
O caso é o de uma colecistite aguda típica (dor pós-prandial de longa data que agora persiste por 18 horas, febre e Murphy positivo), mas a pergunta é só a definição do sinal. Das cinco manobras, apenas uma traz a inspiração interrompida, que é o que caracteriza o Murphy.
Palpação do ponto cístico + inspiração profunda interrompida por dor = sinal de Murphy → colecistite aguda.
Com os dedos no ponto cístico (encontro do rebordo costal direito com a borda lateral do músculo reto abdominal), o examinador pede uma inspiração profunda. O diafragma empurra a vesícula inflamada contra a mão e a dor faz o paciente parar de inspirar no meio do movimento.
Pelos critérios de Tóquio 2018, o sinal de Murphy entra como sinal local de inflamação: somado a um sinal sistêmico (febre, PCR elevada ou leucocitose) configura suspeita de colecistite aguda, e a imagem confirma. Isolado, ele não fecha nem afasta o diagnóstico (razão de verossimilhança positiva de 2,8 na revisão do JAMA de 2003) e pode faltar em idosos. Na ultrassonografia, o equivalente é o Murphy ultrassonográfico: dor quando o transdutor comprime a vesícula.
É a definição do sinal: o que caracteriza o Murphy é a parada da inspiração durante a palpação do ponto cístico, não a dor isolada.
Dor à palpação do hipocôndrio direito é achado inespecífico (cólica biliar, hepatite, abscesso hepático, pneumonia de base direita). Os critérios de Tóquio listam essa dor como item separado do sinal de Murphy.
O Murphy é pesquisado com palpação e inspiração, não com percussão. Dor à percussão sobre a área hepática lembra outro epônimo que cai em prova, o sinal de Torres-Homem, associado ao abscesso hepático.
Descreve a região do ponto de McBurney, na fossa ilíaca direita, pesquisado na suspeita de apendicite aguda.
Aponta um lugar próximo da vesícula, mas descreve só dor à palpação profunda. Falta a manobra respiratória, que é o que transforma dor local em sinal de Murphy.
Murphy é a parada da inspiração durante a palpação do ponto cístico. Dor no hipocôndrio direito é achado; o sinal é o fôlego que para. Se o caso trouxer febre e icterícia junto da dor, a banca mudou de doença: pense em colangite (tríade de Charcot).
Colecistite aguda é inflamação da vesícula biliar, geralmente por obstrução do ducto cístico por cálculo, com dor persistente em hipocôndrio direito, febre, leucocitose e sinal de Murphy.
Para prova, o ponto-chave é diferenciar cólica biliar de colecistite: na cólica biliar a dor é transitória e sem inflamação sistêmica; na colecistite a dor dura mais de 6 horas e vem com febre, leucocitose ou sinais inflamatórios.
A banca costuma cobrar um adulto, frequentemente mulher, obeso, multípara ou com história de colelitíase, que apresenta:
Dor em hipocôndrio direito ou epigástrio, geralmente após refeição gordurosa.
Dor persistente por mais de 6 horas.
Náuseas e vômitos.
Febre baixa ou moderada.
Sinal de Murphy positivo.
Leucocitose e PCR elevada.
Ultrassonografia com cálculo, espessamento da parede vesicular e líquido pericolecístico.
A palavra que entrega o diagnóstico é “Murphy positivo” associado a dor persistente e sinais inflamatórios.
Na maioria dos casos, um cálculo impacta o ducto cístico. A bile fica retida, a vesícula distende e a parede sofre inflamação. Com o tempo, podem ocorrer isquemia, necrose, perfuração, abscesso ou empiema.
Regra de prova: o problema inicial é obstrução do ducto cístico, não do colédoco. Por isso, bilirrubina e fosfatase alcalina podem estar normais ou discretamente alteradas. Icterícia importante deve acender alerta para coledocolitíase ou colangite, não para colecistite simples.
Dor em hipocôndrio direito ou epigástrio.
Dor contínua, geralmente maior que 6 horas.
Irradiação para dorso ou escápula direita.
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Náuseas e vômitos.
Febre.
Sinal de Murphy positivo.
Leucocitose.
PCR elevada.
O dado que mata a questão é dor biliar persistente com sinal de Murphy e inflamação sistêmica.
Defesa localizada em hipocôndrio direito.
Vesícula palpável dolorosa.
Elevação discreta de bilirrubinas, transaminases, fosfatase alcalina ou gama-GT.
Colecistite alitiásica em paciente grave, queimado, politraumatizado, em jejum prolongado, sepse ou nutrição parenteral.
Colecistite enfisematosa em diabéticos, idosos e homens, com gás na parede vesicular.
Icterícia, febre alta e dor em hipocôndrio direito: pensar em colangite.
Hipotensão, confusão mental ou sepse: gravidade e necessidade de abordagem urgente.
Dor intensa com toxemia importante: pensar em gangrena, perfuração ou colecistite enfisematosa.
Massa dolorosa em hipocôndrio direito: pode sugerir plastrão, abscesso ou empiema.
Pneumobilia ou obstrução intestinal em idoso: pensar em íleo biliar.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.