
A questão cobra o reconhecimento clínico do eritema infeccioso pela sequência típica do exantema. Uma criança em idade escolar, sem febre ou outros sintomas, tem eritema facial em face esbofeteada seguido de exantema rendado em tronco e membros. Isso aponta para o Parvovírus B19.
Criança em idade escolar + face esbofeteada + exantema rendado em tronco e membros + ausência de outros sintomas = eritema infeccioso (Parvovírus B19)
Face esbofeteada é o nome dado ao eritema intenso e confluente das bochechas, com relativa palidez ao redor da boca. É o sinal clássico do eritema infeccioso, também chamado de quinta doença, causado pelo Parvovírus B19. Acomete principalmente crianças em idade escolar. Costuma haver um pródromo leve e inespecífico, e quando o exantema surge a criança geralmente está bem e já não transmite o vírus.
A evolução ocorre em fases. Primeiro aparece o eritema facial. Em seguida surge um exantema maculopapular em tronco e membros que, ao clarear do centro para a periferia, assume o aspecto de exantema rendado. Esse exantema pode desaparecer e reaparecer por semanas com calor, sol, exercício ou estresse. O diagnóstico é clínico. A sorologia (IgM) fica reservada para gestantes, imunossuprimidos e pacientes com anemia hemolítica.
As armadilhas de prova estão nas complicações. O vírus infecta precursores eritroides e pode causar crise aplásica transitória em portadores de anemia hemolítica crônica, como a doença falciforme. Também pode causar anemia crônica em imunossuprimidos, artropatia em adultos (especialmente mulheres) e hidropisia fetal na infecção durante a gestação.
O Herpesvírus Humano 6 causa o exantema súbito (roséola), com febre alta por 3 a 5 dias e exantema predominante em tronco que surge após a queda da febre. Não há face esbofeteada.
O Parvovírus B19 é o agente do eritema infeccioso. A sequência de face esbofeteada seguida de exantema rendado em tronco e extremidades, em criança sem outros sintomas, é o quadro típico.
O paramixovírus da alternativa refere-se ao agente do sarampo, que cursa com febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik. O exantema maculopapular tem progressão craniocaudal, e a criança fica toxemiada, o que não combina com o caso.
O togavírus refere-se ao vírus da rubéola, hoje reclassificado na família Matonaviridae. A rubéola cursa com exantema maculopapular róseo de progressão craniocaudal e linfadenopatia retroauricular e occipital, sem face esbofeteada nem aspecto rendado.
Face esbofeteada seguida de exantema rendado em criança sem febre é eritema infeccioso pelo Parvovírus B19. Se o enunciado trouxer anemia falciforme com queda abrupta da hemoglobina e reticulocitopenia, pense em crise aplásica pelo mesmo vírus.
Doenças exantemáticas são quadros febris, geralmente infecciosos, em que o padrão do exantema, a sequência febre-lesão, a distribuição corporal, a presença de enantema e o estado geral da criança costumam matar a questão.
Para prova, o mais importante é reconhecer os padrões clássicos: sarampo com febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik; varicela com lesões em vários estágios; escarlatina com faringite e rash em lixa; exantema súbito com febre alta que some antes do rash; eritema infeccioso com face esbofeteada; rubéola com linfonodos retroauriculares; mão-pé-boca com vesículas em mãos, pés e boca.
A banca costuma cobrar criança com febre e manchas na pele. O dado que diferencia não é só a cor do exantema, mas o contexto.
Sarampo aparece como febre alta, tosse, coriza, conjuntivite, prostração e exantema morbiliforme craniocaudal, com manchas de Koplik antes do rash. A palavra que entrega é Koplik.
Varicela aparece com febre baixa ou moderada, prurido e lesões em diferentes fases ao mesmo tempo: mácula, pápula, vesícula e crosta. A palavra que entrega é polimorfismo.
Escarlatina aparece com febre, odinofagia, faringoamigdalite, língua em framboesa, exantema áspero em lixa e descamação tardia. A palavra que entrega é lixa.
Exantema súbito aparece em lactente com febre alta por 3 a 5 dias, bom estado geral relativo, queda abrupta da febre e surgimento do exantema. A palavra que entrega é defervescência.
