
A questão cobra o reconhecimento clínico do pênfigo vulgar e o nível de clivagem da bolha na histopatologia. Lesões orais precedendo bolhas flácidas cutâneas, dolorosas, com sinal de Nikolsky positivo apontam para pênfigo vulgar. A doença é causada por autoanticorpos contra desmogleína 3 (e 1), que geram acantólise logo acima da camada basal, ou seja, bolha intraepidérmica suprabasal.
Exulcerações orais há meses + bolhas flácidas dolorosas + Nikolsky positivo = pênfigo vulgar → acantólise suprabasal na biópsia (confirmar com imunofluorescência direta)
O sinal de Nikolsky é o descolamento da epiderme provocado por pressão tangencial (fricção lateral com o dedo) sobre a pele perilesional ou aparentemente sã. Indica perda de coesão da epiderme, seja entre queratinócitos (acantólise), seja por necrose epidérmica. Uma manobra relacionada é o sinal de Asboe-Hansen: a pressão vertical sobre uma bolha íntegra faz com que ela se estenda lateralmente.
O sinal é positivo no pênfigo vulgar, no pênfigo foliáceo, na síndrome da pele escaldada estafilocócica e na necrólise epidérmica tóxica. Costuma ser negativo no penfigoide bolhoso, em que as bolhas são tensas e a clivagem é subepidérmica. No pênfigo vulgar, os anticorpos contra desmogleína 3 explicam o acometimento mucoso inicial. Quando também há anticorpos contra desmogleína 1, surgem as bolhas cutâneas flácidas, que se rompem e deixam erosões dolorosas.
Armadilha frequente: o sinal de Nikolsky é sensível, mas não específico, e não substitui a investigação. A biópsia da borda da lesão mostra acantólise suprabasal, com a camada basal aderida à derme em fileira de lápides. A imunofluorescência direta da pele perilesional confirma o diagnóstico, com depósito intercelular de IgG e C3 em padrão de rede.
É o achado do pênfigo vulgar. A acantólise por anticorpos anti-desmogleína 3 separa os queratinócitos logo acima da camada basal, que permanece aderida à membrana basal.
A degeneração vacuolar da camada basal caracteriza a dermatite de interface, vista em lúpus eritematoso, dermatomiosite, líquen plano, eritema multiforme e necrólise epidérmica tóxica. Não é o mecanismo do pênfigo vulgar.
A clivagem subcórnea ou granulosa, mais superficial, é típica do pênfigo foliáceo (anti-desmogleína 1, sem lesão mucosa), do impetigo bolhoso e da síndrome da pele escaldada estafilocócica. A paciente tem lesões orais importantes, o que afasta essa hipótese.
A bolha subepidérmica ocorre no penfigoide bolhoso, no penfigoide de membranas mucosas, na dermatite herpetiforme e na epidermólise bolhosa adquirida. Essas doenças costumam cursar com bolhas tensas e Nikolsky negativo.
Lesão oral mais bolha flácida com Nikolsky positivo é pênfigo vulgar, com clivagem suprabasal. Sem mucosa e com clivagem superficial (subcórnea) é pênfigo foliáceo. Bolha tensa em idoso, com clivagem subepidérmica, é penfigoide.
Doenças bolhosas são dermatoses em que a lesão elementar principal é a bolha, e para prova o mais importante é separar bolha flácida de bolha tensa.
A regra que mata a maioria das questões é:
Bolha flácida e erosão dolorosa: pense em pênfigo vulgar.
Bolha tensa e pruriginosa em idoso: pense em penfigoide bolhoso.
Vesículas agrupadas e muito pruriginosas em superfícies extensoras: pense em dermatite herpetiforme.
Bolhas com acometimento sistêmico, febre, necrose epidérmica e mucosa: pense em síndrome de Stevens-Johnson ou necrólise epidérmica tóxica.
A banca costuma cobrar um paciente com bolhas e pedir o diagnóstico mais provável, o nível da clivagem ou a conduta.
O perfil clássico:
Pênfigo vulgar: adulto de meia-idade, erosões orais dolorosas, bolhas flácidas, sinal de Nikolsky positivo.
