Considerando a abordagem inicial da via aérea dessa paciente, assinale a alternativa correta.

A questão cobra o passo A do ABCDE: abrir e proteger a via aérea sem mobilizar a coluna cervical em vítima de trauma de alta energia. A paciente está hipoxêmica (SatO2 87%), com consciência alterada, intoxicada e com trauma de face. A conduta inicial é tração da mandíbula com estabilização manual da coluna, associada a oxigênio em alto fluxo por máscara não reinalante com reservatório, seguida de reavaliação contínua da necessidade de via aérea definitiva.
Trauma de alta energia + rebaixamento de consciência + hálito etílico + SatO2 87% + epistaxe e trauma de face = via aérea em risco com coluna cervical não liberável → tração da mandíbula + O2 por máscara não reinalante + estabilização manual da coluna
A expressão manobra de taxe não aparece como nome padronizado nos livros-texto de trauma. No atendimento inicial ao politraumatizado, as manobras manuais de abertura da via aérea descritas pelo ATLS são a tração da mandíbula (jaw-thrust) e a elevação do queixo (chin-lift). Na tração da mandíbula, o socorrista se posiciona atrás da cabeça do paciente, apoia os dedos nos ângulos da mandíbula e a projeta para frente. Isso desloca a língua e libera a orofaringe com mínima movimentação cervical.
Como todo trauma de alta energia deve ser tratado como possível lesão da coluna cervical, a tração da mandíbula é a manobra preferida, sempre com estabilização manual da coluna. A elevação do queixo também é aceitável, desde que não haja hiperextensão do pescoço. Em ambas, a frente do colar pode ser aberta temporariamente, mantendo a estabilização manual. A abertura da via aérea vem acompanhada de oxigênio em alto fluxo por máscara não reinalante com reservatório.
Armadilhas frequentes: retirar o colar com base apenas no exame físico em paciente confuso ou intoxicado, em quem os critérios clínicos de liberação não valem; usar cânula nasofaríngea quando há suspeita de fratura de base de crânio ou de face; e atrasar a via aérea para fazer exames de imagem. Se as medidas iniciais não corrigirem a hipoxemia, ou se houver sangramento persistente na via aérea ou queda da consciência, a conduta é a via aérea definitiva.
A tração da mandíbula abre a via aérea com mínima movimentação cervical. A máscara não reinalante com reservatório oferece alta fração inspirada de oxigênio. É a combinação adequada para o primeiro momento, com reavaliação contínua.
A paciente está sonolenta, desorientada e alcoolizada, o que impede a liberação clínica da coluna pelos critérios NEXUS ou pela Canadian C-Spine Rule. O colar não deve ser retirado. Se ele atrapalhar o acesso à via aérea, abre-se a parte anterior e mantém-se a estabilização manual.
A cânula nasofaríngea serve para manter a via aérea pérvia, não para ofertar oxigênio. Ela deve ser evitada com epistaxe ativa e trauma de face pelo risco de fratura de base de crânio. Além disso, a alteração neurológica pode ter outras causas, como trauma cranioencefálico e álcool.
A elevação do queixo é descrita no ATLS, mas tem maior risco de mobilizar a coluna cervical e não é a preferida nesse cenário. A alternativa também não inclui a oferta de oxigênio a uma paciente com SatO2 de 87%.
No ABCDE, a via aérea é a primeira prioridade e não espera exames de imagem. Hipoxemia exige intervenção imediata. Se for necessária intubação, ela é feita com estabilização manual da coluna, e a avaliação neurológica básica deve ser registrada antes da sedação.
Trauma de alta energia: abra a via aérea preferencialmente com tração da mandíbula (jaw-thrust), com estabilização manual da coluna, e ofereça O2 por máscara não reinalante. Colar só sai com critérios clínicos válidos, que não se aplicam a paciente confuso ou intoxicado.
Atendimento inicial ao politraumatizado é a abordagem sistematizada do doente traumatizado grave para identificar e tratar primeiro as lesões que matam mais rápido. Para prova, o mais importante é pensar em xABCDE (o x de hemorragia externa exsanguinante vem antes do A), sempre com reavaliação contínua e tratamento simultâneo ao diagnóstico.
