
A questão cobra a fisiopatologia da miastenia gravis: em qual lado da junção neuromuscular está o defeito. Na miastenia, autoanticorpos atacam o receptor de acetilcolina (ou proteínas associadas, como MuSK e LRP4) na membrana pós-sináptica, reduzindo a resposta à acetilcolina liberada normalmente. Por isso a resposta é a alternativa que aponta para a membrana pós-sináptica e para redução, letra A.
Fraqueza flutuante + fatigabilidade + autoanticorpos contra receptor de acetilcolina = defeito pós-sináptico da junção neuromuscular (miastenia gravis)
A junção neuromuscular é a sinapse entre o terminal do neurônio motor e a placa motora da fibra muscular esquelética. Quando o potencial de ação chega ao terminal, canais de cálcio dependentes de voltagem se abrem, o cálcio entra e promove a liberação de acetilcolina na fenda sináptica. A acetilcolina se liga ao receptor nicotínico de acetilcolina na membrana pós-sináptica, gerando o potencial de placa, e é degradada pela acetilcolinesterase.
Na miastenia gravis, doença autoimune, anticorpos contra o receptor nicotínico de acetilcolina (presentes na maioria dos casos generalizados), contra MuSK ou contra LRP4 reduzem o número de receptores funcionais, em parte por destruição mediada por complemento. A margem de segurança da transmissão cai, e a fraqueza piora com o uso repetido do músculo (fatigabilidade). Na eletroneuromiografia, a estimulação repetitiva em baixa frequência mostra resposta decremental, e a eletromiografia de fibra única mostra aumento do jitter.
A principal armadilha é confundir com a síndrome miastênica de Lambert-Eaton, em que o defeito é pré-sináptico: anticorpos contra canais de cálcio dependentes de voltagem do tipo P/Q reduzem a liberação de acetilcolina, frequentemente em associação com carcinoma de pulmão de pequenas células, e a força melhora transitoriamente após esforço breve. O botulismo também é pré-sináptico, pois a toxina impede a liberação de acetilcolina.
É a alternativa que localiza o defeito na membrana pós-sináptica, como ocorre na miastenia gravis. A rigor, o que diminui é o número de receptores funcionais de acetilcolina, não o neurotransmissor, mas o efeito final é a menor ação da acetilcolina sobre a placa motora.
Um defeito pré-sináptico, com menor liberação de acetilcolina, descreve a síndrome miastênica de Lambert-Eaton (anticorpos contra canais de cálcio) ou o botulismo, não a miastenia gravis. Na miastenia, a liberação pré-sináptica é normal.
Aumento da ação da acetilcolina no lado pós-sináptico não é a causa da doença. Aumentar a acetilcolina disponível na fenda é justamente o objetivo terapêutico dos inibidores da acetilcolinesterase, como a piridostigmina.
Não há aumento de acetilcolina no terminal pré-sináptico na miastenia gravis. O lado pré-sináptico funciona normalmente; o problema está nos receptores pós-sinápticos.
Miastenia gravis é pós-sináptica (receptor de acetilcolina, decremento na estimulação repetitiva); Lambert-Eaton e botulismo são pré-sinápticos (menor liberação de acetilcolina). Fixe essa oposição e a questão se resolve por eliminação.
Miastenia gravis é uma doença autoimune da junção neuromuscular caracterizada por fraqueza muscular flutuante, fatigável, que piora com uso repetido e melhora com repouso.
Para prova, o mais importante é reconhecer: fraqueza ocular, bulbar ou proximal, sem alteração sensitiva, sem alteração pupilar e com reflexos preservados.
O que separa miastenia gravis de outras doenças neuromusculares é a combinação:
fraqueza flutuante;
fatigabilidade;
ptose e diplopia frequentes;
piora ao longo do dia;
melhora com repouso;
ausência de déficit sensitivo.
A banca costuma cobrar uma mulher jovem com ptose palpebral, diplopia, fala anasalada, disfagia ou fraqueza proximal que piora no fim do dia.
Também pode aparecer em homem mais velho, especialmente quando associada a timoma.
A palavra que entrega o diagnóstico é fatigabilidade.
Achados clássicos:
ptose assimétrica;
diplopia variável;
fraqueza de musculatura facial;
disartria;
disfagia;
voz anasalada;
fraqueza cervical ou proximal;
reflexos preservados;
sensibilidade normal;
pupilas normais.
O exame típico de prova é anticorpo anti-receptor de acetilcolina positivo. Se a questão fala em timoma, o exame de imagem é tomografia de tórax.
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Na miastenia gravis, autoanticorpos prejudicam a transmissão neuromuscular pós-sináptica.
O alvo mais comum é o receptor de acetilcolina na placa motora. Com menos receptores funcionantes, o impulso nervoso não consegue gerar contração sustentada, principalmente durante esforço repetido. Por isso a fraqueza é fatigável.
Anticorpos importantes para prova:
anti-receptor de acetilcolina: mais comum;
anti-MuSK: pode cursar com maior acometimento bulbar e respiratório;
anti-LRP4: menos comum.
A pegadinha é lembrar que a doença é da junção neuromuscular, não do músculo e não do nervo periférico. Por isso não há perda sensitiva.
O quadro mais clássico é ocular:
ptose palpebral flutuante;
diplopia;
piora com leitura, olhar sustentado ou ao fim do dia;
melhora com repouso.
Outro padrão muito cobrado é bulbar:
disfagia;
disartria;
voz anasalada;
dificuldade para mastigar;
engasgos;
fraqueza facial.
Fraqueza de membros costuma ser proximal, principalmente cintura escapular e pélvica.
Para prova, a tríade mental é: ptose, diplopia e fatigabilidade.
Miastenia gravis pode ser apenas ocular ou generalizada.
Formas associadas:
hiperplasia tímica, mais comum em pacientes jovens;
timoma, especialmente em adultos mais velhos;
associação com outras doenças autoimunes, como tireoidopatias.
Fatores que pioram miastenia:
infecção;
cirurgia;
gestação;
estresse fisiológico;
alguns medicamentos;
redução inadequada de imunossupressor.
Medicamentos que podem piorar miastenia e aparecem em prova:
aminoglicosídeos;
fluoroquinolonas;
macrolídeos;
beta-bloqueadores;
bloqueadores de canal de cálcio;
magnésio;
quinina;
procainamida;
bloqueadores neuromusculares.
Red flags indicam risco de crise miastênica:
dispneia;
ortopneia;
disfagia importante;
engasgos recorrentes;
voz fraca;
incapacidade de contar até 20 em uma expiração;
queda de capacidade vital;
fraqueza cervical importante;
uso de musculatura acessória.
O dado que mata a questão é insuficiência respiratória em paciente com miastenia. Isso é crise miastênica até prova em contrário.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.