
A questão cobra a interpretação de três dados do toque: dilatação total (período expulsivo), plano +2/+3 de De Lee (cabeça insinuada, abaixo das espinhas isquiáticas) e variedade de posição OET. Como o occipício está à esquerda, no plano transverso, a rotação interna até a occipitopúbica (OP) percorre um arco de 90 graus. Esse é o valor a ser feito se um fórcipe de rotação for aplicado.
Dilatação total + plano +2/+3 de De Lee + OET por apenas 15 minutos = período expulsivo sem distócia definida → se houver fórcipe de rotação, girar 90 graus até OP
A espinha isquiática é uma saliência óssea na face interna da pelve, palpável ao toque vaginal. Ela é o principal ponto de referência para avaliar a altura da apresentação. Nos planos de De Lee, o plano 0 corresponde à linha que une as duas espinhas isquiáticas. Acima dela os planos são negativos (-1 a -5 cm) e abaixo são positivos (+1 a +5 cm), sendo +5 a apresentação já na vulva. O plano 0 de De Lee coincide aproximadamente com o terceiro dos planos de Hodge.
Quando o ponto mais baixo da apresentação atinge o plano 0, considera-se que a cabeça está insinuada, ou seja, o diâmetro biparietal ultrapassou o estreito superior. No plano +2/+3 a cabeça está baixa, no estreito médio, região limitada pelo diâmetro biespinha (cerca de 10 cm), o menor diâmetro transverso da pelve. É nesse nível que costuma ocorrer a rotação interna, e por isso a parada em variedade transversa é chamada de parada transversa profunda.
Armadilha clássica: a bossa serossanguínea e a moldagem do crânio podem dar a falsa impressão de que a cabeça está mais baixa do que realmente está. O plano deve ser estimado pela calota óssea, e não pelo edema do couro cabeludo. Outro ponto cobrado é o arco de rotação: de uma variedade transversa até a OP são 90 graus, de uma oblíqua anterior são 45 graus e de uma oblíqua posterior são 135 graus.
O terceiro período do parto é a dequitação, a saída da placenta. Com dilatação total e feto ainda na pelve, a gestante está no segundo período, o expulsivo.
A gestante está no período expulsivo, mas a OET por si só não é distócia, porque é uma etapa normal antes da rotação interna. Com apenas 15 minutos de expulsivo não há tempo prolongado que caracterize parada da rotação.
Quinze minutos de período expulsivo, sem sofrimento fetal ou outra intercorrência, não justificam abreviar o parto com fórcipe. Além disso, nas variedades transversas o fórcipe clássico de rotação é o de Kielland, e não o de Simpson-Braun.
Se um fórcipe de rotação for aplicado, o occipício deve ser levado da posição transversa esquerda até a occipitopúbica (OP), o que corresponde a um arco de 90 graus.
A rotação fisiológica e instrumental leva o occipício para a frente, até a OP, sob o pube. Rodar para occipitossacra (OS) seria girar para a posição posterior, que é menos favorável ao desprendimento.
Plano 0 de De Lee é a linha das espinhas isquiáticas, e números positivos indicam apresentação abaixo delas. Para o arco de rotação até OP, guarde: transversa 90 graus, oblíqua anterior 45 graus, oblíqua posterior 135 graus.
Trabalho de parto é a associação de contrações uterinas regulares e dolorosas com modificação cervical progressiva, especialmente apagamento e dilatação. Para prova, o ponto-chave é separar trabalho de parto verdadeiro de pródromos, fase latente de fase ativa e parto normal de distocia.
A banca costuma cobrar gestante a termo com dor tipo cólica, contrações rítmicas, perda do tampão mucoso, dilatação progressiva e descida da apresentação fetal.
O perfil clássico é:
gestante com contrações dolorosas e regulares;
colo uterino apagando e dilatando;
apresentação cefálica insinuando ou descendo;
bolsa íntegra ou rota;
feto com vitalidade preservada.
A palavra que entrega o diagnóstico é progressão: se o colo não muda, não é trabalho de parto estabelecido.
Para prova, o mais importante é:
trabalho de parto verdadeiro: contrações regulares + modificação cervical;
fase ativa: dilatação cervical geralmente a partir de 5 a 6 cm, com progressão;
período expulsivo: dilatação completa de 10 cm até nascimento;
terceiro período: nascimento até dequitação placentária;
quarto período: primeira hora após a dequitação, fase de maior risco de hemorragia pós-parto.
O trabalho de parto depende de contrações coordenadas do miométrio, amadurecimento cervical e ação integrada de ocitocina, prostaglandinas e resposta inflamatória local.
Para a prova, não precisa decorar cascata molecular. O que importa é entender:
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contração uterina efetiva causa apagamento, dilatação e descida fetal;
colo favorável é mais macio, anterior, apagado e dilatado;
apresentação fetal, bacia materna e força contrátil determinam a evolução;
distocia costuma envolver os 3 Ps: passageiro, passagem e potência.
Regra prática: contração sem colo mudar é pródromo; contração com colo mudando é trabalho de parto.
Contrações uterinas dolorosas, regulares e progressivamente mais frequentes.
Dor em hipogástrio e lombossacra.
Dilatação e apagamento cervical ao toque vaginal.
Perda do tampão mucoso.
Descida da apresentação fetal.
Rotura de membranas com saída de líquido claro, quando presente.
O dado que mata a questão é a mudança cervical documentada em avaliações seriadas.
Fase latente com contrações irregulares ou pouco coordenadas e dilatação inicial.
Fase ativa com dilatação mais rápida e contrações efetivas.
Período expulsivo com puxos, sensação de evacuação, distensão perineal e coroamento.
Dequitação espontânea da placenta no terceiro período.
Contrações de Braxton-Hicks: irregulares, melhoram com repouso ou hidratação e não mudam o colo.
Sangramento vaginal intenso.
Dor abdominal contínua, hipertonia uterina ou sofrimento fetal.
Líquido amniótico meconial espesso associado a alteração de vitalidade fetal.
Febre materna, taquicardia materna ou fetal e líquido fétido.
Prolapso de cordão.
Apresentação anômala em trabalho de parto avançado.
Parada de progressão da dilatação ou da descida fetal.
Pressão arterial elevada, cefaleia, escotomas ou epigastralgia, sugerindo síndrome hipertensiva.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.