
A questão cobra a conduta cirúrgica no melanoma cutâneo primário a partir da espessura de Breslow. Com Breslow de 3 mm, a margem recomendada é de 2 cm. Como a espessura é maior que 1 mm e não há linfonodos palpáveis, está indicada a biópsia de linfonodo sentinela para o estadiamento regional.
Melanoma com Breslow > 2 mm + linfonodos clinicamente negativos + sem metástase a distância = T3 cN0 → ampliação com margem de 2 cm + biópsia de linfonodo sentinela
O índice de breslow é a espessura do melanoma medida em milímetros na lâmina histológica. A medida vai do topo da camada granulosa da epiderme (ou da base da úlcera, se a lesão estiver ulcerada) até o ponto mais profundo de invasão tumoral. É o principal fator prognóstico do melanoma localizado e define a categoria T do estadiamento AJCC (8ª edição): T1 até 1,0 mm, T2 de 1,1 a 2,0 mm, T3 de 2,1 a 4,0 mm e T4 acima de 4,0 mm. O sufixo a ou b indica a ausência ou a presença de ulceração.
Na prática, o Breslow orienta duas decisões. A primeira é a margem cirúrgica da ampliação: 0,5 a 1 cm para melanoma in situ, 1 cm para até 1 mm, 1 a 2 cm entre 1 e 2 mm e 2 cm acima de 2 mm. A segunda é a pesquisa do linfonodo sentinela: deve ser considerada a partir de 0,8 mm ou quando há ulceração, e é recomendada acima de 1 mm em pacientes sem linfonodos palpáveis. Margens de 3 a 4 cm não melhoram a sobrevida em relação a 2 cm e aumentam a morbidade.
Armadilhas frequentes: biópsia por shave que secciona a base da lesão subestima o Breslow, e por isso a biópsia excisional é a preferida (a incisional é aceitável em lesões acrais ou faciais extensas). O nível de Clark não é mais usado no AJCC 8ª edição, e a localização acral não muda as margens, embora a anatomia possa exigir reconstrução ou, em lesões subungueais, amputação.
Margem de 1 cm é reservada para melanomas de até 1 mm. Para Breslow de 3 mm, essa margem eleva o risco de recidiva locorregional, e a alternativa ainda omite o linfonodo sentinela.
A perfusão isolada de membro é uma terapia regional para metástases em trânsito ou doença locorregional irressecável. Não tem papel no tratamento do tumor primário sem metástases.
Breslow acima de 2 mm exige margem de 2 cm, e a espessura acima de 1 mm com axila e virilha clinicamente negativas indica biópsia de linfonodo sentinela para estadiamento. É a conduta recomendada pelas diretrizes.
A pesquisa de linfonodo sentinela está correta, mas a margem de 1 cm é insuficiente para um tumor de 3 mm.
Ensaios randomizados que compararam margens de 2 e 4 cm não mostraram ganho de sobrevida com a margem maior, que só aumenta a morbidade e a necessidade de enxertos. Por isso, 4 cm não é mais recomendado.
Margem máxima no melanoma é 2 cm (acima de 2 mm de Breslow), e acima de 1 mm com linfonodos clinicamente negativos pense sempre em linfonodo sentinela. Margens de 3 a 4 cm e perfusão de membro são distratores clássicos.
Neoplasias cutâneas, para prova, significam principalmente três diagnósticos: carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma. O que separa os temas é o comportamento: carcinoma basocelular é o mais comum e raramente metastatiza; carcinoma espinocelular tem maior risco de invasão e metástase; melanoma é menos frequente, mas é o mais letal.
A banca costuma cobrar paciente com lesão de pele crônica, geralmente em área fotoexposta, e pedir o diagnóstico mais provável ou a conduta.
O padrão clássico:
Idoso, pele clara, muita exposição solar, lesão perolada com telangiectasias: pense em carcinoma basocelular.
Lesão ulcerada, crostosa, endurecida ou vegetante em área fotoexposta, cicatriz ou ferida crônica: pense em carcinoma espinocelular.
Nevo assimétrico, bordas irregulares, cores variadas, diâmetro aumentado ou evolução recente: pense em melanoma.
Lesão áspera, eritematosa, descamativa em área fotoexposta: pense em queratose actínica, que é pré-maligna para carcinoma espinocelular.
A palavra que entrega melanoma é evolução. Lesão que mudou é mais preocupante do que lesão apenas “grande”.
O principal fator de risco é radiação ultravioleta, especialmente exposição solar crônica para carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular. No melanoma, queimaduras solares intermitentes e intensas, especialmente na infância, pesam bastante.
Para prova:
Carcinoma basocelular nasce de células basais da epiderme ou anexos cutâneos, cresce localmente e quase nunca metastatiza.
Carcinoma espinocelular nasce dos queratinócitos, pode surgir sobre queratose actínica, cicatriz, úlcera crônica, queimadura antiga ou imunossupressão.
Melanoma nasce dos melanócitos e tem risco precoce de metástase, principalmente relacionado à profundidade tumoral.
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Queratose actínica é marcador de dano solar e lesão precursora de carcinoma espinocelular.
Carcinoma basocelular:
Pápula ou nódulo perolado.
Telangiectasias na superfície.
Pode ter ulceração central, formando a clássica “úlcera roedora”.
Predomina em face, nariz, região periocular e outras áreas fotoexpostas.
Crescimento lento.
Carcinoma espinocelular:
Placa ou nódulo eritematoso, endurecido, queratósico, crostoso ou ulcerado.
Pode sangrar.
Mais comum em face, orelha, lábio inferior, dorso das mãos e áreas fotoexpostas.
Pode surgir em cicatriz de queimadura, úlcera crônica ou radiodermite.
Maior risco de metástase que o basocelular.
Melanoma:
Lesão pigmentada suspeita pelo ABCDE:
A: assimetria.
B: bordas irregulares.
C: cores variadas.
D: diâmetro geralmente > 6 mm.
E: evolução, crescimento, sangramento, prurido ou mudança.
Pode ser preto, marrom, azul, avermelhado ou até amelanótico.
Em homens, é comum no dorso.
Em mulheres, é comum em membros inferiores.
Em idosos, atenção ao lentigo maligno em face.
Queratose actínica:
Mácula ou pápula eritematosa, áspera, descamativa.
Sensação de “lixa” ao toque.
Áreas fotoexpostas.
Lesão pré-maligna para carcinoma espinocelular.
Doença de Bowen:
Carcinoma espinocelular in situ.
Placa eritematosa, descamativa, bem delimitada.
Pode simular eczema ou psoríase localizada.
Ceratose seborreica:
Lesão benigna, aspecto “colado sobre a pele”.
Superfície verrucosa ou graxenta.
Muito cobrada como diferencial benigno de melanoma.
Dermatofibroma:
Nódulo firme, geralmente em membros inferiores.
Sinal da covinha: depressão central ao comprimir lateralmente.
Lesão pigmentada que mudou recentemente.
Sangramento espontâneo.
Ulceração.
Crescimento rápido.
Lesão endurecida ou infiltrada.
Lesão em imunossuprimido.
Lesão em cicatriz, queimadura antiga ou úlcera crônica.
Lesão em lábio, orelha, mucosa, região genital, palmoplantar ou subungueal.
Linfonodo regional palpável.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.