
A questão cobra os componentes e a interpretação do escore de Alvarado modificado para apendicite aguda. Basta lembrar que o escore inclui sintomas, sinais e laboratório, que a leucocitose vale 2 pontos e que pontuação igual ou superior a 7 indica alta probabilidade de apendicite, com indicação cirúrgica. Com isso, só a alternativa B se sustenta.
Migração da dor + anorexia + náuseas/vômitos + dor em fossa ilíaca direita + descompressão dolorosa + febre + leucocitose = Alvarado modificado ≥ 7 → alta probabilidade de apendicite, avaliação cirúrgica
O escore de Alvarado foi descrito em 1986 para estimar a probabilidade de apendicite aguda. Ele é lembrado pela sigla MANTRELS: migração da dor para a fossa ilíaca direita (1), anorexia (1), náuseas ou vômitos (1), dor à palpação da fossa ilíaca direita (2), descompressão dolorosa (1), temperatura elevada (1), leucocitose acima de 10.000/mm³ (2) e desvio à esquerda, ou neutrofilia (1). O total máximo é de 10 pontos.
O Alvarado modificado (Kalan, 1994) retira o desvio à esquerda, porque a contagem diferencial nem sempre está disponível, e passa a somar no máximo 9 pontos. A leucocitose continua no escore, então o laboratório segue sendo relevante. Na interpretação clássica, escores baixos (até 4) tornam apendicite improvável, valores intermediários (5 a 6) pedem observação ou imagem e escores de 7 ou mais indicam alta probabilidade e cirurgia.
Armadilhas de prova: a leucocitose vale 2 pontos, e não 3. Os únicos itens com 2 pontos são a dor em fossa ilíaca direita e a leucocitose. Na prática atual, o escore é mais útil para excluir apendicite (escores baixos) do que para confirmá-la, e as diretrizes não recomendam indicar cirurgia apenas pela pontuação.
A anorexia é um dos componentes do escore e vale 1 ponto, tanto no original quanto no modificado.
Pontuação igual ou superior a 7 indica alta probabilidade de apendicite aguda. Na proposta original do escore, essa faixa corresponde à indicação cirúrgica.
O laboratório faz parte do escore: a leucocitose acima de 10.000/mm³ vale 2 pontos. No escore original, o desvio à esquerda vale mais 1 ponto.
A febre é avaliada e vale 1 ponto. No artigo original, o corte é temperatura de 37,3 °C ou mais.
A leucocitose acima de 10.000/mm³ vale 2 pontos, e não 3. Nenhum item do escore vale 3.
Na sigla MANTRELS, só a dor em fossa ilíaca direita (Tenderness) e a Leucocitose valem 2 pontos. O modificado perde o desvio à esquerda (total 9), e 7 ou mais significa alta probabilidade.
Apendicite é inflamação aguda do apêndice, geralmente por obstrução luminal, e para prova o mais importante é reconhecer o quadro de dor abdominal migratória para fossa ilíaca direita com sinais de irritação peritoneal e indicar apendicectomia sem atrasar por exames desnecessários.
O que separa apendicite dos vizinhos é a sequência clássica: dor periumbilical mal localizada, depois dor em fossa ilíaca direita, associada a náuseas, anorexia, febre baixa e leucocitose.
A banca costuma cobrar um paciente jovem, previamente hígido, com dor abdominal há menos de 48 horas, inicialmente periumbilical, que migra para fossa ilíaca direita. O dado que mata a questão é a dor no ponto de McBurney com sinais de irritação peritoneal.
Achados típicos:
dor migratória para fossa ilíaca direita;
anorexia;
náuseas e vômitos após início da dor;
febre baixa;
leucocitose com neutrofilia;
proteína C reativa elevada, principalmente em quadros mais arrastados;
Blumberg positivo em fossa ilíaca direita;
sinal do psoas ou do obturador, conforme posição do apêndice.
Palavra que entrega o diagnóstico: dor migratória.
A causa clássica é obstrução da luz apendicular, geralmente por fecalito, hiperplasia linfoide, corpo estranho ou tumor. A obstrução aumenta a pressão intraluminal, causa congestão venosa, proliferação bacteriana, isquemia, necrose e possível perfuração.
Para prova, a evolução importa mais que o mecanismo:
fase inicial: dor visceral periumbilical;
progressão inflamatória: dor somática localizada em fossa ilíaca direita;
complicação: perfuração, abscesso, plastrão, peritonite.
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Dor abdominal que começa periumbilical e migra para fossa ilíaca direita.
Anorexia, muito típica.
Náuseas e vômitos, geralmente depois da dor.
Febre baixa.
Dor à palpação no ponto de McBurney.
Defesa ou descompressão brusca dolorosa.
Leucocitose com neutrofilia.
Diarreia, se apêndice pélvico irritar reto.
Disúria ou piúria estéril, se apêndice estiver próximo ao trato urinário.
Dor em hipogástrio, em apêndice pélvico.
Dor lombar ou em flanco, em apêndice retrocecal.
Sinal do psoas: sugere apêndice retrocecal.
Sinal do obturador: sugere apêndice pélvico.
Sinal de Rovsing: dor em fossa ilíaca direita ao palpar fossa ilíaca esquerda.
Febre alta.
Dor difusa.
Peritonite generalizada.
Massa palpável em fossa ilíaca direita.
Taquicardia importante.
Hipotensão.
Sintomas por mais de 48 a 72 horas.
Queda do estado geral.
Idoso, gestante ou imunossuprimido com dor abdominal pouco exuberante.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.