
A questão cobra os quatro limites do canal femoral, o compartimento medial da bainha femoral por onde sai a hérnia femoral. Anterior é o trato iliopúbico, posterior o ligamento de Cooper, medial o ligamento lacunar e lateral a veia femoral, o que leva à alternativa A.
Trato iliopúbico (anterior) + ligamento de Cooper (posterior) + ligamento lacunar (medial) + veia femoral (lateral) = limites do canal femoral → saída da hérnia femoral
O ligamento de cooper, também chamado ligamento pectíneo, é um espessamento fibroso do periósteo ao longo da linha pectínea (pécten) do ramo superior do púbis. Na anatomia da região inguinal, ele forma o assoalho posterior do canal femoral, espaço que ocupa o compartimento medial da bainha femoral e contém linfáticos, gordura e, às vezes, o linfonodo de Cloquet.
Os limites do canal femoral são: anterior, o trato iliopúbico (ou ligamento inguinal, na visão anterior); posterior, o ligamento de Cooper; medial, o ligamento lacunar (de Gimbernat); lateral, a veia femoral. A hérnia femoral passa por esse canal, abaixo do ligamento inguinal e medial à veia femoral. Como o anel é estreito e rígido, ela tem alto risco de encarceramento e estrangulamento.
Na cirurgia, o ligamento de Cooper serve de ancoragem: na técnica de McVay o arco aponeurótico do transverso é suturado a ele, o que corrige também o defeito femoral. Nas abordagens laparoscópicas (TEP e TAPP) ele é ponto de referência e de fixação da tela. Armadilha de nomenclatura: os ligamentos suspensores da mama também se chamam ligamentos de Cooper, mas são estruturas diferentes.
A veia femoral é o limite lateral do canal femoral, separada dele apenas pelo septo da bainha femoral. É por isso que a hérnia femoral aparece medial à veia.
A artéria femoral fica lateral à veia, no compartimento lateral da bainha femoral, e não toca o canal. Trocar artéria por veia é o erro clássico dessa questão.
O ligamento inguinal (ou o trato iliopúbico, na visão posterior) é o limite anterior do canal femoral, não o lateral.
A fáscia transversalis contribui para a parede anterior da bainha femoral, mas não é o limite lateral do canal. Esse papel é da veia femoral.
Pense no canal femoral como um quadrado: frente trato iliopúbico, fundo Cooper, dentro lacunar, fora veia femoral. A artéria nunca é limite do canal.
Hérnia é a protrusão de conteúdo intra-abdominal por um defeito da parede abdominal. Para prova, o mais importante é reconhecer o tipo de hérnia, diferenciar hérnia inguinal direta, inguinal indireta e femoral, e identificar sinais de encarceramento ou estrangulamento, que mudam a conduta para cirurgia de urgência.
A banca costuma cobrar paciente com abaulamento em região inguinal, umbilical, incisional ou femoral, que aumenta aos esforços e reduz ao repouso ou à manobra manual.
O padrão clássico:
Abaulamento redutível, indolor ou pouco doloroso: hérnia não complicada.
Abaulamento irredutível: hérnia encarcerada.
Abaulamento irredutível com dor intensa, sinais flogísticos, febre, vômitos, obstrução intestinal ou toxemia: hérnia estrangulada.
Homem jovem com hérnia que desce ao escroto: pensar em hérnia inguinal indireta.
Idoso com abaulamento medial aos vasos epigástricos inferiores: pensar em hérnia inguinal direta.
Mulher idosa com abaulamento abaixo do ligamento inguinal: pensar em hérnia femoral.
A palavra que entrega o diagnóstico costuma ser “abaulamento redutível aos esforços”. A palavra que muda tudo é “irredutível” associada a dor importante ou sinais sistêmicos.
A hérnia ocorre por combinação de fraqueza da parede abdominal e aumento da pressão intra-abdominal. Tosse crônica, constipação, prostatismo, ascite, obesidade, gestação, esforço físico e cirurgias prévias aumentam o risco.
Na região inguinal, a prova quer que você saiba a relação com os vasos epigástricos inferiores:
Hérnia inguinal indireta: passa lateralmente aos vasos epigástricos inferiores, pelo anel inguinal profundo. Está ligada à persistência do conduto peritoneovaginal.
Hérnia inguinal direta: passa medialmente aos vasos epigástricos inferiores, pelo triângulo de Hesselbach. É adquirida por fraqueza da parede posterior do canal inguinal.
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Hérnia femoral: passa abaixo do ligamento inguinal, pelo canal femoral. Tem maior risco de encarceramento e estrangulamento.
O dado que mata a questão é: direta é medial; indireta é lateral; femoral é abaixo do ligamento inguinal.
Abaulamento em região inguinal, escrotal, umbilical ou sobre cicatriz cirúrgica.
Aumento com esforço, tosse ou ortostatismo.
Redução espontânea ao deitar ou manual.
Dor ou desconforto local, principalmente ao esforço.
Sinal de impulso à tosse.
Na hérnia inguinal indireta, o abaulamento pode descer ao escroto. Na direta, costuma ser mais medial e raramente chega ao escroto. Na femoral, o abaulamento aparece inferior e lateral ao tubérculo púbico, abaixo do ligamento inguinal.
Hérnia incisional: surge em cicatriz de laparotomia, mais comum após infecção de ferida operatória, obesidade, desnutrição, tabagismo ou fechamento inadequado.
Hérnia umbilical em criança: geralmente fecha espontaneamente até 4 a 5 anos se pequena e assintomática.
Hérnia umbilical em adulto: associada a obesidade, gestação, ascite e cirrose. Tem maior tendência a complicar que a infantil.
Hérnia epigástrica: abaulamento na linha alba, entre apêndice xifoide e umbigo, geralmente com gordura pré-peritoneal.
Hérnia de Spiegel: defeito na linha semilunar, lateral ao músculo reto abdominal. Pode ser difícil de palpar e a tomografia ajuda.
Hérnia de Richter: encarceramento de apenas parte da circunferência da alça. Pode estrangular sem obstrução intestinal evidente.
Hérnia de Littre: hérnia contendo divertículo de Meckel.
Hérnia de Amyand: hérnia inguinal contendo apêndice vermiforme.
Hérnia irredutível.
Dor intensa ou progressiva.
Hiperemia, calor local ou pele violácea.
Febre, taquicardia, toxemia.
Náuseas, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de gases ou fezes.
Peritonite.
Lactente ou criança com irritabilidade, vômitos e massa inguinal irredutível.
Red flag em hérnia é sinônimo de pensar em estrangulamento até prova em contrário.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.