
A questão cobra o reconhecimento clínico da escarlatina a partir de seus sinais clássicos. Amigdalite purulenta com exantema áspero em lixa, sinal de Pastia, palidez perioral (sinal de Filatov), língua em framboesa e descamação laminar de mãos e pés formam o quadro típico da infecção por Streptococcus pyogenes produtor de toxina pirogênica. Nenhum outro diagnóstico listado reúne todos esses achados.
Amigdalite purulenta + exantema em lixa + sinal de Pastia + palidez perioral + língua em framboesa + descamação de mãos e pés = escarlatina → confirmar estreptococo e tratar com penicilina ou amoxicilina
O sinal de Pastia é o surgimento de linhas transversais eritematosas ou petequiais nas dobras de flexão, principalmente nas fossas antecubitais, axilas e região inguinal. Diferente do restante do exantema, essas linhas não desaparecem à digitopressão. É um dos achados mais cobrados da escarlatina, doença causada por cepas de Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A) produtoras de exotoxinas pirogênicas.
O quadro da escarlatina inclui febre, faringoamigdalite exsudativa e um exantema micropapular difuso, áspero ao toque (em lixa), que começa no tronco e poupa a região perioral, gerando a palidez perioral (sinal de Filatov). A língua passa de saburrosa com papilas salientes (língua em morango branco) para vermelha brilhante (língua em framboesa). A descamação começa perto do fim da primeira semana: é fina no tronco e laminar em palmas e plantas.
A armadilha é a doença de Kawasaki, que também tem língua em framboesa e descamação de extremidades, porém sem exsudato amigdaliano, com febre prolongada, conjuntivite bilateral não exsudativa e alterações de lábios e extremidades. O diagnóstico de escarlatina é confirmado por teste rápido ou cultura de orofaringe. O tratamento com penicilina ou amoxicilina previne complicações como a febre reumática.
A mononucleose causa faringite exsudativa, linfonodomegalia e esplenomegalia, e o exantema, quando ocorre (frequentemente após amoxicilina), é maculopapular. Não cursa com exantema em lixa, sinal de Pastia nem descamação laminar de mãos e pés.
A síndrome mão-pé-boca, causada por enterovírus, produz vesículas e úlceras na mucosa oral e lesões vesiculares em palmas e plantas. Não há amigdalite purulenta nem exantema áspero em lixa.
A doença de Kawasaki tem língua em framboesa e descamação periungueal, mas não causa amigdalite purulenta. Exige febre prolongada associada a conjuntivite não exsudativa, alterações labiais, edema de extremidades e linfonodomegalia cervical.
A escarlatina reúne todos os achados descritos: amigdalite purulenta, exantema em lixa, sinal de Pastia, palidez perioral, língua em framboesa e descamação tardia de mãos e pés.
Língua em framboesa com descamação aparece na escarlatina e no Kawasaki. Se houver amigdalite purulenta, exantema em lixa e sinal de Pastia, pense em escarlatina.
Doenças exantemáticas são quadros febris, geralmente infecciosos, em que o padrão do exantema, a sequência febre-lesão, a distribuição corporal, a presença de enantema e o estado geral da criança costumam matar a questão.
Para prova, o mais importante é reconhecer os padrões clássicos: sarampo com febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik; varicela com lesões em vários estágios; escarlatina com faringite e rash em lixa; exantema súbito com febre alta que some antes do rash; eritema infeccioso com face esbofeteada; rubéola com linfonodos retroauriculares; mão-pé-boca com vesículas em mãos, pés e boca.
A banca costuma cobrar criança com febre e manchas na pele. O dado que diferencia não é só a cor do exantema, mas o contexto.
Sarampo aparece como febre alta, tosse, coriza, conjuntivite, prostração e exantema morbiliforme craniocaudal, com manchas de Koplik antes do rash. A palavra que entrega é Koplik.
Varicela aparece com febre baixa ou moderada, prurido e lesões em diferentes fases ao mesmo tempo: mácula, pápula, vesícula e crosta. A palavra que entrega é polimorfismo.
Escarlatina aparece com febre, odinofagia, faringoamigdalite, língua em framboesa, exantema áspero em lixa e descamação tardia. A palavra que entrega é lixa.