Penfigoide bolhoso: idoso, prurido intenso, placas urticariformes, bolhas tensas, mucosa geralmente poupada.
Dermatite herpetiforme: adulto jovem ou meia-idade, prurido intenso, vesículas agrupadas em cotovelos, joelhos, nádegas e couro cabeludo, associação com doença celíaca.
Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica: uso recente de fármaco, febre, lesões em alvo atípicas, dor cutânea, acometimento de mucosas e descolamento epidérmico.
Palavras que entregam:
“Bolha flácida”: pênfigo.
“Bolha tensa”: penfigoide.
“Idoso pruriginoso”: penfigoide bolhoso.
“Erosão oral antes da pele”: pênfigo vulgar.
“Prurido em superfícies extensoras + doença celíaca”: dermatite herpetiforme.
“Dor cutânea + mucosite + necrose epidérmica”: Stevens-Johnson ou necrólise epidérmica tóxica.
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Para prova, pense no local onde a pele se rompe.
No pênfigo vulgar, há autoanticorpos contra desmogleínas, principalmente desmogleína 3 e também desmogleína 1. Isso causa perda de adesão entre queratinócitos, chamada acantólise. A clivagem é intraepidérmica, por isso a bolha é flácida e rompe fácil.
No penfigoide bolhoso, há autoanticorpos contra proteínas da membrana basal, principalmente BP180 e BP230. A clivagem é subepidérmica, por isso a bolha é tensa.
Na dermatite herpetiforme, há depósito granular de IgA nas papilas dérmicas, associado à sensibilidade ao glúten. A lesão é muito pruriginosa e costuma estar escoriada, então a banca pode nem mostrar bolhas íntegras.
Na síndrome de Stevens-Johnson e na necrólise epidérmica tóxica, ocorre necrose de queratinócitos, geralmente desencadeada por fármacos. O que define gravidade é a porcentagem de superfície corporal descolada.
Pênfigo vulgar:
Erosões orais dolorosas, muitas vezes antes das lesões cutâneas.
Bolhas flácidas que rompem e deixam erosões.
Sinal de Nikolsky positivo.
Acomete couro cabeludo, face, tronco e mucosas.
Pode cursar com disfagia, odinofagia e perda ponderal por acometimento mucoso.
Penfigoide bolhoso:
Idoso com prurido intenso.
Placas urticariformes ou eczematosas antes das bolhas.
Bolhas tensas, serosas ou hemorrágicas.
Predomínio em tronco, abdome inferior, axilas, virilhas e faces flexoras.
Mucosa ausente ou discreta.
Dermatite herpetiforme:
Prurido muito intenso.
Vesículas agrupadas e escoriações.
Distribuição simétrica em cotovelos, joelhos, nádegas, dorso e couro cabeludo.
Associação com doença celíaca, mesmo sem sintomas gastrointestinais.
Pênfigo foliáceo:
Bolhas muito superficiais, geralmente não vistas porque rompem rápido.
Crostas e erosões em áreas seborreicas.
Mucosas poupadas.
Forma endêmica brasileira é o fogo selvagem.
Penfigoide cicatricial:
Acomete mucosas, principalmente oral e ocular.
Pode causar conjuntivite cicatricial, simbléfaro e cegueira.
Para prova, mucosa ocular com cicatrização chama atenção.
Epidermólise bolhosa adquirida:
Bolhas subepidérmicas em áreas de trauma.
Pode deixar cicatriz e milia.
Pode lembrar penfigoide, mas a pista é trauma, cicatriz e fragilidade mecânica.
Dor cutânea importante.
Febre, toxemia ou prostração.
Acometimento ocular.
Múltiplas mucosas acometidas.
Descolamento cutâneo extenso.
Uso recente de alopurinol, sulfonamidas, anticonvulsivantes, nevirapina ou anti-inflamatórios.
Sinal de Nikolsky positivo com necrose epidérmica e paciente grave.
Esses achados fazem pensar em síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica, sepse, queimadura extensa ou necessidade de internação.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.