Eritema infeccioso aparece com criança pouco toxemiada, bochechas muito vermelhas e exantema rendilhado em tronco e membros. A palavra que entrega é face esbofeteada.
Rubéola aparece com febre baixa, exantema leve, linfonodomegalia retroauricular, occipital ou cervical posterior. A palavra que entrega é retroauricular.
Doença mão-pé-boca aparece com febre, lesões orais dolorosas e vesículas em palmas, plantas e nádegas. A palavra que entrega é mão-pé-boca.
A maioria dos exantemas virais ocorre por viremia, resposta imune cutânea ou lesão direta em pele e mucosas. Por isso, febre, sintomas respiratórios ou gastrointestinais costumam preceder o rash.
Na escarlatina, o problema não é vírus: é Streptococcus pyogenes produtor de toxina eritrogênica. Por isso há faringite bacteriana, rash em lixa e necessidade de antibiótico para prevenir febre reumática.
783 questões do tema no qBank, cada uma com comentário e resumo do tema, revisão espaçada do que você errou e flashcards do mesmo assunto.
Na varicela, o vírus varicela-zóster causa vesículas disseminadas e fica latente em gânglios sensitivos. O polimorfismo das lesões é a pista clássica.
No sarampo, a imunossupressão transitória aumenta risco de pneumonia, otite, diarreia e encefalite. Por isso é doença de notificação, isolamento e vacinação de bloqueio.
No parvovírus B19, há tropismo por precursores eritroides. A pegadinha é crise aplásica em doença falciforme e risco fetal na gestação.
Sarampo: febre alta, tosse, coriza, conjuntivite, fotofobia, manchas de Koplik e exantema maculopapular que começa na face e desce para tronco e membros. A criança costuma estar toxemiada.
Varicela: febre, prurido e lesões centrípetas, mais em tronco e face, com vesículas em gota de orvalho sobre base eritematosa. O mais importante é haver lesões em fases diferentes.
Escarlatina: febre, dor de garganta, exsudato ou hiperemia faríngea, petéquias em palato, língua saburrosa que evolui para língua em framboesa, linhas de Pastia e descamação lamelar.
Exantema súbito: lactente de 6 meses a 2 anos, febre alta, às vezes convulsão febril, seguido de exantema róseo no tronco após a febre desaparecer.
Eritema infeccioso: criança escolar, febre baixa ou ausente, face esbofeteada e rash rendilhado. Pode piorar com sol, calor ou exercício.
Rubéola: quadro leve, febre baixa, exantema craniocaudal rápido, linfonodos retroauriculares, occipitais e cervicais posteriores. Em gestante, o foco é síndrome da rubéola congênita.
Doença mão-pé-boca: enterovírus, principalmente Coxsackie. Lesões vesiculares em boca, mãos e pés, com odinofagia e recusa alimentar.
Eritema multiforme: lesões em alvo, geralmente pós-infecção por herpes simples ou Mycoplasma pneumoniae. Não confunda com exantema viral simples.
Dengue: febre alta, mialgia, cefaleia, dor retro-orbitária, exantema, prova do laço positiva, leucopenia e plaquetopenia. O dado que muda conduta é sinal de alarme.
Doença de Kawasaki: febre por pelo menos 5 dias mais conjuntivite bilateral não purulenta, alterações orais, exantema, alterações de extremidades e linfonodo cervical. A preocupação é aneurisma coronariano.
Febre com petéquias ou púrpura, toxemia, hipotensão ou rebaixamento: pense em meningococcemia até prova em contrário.
Exantema com descamação extensa, dor cutânea, bolhas ou acometimento de mucosa: pensar em Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica ou síndrome da pele escaldada estafilocócica.
Febre persistente por 5 dias ou mais com conjuntivite, mucosite e extremidades alteradas: pensar em Kawasaki.
Febre, choque, sintomas gastrointestinais, conjuntivite e inflamação sistêmica após COVID-19: pensar em MIS-C.
Varicela em imunossuprimido, recém-nascido, gestante ou pneumonia: risco de gravidade e indicação de aciclovir.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.