
A questão cobra o manejo inicial do pneumotórax aberto, um ferimento da parede torácica grande o bastante para que o ar entre preferencialmente pela lesão e não pela traqueia. A medida imediata, enquanto se prepara o tratamento definitivo, é um curativo estéril oclusivo fixado em apenas três lados. Esse curativo funciona como válvula: veda na inspiração e deixa o ar sair na expiração.
Ferimento aberto no tórax maior que dois terços do diâmetro da traqueia + ar entrando pela lesão = pneumotórax aberto → curativo fixado em três lados e, em seguida, drenagem torácica longe do ferimento
O gradil costal é o arcabouço ósseo e cartilaginoso do tórax, formado pelas costelas, cartilagens costais, esterno e vértebras torácicas. Ele protege pulmões, coração e grandes vasos, além de órgãos do andar superior do abdome, como baço e fígado. Por isso, um ferimento no gradil costal inferior à esquerda deve levantar suspeita de lesão toracoabdominal.
Quando um ferimento no gradil costal tem diâmetro maior que cerca de dois terços do diâmetro da traqueia, o ar passa a entrar preferencialmente pela lesão a cada inspiração, porque esse é o caminho de menor resistência. O resultado é o pneumotórax aberto, também chamado ferida torácica aspirativa ou soprante, com colapso pulmonar, hipoventilação e hipóxia. A conduta imediata é o curativo de três lados: um curativo estéril oclusivo fixado em três bordas, que se cola à pele na inspiração e se abre na expiração, deixando o ar escapar.
O tratamento definitivo é a drenagem torácica em local distante do ferimento, seguida do fechamento cirúrgico da lesão. A armadilha clássica é fechar o curativo nos quatro lados sem dreno no tórax: o ar que continua escapando do pulmão lesado fica retido e pode gerar pneumotórax hipertensivo. Outra confusão frequente é com o tórax instável, que é a fratura de dois ou mais arcos costais adjacentes em dois ou mais pontos, com respiração paradoxal.
Ocluir o ferimento nos quatro lados, sem drenagem torácica, impede a saída do ar que continua escapando do pulmão lesado. Isso pode converter o pneumotórax aberto em pneumotórax hipertensivo.
O fechamento da parede torácica é parte do tratamento definitivo, feito em ambiente cirúrgico e após a drenagem torácica. Não é a medida imediata da sala de trauma.
O curativo oclusivo fixado em três lados age como válvula unidirecional: veda o ferimento na inspiração e permite a saída de ar na expiração. É a conduta inicial preconizada pelo ATLS até a drenagem torácica.
A punção com cateter calibroso serve para descomprimir um pneumotórax hipertensivo, que é um diagnóstico clínico e não está descrito no enunciado. No pneumotórax aberto, o problema é a comunicação da pleura com o meio externo, que se trata com curativo e dreno.
Ferimento aberto no tórax com ar entrando pela lesão é pneumotórax aberto: curativo de três lados agora, dreno torácico longe da ferida depois. Fechar nos quatro lados sem dreno é o caminho para o pneumotórax hipertensivo.
Trauma torácico é causa frequente de morte evitável no politrauma, e para prova o mais importante é reconhecer rapidamente as lesões que matam na avaliação primária e tratá-las antes de confirmar com exame de imagem.
O que separa trauma torácico dos vizinhos é isto: muitas condutas são clínicas e imediatas. Se a questão descreve instabilidade respiratória ou circulatória com achado torácico típico, a resposta costuma ser intervenção, não tomografia.
A banca costuma cobrar paciente vítima de trauma fechado ou penetrante com dispneia, dor torácica, hipotensão, hipoxemia, assimetria ventilatória, turgência jugular, enfisema subcutâneo, desvio de traqueia, murmúrio vesicular abolido ou macicez à percussão.
