações uterinas regulares, dor lombar, pressão pélvica, cólica e alteração cervical.
Na RPMO, a apresentação clássica é perda vaginal súbita ou contínua de líquido claro, em grande quantidade, que molha roupas ou escorre pelas pernas. O exame especular mostra líquido em fundo de saco vaginal ou saída de líquido pelo orifício externo do colo.
Pode haver diminuição do líquido amniótico ao ultrassom, mas ultrassom não confirma RPMO sozinho.
A banca também cobra fatores de risco: história de parto prematuro, gestação gemelar, colo curto, infecções genitais, tabagismo, sangramento, polidrâmnio, malformações uterinas, baixa condição socioeconômica e procedimentos invasivos.
Em trabalho de parto prematuro, fibronectina fetal negativa entre 22 e 34 semanas tem alto valor preditivo negativo. Em prova, ela serve mais para dizer quem tem baixo risco de parto iminente do que para confirmar parto prematuro.
Suspeite de corioamnionite quando houver febre materna, dor uterina, taquicardia materna, taquicardia fetal, líquido amniótico purulento ou fétido e leucocitose.
Red flags que mudam conduta:
Red flag | Conduta de prova |
|---|---|
Corioamnionite | Interromper gestação |
Sofrimento fetal | Interromper gestação |
Descolamento prematuro de placenta | Interromper gestação |
Trabalho de parto avançado | Não insistir em tocólise |
Prolapso de cordão | Emergência obstétrica |
Instabilidade materna | Prioridade materna |
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.