
A questão cobra a interpretação dos planos de De Lee, que medem em centímetros a altura do ponto mais baixo da apresentação em relação às espinhas isquiáticas (plano 0). No plano +3, a cabeça está 3 cm abaixo das espinhas, já baixa na pelve, e o parto é iminente. As demais alternativas associam planos a condutas de forma errada.
Apresentação cefálica + plano de De Lee +3 (3 cm abaixo das espinhas isquiáticas) = cabeça baixa na pelve → parto próximo
As espinhas isquiáticas são saliências ósseas da pelve média, palpáveis ao toque vaginal, e servem de referência para os planos de De Lee. O plano 0 é a linha que passa pelas espinhas isquiáticas. Acima delas os planos são negativos (-1 a -5 cm) e abaixo são positivos (+1 a +5 cm). O plano +5 corresponde à apresentação no intróito vulvar. O plano 0 coincide, na maioria das vezes, com a insinuação, porque o diâmetro biparietal já ultrapassou o estreito superior.
Na prática, o examinador localiza as espinhas ao toque e estima em centímetros a distância entre elas e o ponto mais baixo do polo cefálico (excluindo a bossa serossanguínea). Esse registro de altura da apresentação entra no partograma junto com a dilatação, e permite identificar distocias como a parada secundária da descida (altura inalterada em dois toques com intervalo de 1 hora, com dilatação completa ou avançada).
Os planos também orientam o parto operatório. Nenhum fórcipe pode ser aplicado com a cabeça acima do plano 0. O fórcipe médio é aplicado entre 0 e +2 e hoje é desaconselhado. O fórcipe baixo é aplicado a partir de +2, e o fórcipe de alívio é usado com a cabeça no períneo. Uma armadilha comum é confundir bossa com altura real: a bossa pode dar a falsa impressão de um plano mais baixo. Outra é tratar qualquer plano positivo persistente como indicação de cesárea, já que no período expulsivo a via vaginal operatória costuma ser possível.
No plano +4, a cabeça está muito baixa, próxima ao períneo. Se houver parada nesse ponto, o parto vaginal operatório (fórcipe ou vácuo extrator) costuma ser viável, sem indicação automática de cesárea.
No plano -3, a apresentação está alta, acima das espinhas isquiáticas e geralmente não insinuada. Qualquer fórcipe é contraindicado nessa situação. O fórcipe de alívio exige a cabeça no períneo.
O plano 0 é o limite mínimo para aplicar qualquer fórcipe, e não a posição ideal. Fórcipe com a cabeça entre 0 e +2 é classificado como médio, tem maior risco materno-fetal e hoje é pouco recomendado.
A parada da descida em -1 com dilatação avançada configura parada secundária da descida, classicamente associada a desproporção cefalopélvica. Por isso, a conduta não é ocitocina por princípio. A causa deve ser avaliada, e a cesárea é frequentemente indicada.
No plano +3, o ponto mais baixo da cabeça está 3 cm abaixo das espinhas isquiáticas, já na porção baixa da pelve. Isso indica que o desprendimento e o parto estão próximos.
Espinhas isquiáticas correspondem ao plano 0: negativo é acima, positivo é abaixo, e +5 é a vulva. Nenhum fórcipe acima de 0, e o fórcipe de alívio só com a cabeça no períneo.
Trabalho de parto é a associação de contrações uterinas regulares e dolorosas com modificação cervical progressiva, especialmente apagamento e dilatação. Para prova, o ponto-chave é separar trabalho de parto verdadeiro de pródromos, fase latente de fase ativa e parto normal de distocia.
A banca costuma cobrar gestante a termo com dor tipo cólica, contrações rítmicas, perda do tampão mucoso, dilatação progressiva e descida da apresentação fetal.
O perfil clássico é:
gestante com contrações dolorosas e regulares;
colo uterino apagando e dilatando;
apresentação cefálica insinuando ou descendo;
bolsa íntegra ou rota;
feto com vitalidade preservada.
A palavra que entrega o diagnóstico é progressão: se o colo não muda, não é trabalho de parto estabelecido.
Para prova, o mais importante é:
trabalho de parto verdadeiro: contrações regulares + modificação cervical;
fase ativa: dilatação cervical geralmente a partir de 5 a 6 cm, com progressão;
período expulsivo: dilatação completa de 10 cm até nascimento;
terceiro período: nascimento até dequitação placentária;
quarto período: primeira hora após a dequitação, fase de maior risco de hemorragia pós-parto.
O trabalho de parto depende de contrações coordenadas do miométrio, amadurecimento cervical e ação integrada de ocitocina, prostaglandinas e resposta inflamatória local.
Para a prova, não precisa decorar cascata molecular. O que importa é entender:
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contração uterina efetiva causa apagamento, dilatação e descida fetal;
colo favorável é mais macio, anterior, apagado e dilatado;
apresentação fetal, bacia materna e força contrátil determinam a evolução;
distocia costuma envolver os 3 Ps: passageiro, passagem e potência.
Regra prática: contração sem colo mudar é pródromo; contração com colo mudando é trabalho de parto.
Contrações uterinas dolorosas, regulares e progressivamente mais frequentes.
Dor em hipogástrio e lombossacra.
Dilatação e apagamento cervical ao toque vaginal.
Perda do tampão mucoso.
Descida da apresentação fetal.
Rotura de membranas com saída de líquido claro, quando presente.
O dado que mata a questão é a mudança cervical documentada em avaliações seriadas.
Fase latente com contrações irregulares ou pouco coordenadas e dilatação inicial.
Fase ativa com dilatação mais rápida e contrações efetivas.
Período expulsivo com puxos, sensação de evacuação, distensão perineal e coroamento.
Dequitação espontânea da placenta no terceiro período.
Contrações de Braxton-Hicks: irregulares, melhoram com repouso ou hidratação e não mudam o colo.
Sangramento vaginal intenso.
Dor abdominal contínua, hipertonia uterina ou sofrimento fetal.
Líquido amniótico meconial espesso associado a alteração de vitalidade fetal.
Febre materna, taquicardia materna ou fetal e líquido fétido.
Prolapso de cordão.
Apresentação anômala em trabalho de parto avançado.
Parada de progressão da dilatação ou da descida fetal.
Pressão arterial elevada, cefaleia, escotomas ou epigastralgia, sugerindo síndrome hipertensiva.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.