O dado que mata a questão geralmente é:
Achado-chave | Diagnóstico provável |
|---|---|
Hipotensão, dispneia, murmúrio abolido e hipertimpanismo | Pneumotórax hipertensivo |
Ferida torácica aspirativa | Pneumotórax aberto |
Dreno com saída volumosa de sangue ou sangramento persistente, em paciente instável | Hemotórax maciço com indicação de toracotomia |
Hipotensão, turgência jugular e bulhas abafadas | Tamponamento cardíaco |
Fraturas costais múltiplas com movimento paradoxal | Tórax instável |
Hipoxemia progressiva após trauma fechado | Contusão pulmonar |
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Lesão de aorta torácica |
Para prova, pense primeiro nas lesões da avaliação primária: obstrução de via aérea, pneumotórax hipertensivo, pneumotórax aberto, hemotórax maciço, tamponamento cardíaco e tórax instável.
No trauma torácico, o problema imediato costuma ser ventilatório, circulatório ou ambos.
No pneumotórax hipertensivo, o ar entra no espaço pleural e não sai. A pressão intratorácica aumenta, colaba o pulmão, desloca o mediastino, reduz o retorno venoso e causa choque obstrutivo. Por isso o diagnóstico é clínico e a conduta é imediata.
No hemotórax maciço, o paciente sangra para a cavidade pleural. O choque é hemorrágico, e a drenagem torácica é diagnóstico e tratamento inicial.
No tamponamento cardíaco, o sangue no pericárdio impede o enchimento diastólico. A tríade de Beck é hipotensão, turgência jugular e bulhas abafadas, mas na prova basta instabilidade com trauma penetrante precordial e FAST positivo.
Na contusão pulmonar, há lesão do parênquima com edema e hemorragia alveolar. A hipoxemia pode piorar nas primeiras 24 a 48 horas.
No tórax instável, fraturas em pelo menos 2 pontos de 2 ou mais arcos costais criam segmento móvel. O problema não é só a parede torácica: a contusão pulmonar associada costuma ser o que mais causa insuficiência respiratória.
Pneumotórax hipertensivo:
dispneia intensa;
hipotensão;
taquicardia;
murmúrio vesicular abolido unilateral;
hipertimpanismo;
possível desvio de traqueia;
turgência jugular pode aparecer, mas pode faltar se houver hipovolemia associada.
Hemotórax maciço:
choque;
murmúrio vesicular reduzido;
macicez à percussão;
drenagem torácica com grande volume de sangue.
Tamponamento cardíaco:
trauma penetrante em região precordial;
hipotensão;
turgência jugular;
bulhas abafadas;
FAST com líquido pericárdico.
Pneumotórax aberto:
ferida torácica aspirativa;
ruído de sucção;
insuficiência ventilatória.
Tórax instável:
dor intensa;
crepitação;
movimento paradoxal;
hipoxemia por contusão pulmonar associada.
Contusão pulmonar:
dispneia;
hipoxemia;
infiltrado pulmonar após trauma;
piora progressiva nas primeiras horas.
Lesão traqueobrônquica:
enfisema subcutâneo importante;
pneumotórax persistente;
grande escape aéreo pelo dreno;
pulmão que não reexpande após drenagem.
Lesão de aorta torácica:
trauma de alta energia ou desaceleração;
dor torácica ou dorsal;
assimetria de pulsos pode aparecer;
radiografia com mediastino alargado;
angiotomografia confirma.
Ruptura diafragmática:
trauma toracoabdominal, mais comum à esquerda;
alças intestinais no tórax;
sonda nasogástrica projetada no hemitórax;
pode ser confundida com hemotórax ou pneumotórax.
Hipotensão em trauma torácico nunca é para observar.
Dispneia com murmúrio abolido unilateral em paciente instável é pneumotórax hipertensivo até prova em contrário.
Saída volumosa e imediata de sangue no dreno torácico pesa para toracotomia, mas o corte fixo de 1.500 mL foi relativizado: a decisão pesa o estado fisiológico (instabilidade, sangramento contínuo), não só o número.
Sangramento persistente pelo dreno maior que 200 mL/h por 2 a 4 horas também sugere toracotomia, sempre associado ao quadro clínico.
Trauma penetrante precordial com choque sugere tamponamento até prova em contrário.
Pneumotórax pequeno vira problema grande se o paciente precisar de ventilação com pressão positiva.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.