O que separa este tema dos vizinhos é que aqui não se busca o diagnóstico definitivo de todas as lesões. Busca-se estabilizar via aérea, ventilação, circulação, estado neurológico e exposição, evitando morte precoce por hipóxia, choque hemorrágico, pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco e lesões neurológicas secundárias.
A banca costuma colocar vítima de acidente automobilístico, queda de altura, ferimento por arma branca, ferimento por arma de fogo ou atropelamento. O enunciado vem com instabilidade, rebaixamento do nível de consciência, dor torácica, dispneia, hipotensão, taquicardia, sangramento externo ou alteração pupilar.
A palavra que entrega o tema é prioridade. Se a questão pergunta “qual a próxima conduta?”, quase sempre a resposta segue a ordem do xABCDE, e não o exame mais sofisticado.
Padrões clássicos:
Rebaixamento do nível de consciência com risco de broncoaspiração: proteger via aérea com controle da coluna cervical.
Hipotensão após trauma: pensar em hemorragia até prova em contrário.
Dispneia, hipotensão, desvio de traqueia e murmúrio vesicular abolido: pneumotórax hipertensivo, tratar antes do raio-X.
Trauma torácico com turgência jugular, hipotensão e bulhas abafadas: tamponamento cardíaco.
Pelve instável e choque: estabilização pélvica precoce.
Hemorragia externa exsanguinante: compressão direta, torniquete ou curativo hemostático antes de qualquer outra etapa (x do xABCDE).
Glasgow ≤ 8 pesa a favor de via aérea definitiva, mas não é mais regra automática: a decisão é clínica e dinâmica, olhando tendência e componentes do Glasgow, não só o escore total.
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No trauma, a morte precoce geralmente vem de três mecanismos: hipóxia, hemorragia e lesão neurológica secundária.
A sequência xABCDE existe porque:
x: hemorragia externa exsanguinante mata em minutos, antes mesmo de comprometer a via aérea. Por isso vem antes do A.
A: sem via aérea pérvia, o paciente morre por hipóxia rapidamente.
B: via aérea aberta não garante ventilação adequada.
C: choque no trauma é hemorrágico até prova em contrário.
D: hipóxia e hipotensão pioram lesão cerebral traumática.
E: é preciso expor para encontrar lesões, mas evitar hipotermia.
A tríade letal do trauma é hipotermia, acidose e coagulopatia. Para prova, esse conceito aparece em choque hemorrágico grave, necessidade de controle rápido de sangramento e ressuscitação hemostática.
Taquicardia e hipotensão após trauma sugerem choque hemorrágico.
Alteração de consciência sugere hipóxia, choque, trauma cranioencefálico, intoxicação ou hipoglicemia.
Dispneia aguda no trauma torácico exige procurar lesões imediatamente fatais.
Glasgow ≤ 8 pesa para via aérea definitiva, mas a indicação é julgamento clínico dinâmico, não automatismo.
Pele fria, pegajosa, enchimento capilar lento e pulso fino sugerem hipoperfusão.
Sangramento externo importante deve ser comprimido imediatamente.
Trauma abdominal fechado com instabilidade: não perder tempo com tomografia.
FAST positivo em paciente instável: sugere hemoperitônio e indica laparotomia, conforme contexto.
FAST negativo em paciente instável: procurar outras fontes de choque, como tórax, pelve, ossos longos e sangramento externo.
Idoso, gestante, criança e paciente em uso de beta-bloqueador podem mascarar taquicardia.
Idoso politraumatizado: avaliar índice de fragilidade, polifarmácia e uso de anticoagulante, além de rastrear sinais de violência contra o idoso.
Trauma raquimedular pode cursar com choque neurogênico: hipotensão com bradicardia e pele quente.
Gestante em parada cardíaca com fundo uterino na altura da cicatriz umbilical ou acima: histerotomia ressuscitativa imediata, priorizando a mãe (substitui a antiga regra dos 4 minutos).
Obstrução de via aérea, estridor, queimadura de face, rouquidão ou fuligem em orofaringe.
Saturação baixa apesar de oxigênio.
Hipotensão persistente.
Rebaixamento progressivo do nível de consciência.
Anisocoria ou sinais de herniação.
Instabilidade pélvica.
Ferida torácica aspirativa.
Ausência unilateral de murmúrio vesicular com instabilidade.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.