
A questão cobra apenas a nomenclatura clássica da toxicologia ocupacional. Saturnismo é o nome da intoxicação por chumbo, herança dos alquimistas, que associavam esse metal ao planeta Saturno. Basta reconhecer o epônimo para marcar a alternativa D.
Exposição ocupacional ao chumbo + anemia, cólica abdominal e neuropatia motora = saturnismo → afastar da exposição e dosar chumbo no sangue
Saturnismo, também chamado de plumbismo, é a intoxicação por chumbo, um metal pesado que se acumula no organismo, principalmente nos ossos. A exposição ocupacional clássica ocorre na fabricação e reciclagem de baterias, fundições, mineração, soldas e manipulação de tintas antigas, com absorção sobretudo por via respiratória.
O chumbo inibe enzimas da síntese do heme (ácido delta-aminolevulínico desidratase e ferroquelatase), o que explica a anemia com pontilhado basófilo nas hemácias. Outros achados típicos são a cólica saturnina, a linha de Burton na gengiva, a neuropatia periférica predominantemente motora (punho caído), a nefropatia, a hipertensão e a gota saturnina. O diagnóstico de exposição se faz pela dosagem de chumbo no sangue (plumbemia), e marcadores de efeito como a zinco-protoporfirina e o ácido delta-aminolevulínico urinário ajudam no seguimento.
A conduta central é afastar o trabalhador da fonte de exposição. A quelação (por exemplo, EDTA cálcico dissódico ou succímero) fica reservada aos casos sintomáticos ou com níveis elevados. A armadilha de prova é confundir os epônimos: saturnismo é chumbo, hidrargirismo é mercúrio e manganismo é manganês.
A intoxicação por manganês recebe o nome de manganismo, típica de mineração e soldagem. Manifesta-se com quadro psiquiátrico inicial e, depois, síndrome parkinsoniana.
A intoxicação por mercúrio é chamada de hidrargirismo ou mercurialismo. Cursa com tremor, gengivite, alterações de comportamento (eretismo) e lesão renal.
O estireno é um solvente aromático usado na produção de plásticos e fibra de vidro. Causa efeitos irritativos e neurotóxicos, mas sua intoxicação não recebe o nome de saturnismo.
Saturnismo é o nome clássico da intoxicação por chumbo, metal que os alquimistas associavam a Saturno. É uma das intoxicações ocupacionais mais cobradas em prova.
Grave os epônimos dos metais: saturnismo (chumbo), hidrargirismo (mercúrio), manganismo (manganês). Anemia com pontilhado basófilo, cólica e punho caído em trabalhador de baterias apontam para chumbo.
Saúde do trabalhador é o campo que reconhece, previne, investiga e conduz agravos relacionados ao trabalho, separando doença comum, doença agravada pelo trabalho, doença profissional e acidente de trabalho.
Para prova, o mais importante é identificar o nexo causal: exposição ocupacional compatível, temporalidade, plausibilidade clínica, melhora ao afastar, piora ao reexpor e exclusão de causas mais prováveis.
A banca costuma cobrar um trabalhador com sintoma típico após exposição ocupacional clássica.
Perfis comuns:
Trabalhador de indústria com perda auditiva bilateral progressiva após ruído.
Trabalhador rural com síndrome colinérgica após agrotóxico.
Trabalhador da construção civil ou mineração com dispneia crônica e pneumoconiose.
Digitador, costureira ou trabalhador repetitivo com dor musculoesquelética relacionada à tarefa.
Profissional de saúde com acidente perfurocortante.
Trabalhador com sofrimento mental ligado a assédio, sobrecarga ou organização do trabalho.
A palavra que entrega o diagnóstico geralmente é exposição: ruído, sílica, asbesto, chumbo, benzeno, agrotóxico, esforço repetitivo, jornada excessiva, acidente perfurocortante.
O raciocínio é clínico-epidemiológico. A doença não é definida só pelo diagnóstico, mas pela relação entre diagnóstico e trabalho.
Regra prática:
Agente físico: ruído, calor, radiação, vibração.
Agente químico: chumbo, benzeno, solventes, agrotóxicos, sílica, asbesto.
Agente biológico: vírus, bactérias, material perfurocortante.
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Agente psicossocial: assédio, metas abusivas, violência, estresse ocupacional.
O dado que mata a questão é a compatibilidade entre exposição e doença.
Exemplos clássicos:
Ruído crônico lesa células ciliadas e causa perda auditiva neurossensorial.
Sílica causa fibrose pulmonar nodular, principalmente em lobos superiores.
Asbesto causa placas pleurais, asbestose e mesotelioma.
Chumbo causa anemia, dor abdominal, neuropatia e alterações neuropsiquiátricas.
Organofosforado inibe acetilcolinesterase e causa excesso colinérgico.
Acidente de trabalho típico: evento súbito no exercício do trabalho, com lesão corporal ou perturbação funcional.
Doença profissional: produzida por atividade específica, com nexo presumido pela exposição típica.
Doença do trabalho: adquirida ou desencadeada pelas condições especiais em que o trabalho é realizado.
PAIR: perda auditiva induzida por ruído, neurossensorial, bilateral, irreversível e geralmente mais evidente em 3.000 a 6.000 Hz.
LER/DORT: dor, parestesia, fadiga, perda de força ou limitação funcional associada a repetição, força, postura ou organização do trabalho.
Intoxicação por organofosforado: miose, sialorreia, broncorreia, broncoespasmo, vômitos, diarreia, sudorese, bradicardia e fasciculações.
Pneumoconiose: dispneia crônica, tosse, história de poeira mineral e imagem compatível.
Transtorno mental relacionado ao trabalho: depressão, ansiedade, burnout, transtorno de estresse pós-traumático ou abuso de substâncias ligados à organização do trabalho.
Dermatose ocupacional: dermatite de contato irritativa ou alérgica, geralmente em mãos.
Exposição ocupacional a material biológico: acidente perfurocortante, sangue ou secreção potencialmente contaminante.
Intoxicação por chumbo: cólica abdominal, anemia, neuropatia periférica, linha gengival azulada e alteração cognitiva.
Exposição a benzeno: risco hematológico, especialmente citopenias e neoplasias hematológicas.
Dispneia progressiva em exposto à sílica ou asbesto.
Hemoptise, perda ponderal ou febre em pneumoconiose, pensar também em tuberculose.
Rebaixamento de consciência, broncorreia intensa ou insuficiência respiratória em agrotóxico.
Ideação suicida em sofrimento mental relacionado ao trabalho.
Acidente perfurocortante com fonte HIV positiva ou desconhecida.
Sinais de compressão neurológica em quadro musculoesquelético, como déficit motor progressivo.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.