
A questão cobra o reconhecimento clínico da luxação do quadril (displasia do desenvolvimento do quadril) diagnosticada tardiamente, em criança que já deambula. A limitação da abdução do quadril fletido e o sinal de Galeazzi positivo apontam para o quadril. O Trendelenburg, a lordose e a escoliose são consequências mecânicas da cabeça femoral fora do acetábulo, o que leva à alternativa D.
Criança que já anda + limitação da abdução do quadril fletido + Galeazzi positivo + Trendelenburg positivo + alteração postural = luxação do quadril (DDQ diagnosticada tardiamente) → radiografia da bacia e encaminhamento ao ortopedista pediátrico
O sinal de galeazzi é pesquisado com a criança em decúbito dorsal, quadris e joelhos fletidos e pés apoiados lado a lado na maca. O examinador compara a altura dos joelhos. O sinal é positivo quando um joelho fica mais baixo, o que indica encurtamento aparente do fêmur desse lado, como ocorre na luxação unilateral do quadril, em que a cabeça femoral se desloca para cima e para trás.
Na displasia do desenvolvimento do quadril, as manobras de Ortolani e Barlow são úteis nos primeiros meses de vida e perdem sensibilidade a partir de cerca de 3 meses, quando surgem contraturas. A partir daí, os achados mais confiáveis são a limitação da abdução do quadril fletido, a assimetria de pregas e o sinal de Galeazzi. Na criança que já anda, aparecem a marcha claudicante, o sinal de Trendelenburg (insuficiência dos abdutores) e, na forma bilateral, a hiperlordose lombar com marcha anserina.
A principal armadilha é o falso negativo: na luxação bilateral os dois joelhos ficam na mesma altura e o Galeazzi pode ser negativo. O sinal também não é exclusivo da DDQ, pois qualquer causa de encurtamento do fêmur ou da perna o torna positivo. A confirmação diagnóstica é feita por ultrassonografia nos primeiros meses e por radiografia da bacia após cerca de 4 a 6 meses, quando o núcleo de ossificação da cabeça femoral aparece.
Os defeitos de fechamento do tubo neural, como a mielomeningocele, cursam com déficit motor e sensitivo, bexiga neurogênica e alterações visíveis na coluna. Podem até causar luxação paralítica do quadril, mas o enunciado não descreve nenhum achado neurológico, e os sinais apresentados são mecânicos e localizados no quadril.
A miopatia inflamatória causa fraqueza muscular proximal e simétrica, geralmente com elevação de enzimas musculares e, na dermatomiosite juvenil, lesões de pele. Ela não produz encurtamento aparente do membro (Galeazzi) nem limitação passiva da abdução.
Doenças osteometabólicas, como o raquitismo, causam deformidades ósseas (geno varo ou valgo, alargamento metafisário, rosário raquítico). Não explicam a combinação de Galeazzi positivo com limitação da abdução do quadril fletido.
A cabeça femoral luxada encurta o membro (Galeazzi), contrai os adutores (limitação da abdução) e torna os abdutores insuficientes (Trendelenburg). A obliquidade pélvica e a alteração do equilíbrio sagital explicam a escoliose e a lordose acentuada.
Depois dos 3 meses, não procure Ortolani: pense em DDQ diante de limitação da abdução do quadril fletido e Galeazzi positivo. Na criança que já anda, some claudicação e Trendelenburg. Lembre que o Galeazzi pode ser negativo na luxação bilateral.
Displasia do desenvolvimento do quadril é o espectro de instabilidade, subluxação, luxação ou má formação acetabular do quadril infantil. Para prova, o mais importante é reconhecer o recém-nascido de risco, saber qual exame físico sugere instabilidade e escolher o exame de imagem certo conforme a idade.
A banca costuma cobrar lactente, geralmente menina, com fator de risco clássico: apresentação pélvica, história familiar, oligodrâmnio, primigesta, gemelaridade ou deformidades associadas por restrição intrauterina.
O quadro típico muda com a idade:
Recém-nascido: Ortolani ou Barlow positivo.
Lactente maior: limitação da abdução do quadril.
Criança que já anda: claudicação, marcha anserina, sinal de Trendelenburg.
A palavra que entrega o diagnóstico em prova é “clique” ou “ressalto” no exame do quadril do recém-nascido, mas a pegadinha é que clique benigno de partes moles não é igual a Ortolani positivo.
O problema central é uma relação anormal entre cabeça femoral e acetábulo. Se a cabeça femoral não fica bem posicionada no acetábulo, o acetábulo não se desenvolve adequadamente. Quanto mais tempo o quadril fica luxado ou subluxado, maior a chance de deformidade acetabular, encurtamento, marcha alterada e artrose precoce.
Regra de prova: quanto mais cedo diagnosticar, maior a chance de tratamento simples com órtese e menor a necessidade de cirurgia.
Sexo feminino.
Apresentação pélvica, principalmente no terceiro trimestre.
História familiar de displasia do desenvolvimento do quadril.
Ortolani positivo: redução de quadril luxado, com ressalto palpável.
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Barlow positivo: luxação provocada de quadril instável.
Limitação da abdução do quadril em lactente maior.
Assimetria de pregas glúteas ou de coxas, menos específica.
Sinal de Galeazzi: joelhos em alturas diferentes com quadris e joelhos fletidos, sugerindo encurtamento femoral aparente.
Associação com torcicolo congênito e pé torto congênito.
Diagnóstico tardio com claudicação.
Hiperlordose lombar e marcha anserina em luxação bilateral.
Trendelenburg positivo quando a criança já deambula.
Ortolani positivo em recém-nascido.
Limitação importante da abdução do quadril.
Assimetria de membros inferiores.
Criança com atraso diagnóstico após início da marcha.
Fator de risco forte, especialmente apresentação pélvica, mesmo com exame físico normal.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.