
A questão cobra a associação entre os sinais semiológicos de tetania latente e o distúrbio eletrolítico que os provoca. Após tireoidectomia total, a lesão, a desvascularização ou a retirada inadvertida das paratireoides causa hipoparatireoidismo e hipocalcemia, que se manifesta pelos sinais de Chvostek e Trousseau.
Tireoidectomia total + sinais de Chvostek e Trousseau = hipocalcemia por hipoparatireoidismo pós-operatório → dosar cálcio (iônico ou corrigido pela albumina) e repor cálcio
O sinal de Trousseau é o espasmo carpal provocado pela insuflação do manguito do esfigmomanômetro acima da pressão sistólica por cerca de 3 minutos. A mão assume a posição de mão de parteiro: flexão do punho e das articulações metacarpofalângicas, extensão das interfalângicas e adução do polegar. A isquemia local aumenta a excitabilidade dos nervos, já sensibilizados pela hipocalcemia, e revela uma tetania latente.
O sinal de Chvostek é a contração da musculatura facial ipsilateral à percussão do nervo facial, anteriormente ao trágus. Ele é menos específico, porque pode ser positivo em parte das pessoas normocalcêmicas. O sinal de Trousseau é considerado mais específico para hipocalcemia. A causa mais cobrada em prova é o hipoparatireoidismo pós-tireoidectomia total, que costuma aparecer nas primeiras 24 a 72 horas, com parestesias periorais e de extremidades.
Armadilhas frequentes: hipomagnesemia e alcalose (por exemplo, hiperventilação) também podem positivar esses sinais. Além disso, a hipomagnesemia grave causa hipocalcemia, porque prejudica a secreção e a ação do PTH, e por isso deve ser corrigida nos casos refratários. Não confunda com o outro sinal de Trousseau, a tromboflebite migratória associada a neoplasias, especialmente de pâncreas.
A hipercalcemia reduz a excitabilidade neuromuscular e causa fraqueza, hiporreflexia, constipação, poliúria e encurtamento do QT. É o oposto da tetania.
A queda do cálcio extracelular reduz o limiar de ativação dos canais de sódio neuronais e gera hiperexcitabilidade neuromuscular, que se expressa como tetania e sinais de Chvostek e Trousseau. O contexto de tireoidectomia total aponta para hipoparatireoidismo.
A hipocalemia hiperpolariza a membrana e causa fraqueza muscular, íleo paralítico, câimbras e arritmias. Não produz os sinais clássicos de tetania latente.
A hipomagnesemia pode causar tetania e sinais positivos, geralmente associada a hipocalcemia secundária. Porém a causa esperada após tireoidectomia total é a hipocalcemia por hipoparatireoidismo.
Chvostek e Trousseau significam hipocalcemia até prova contrária, e no pós-operatório de tireoidectomia pense em hipoparatireoidismo. Se a hipocalcemia não responder à reposição, dose e corrija o magnésio.
Hipo e hiperparatireoidismo são distúrbios do PTH que a prova cobra pelo padrão laboratorial de cálcio, fósforo e PTH.
Para prova, o mais importante é separar:
Hipoparatireoidismo: PTH baixo ou inadequadamente normal, hipocalcemia e hiperfosfatemia.
Hiperparatireoidismo primário: PTH alto ou inadequadamente normal, hipercalcemia e fósforo baixo ou normal-baixo.
Hiperparatireoidismo secundário: PTH alto por estímulo crônico, geralmente doença renal crônica ou deficiência de vitamina D, com cálcio baixo ou normal.
Hiperparatireoidismo terciário: PTH autônomo após estímulo prolongado, típico da doença renal crônica avançada, com hipercalcemia.
Não confunda: o tema é paratireoide, não tireoide. A cirurgia de tireoide aparece como causa clássica de hipoparatireoidismo pós-operatório.
A banca costuma cobrar de três formas.
Pós-tireoidectomia com parestesias, câimbras, tetania, sinal de Chvostek ou Trousseau e cálcio baixo: pense em hipoparatireoidismo.
Mulher mais velha, assintomática, com cálcio alto em exame de rotina e PTH não suprimido: pense em hiperparatireoidismo primário.
Paciente com doença renal crônica, fósforo alto, cálcio baixo ou normal e PTH alto: pense em hiperparatireoidismo secundário.
A palavra que entrega o diagnóstico é “PTH inadequado”:
cálcio alto deveria suprimir o PTH;
se o cálcio está alto e o PTH está normal ou alto, o PTH está inadequadamente alto;
cálcio baixo deveria elevar o PTH;
se o cálcio está baixo e o PTH está baixo ou normal, o PTH está inadequadamente baixo.
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O PTH aumenta o cálcio sérico e reduz o fósforo sérico.
Ele age em três pontos:
Osso: aumenta reabsorção óssea.
Rim: aumenta reabsorção de cálcio e aumenta excreção de fósforo.
Vitamina D: estimula conversão renal para calcitriol, aumentando absorção intestinal de cálcio.
Regra de prova:
PTH baixo: cálcio cai e fósforo sobe.
PTH alto primário: cálcio sobe e fósforo tende a cair.
PTH alto secundário à doença renal crônica: fósforo sobe porque o rim não consegue excretar fósforo adequadamente.
Hipoparatireoidismo:
Parestesias periorais e em extremidades.
Câimbras.
Tetania.
Sinal de Trousseau: espasmo carpopedal ao insuflar o manguito.
Sinal de Chvostek: contração facial à percussão do nervo facial.
Convulsões.
Prolongamento do QT.
Hiperparatireoidismo primário:
Muitas vezes assintomático.
Hipercalcemia incidental.
Nefrolitíase.
Osteopenia ou osteoporose.
Dor óssea.
Fraqueza, constipação, poliúria, polidipsia, alteração neuropsiquiátrica.
Frase clássica em prova: “stones, bones, groans and psychiatric overtones”, mas hoje o mais comum é cálcio alto assintomático.
Hipoparatireoidismo crônico:
Catarata.
Calcificações de núcleos da base.
Pele seca, unhas frágeis, queda de cabelo.
Hipocalcemia persistente após cirurgia cervical.
Hiperparatireoidismo secundário:
Doença renal crônica.
Hiperfosfatemia.
Doença mineral óssea.
Dor óssea, fraturas, prurido e calcificações vasculares em casos avançados.
Hiperparatireoidismo terciário:
Paciente com doença renal crônica longa, muitas vezes em diálise ou pós-transplante renal.
PTH muito alto e hipercalcemia por autonomia das paratireoides.
Hipocalcemia grave:
Tetania.
Convulsão.
Laringoespasmo.
Arritmia.
QT longo.
Cálcio muito baixo sintomático.
Hipercalcemia grave:
Rebaixamento do nível de consciência.
Desidratação importante.
Insuficiência renal aguda.
Arritmia.
Cálcio total geralmente ≥ 14 mg/dL sugere crise hipercalcêmica.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.