Exantema súbito aparece em lactente com febre alta por 3 a 5 dias, bom estado geral relativo, queda abrupta da febre e surgimento do exantema. A palavra que entrega é defervescência.
Eritema infeccioso aparece com criança pouco toxemiada, bochechas muito vermelhas e exantema rendilhado em tronco e membros. A palavra que entrega é face esbofeteada.
Rubéola aparece com febre baixa, exantema leve, linfonodomegalia retroauricular, occipital ou cervical posterior. A palavra que entrega é retroauricular.
Doença mão-pé-boca aparece com febre, lesões orais dolorosas e vesículas em palmas, plantas e nádegas. A palavra que entrega é mão-pé-boca.
A maioria dos exantemas virais ocorre por viremia, resposta imune cutânea ou lesão direta em pele e mucosas. Por isso, febre, sintomas respiratórios ou gastrointestinais costumam preceder o rash.
Na escarlatina, o problema não é vírus: é Streptococcus pyogenes produtor de toxina eritrogênica. Por isso há faringite bacteriana, rash em lixa e necessidade de antibiótico para prevenir febre reumática.
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Na varicela, o vírus varicela-zóster causa vesículas disseminadas e fica latente em gânglios sensitivos. O polimorfismo das lesões é a pista clássica.
No sarampo, a imunossupressão transitória aumenta risco de pneumonia, otite, diarreia e encefalite. Por isso é doença de notificação, isolamento e vacinação de bloqueio.
No parvovírus B19, há tropismo por precursores eritroides. A pegadinha é crise aplásica em doença falciforme e risco fetal na gestação.
Sarampo: febre alta, tosse, coriza, conjuntivite, fotofobia, manchas de Koplik e exantema maculopapular que começa na face e desce para tronco e membros. A criança costuma estar toxemiada.
Varicela: febre, prurido e lesões centrípetas, mais em tronco e face, com vesículas em gota de orvalho sobre base eritematosa. O mais importante é haver lesões em fases diferentes.
Escarlatina: febre, dor de garganta, exsudato ou hiperemia faríngea, petéquias em palato, língua saburrosa que evolui para língua em framboesa, linhas de Pastia e descamação lamelar.
Exantema súbito: lactente de 6 meses a 2 anos, febre alta, às vezes convulsão febril, seguido de exantema róseo no tronco após a febre desaparecer.
Eritema infeccioso: criança escolar, febre baixa ou ausente, face esbofeteada e rash rendilhado. Pode piorar com sol, calor ou exercício.
Rubéola: quadro leve, febre baixa, exantema craniocaudal rápido, linfonodos retroauriculares, occipitais e cervicais posteriores. Em gestante, o foco é síndrome da rubéola congênita.
Doença mão-pé-boca: enterovírus, principalmente Coxsackie. Lesões vesiculares em boca, mãos e pés, com odinofagia e recusa alimentar.
Eritema multiforme: lesões em alvo, geralmente pós-infecção por herpes simples ou Mycoplasma pneumoniae. Não confunda com exantema viral simples.
Dengue: febre alta, mialgia, cefaleia, dor retro-orbitária, exantema, prova do laço positiva, leucopenia e plaquetopenia. O dado que muda conduta é sinal de alarme.
Doença de Kawasaki: febre por pelo menos 5 dias mais conjuntivite bilateral não purulenta, alterações orais, exantema, alterações de extremidades e linfonodo cervical. A preocupação é aneurisma coronariano.
Febre com petéquias ou púrpura, toxemia, hipotensão ou rebaixamento: pense em meningococcemia até prova em contrário.
Exantema com descamação extensa, dor cutânea, bolhas ou acometimento de mucosa: pensar em Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica ou síndrome da pele escaldada estafilocócica.
Febre persistente por 5 dias ou mais com conjuntivite, mucosite e extremidades alteradas: pensar em Kawasaki.
Febre, choque, sintomas gastrointestinais, conjuntivite e inflamação sistêmica após COVID-19: pensar em MIS-C.
Varicela em imunossuprimido, recém-nascido, gestante ou pneumonia: risco de gravidade e indicação de aciclovir.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.