
A questão cobra o reconhecimento de um epônimo clássico das infecções congênitas. A tríade de Hutchinson reúne dentes de Hutchinson, ceratite intersticial e surdez neurossensorial, e é a marca da sífilis congênita tardia. Basta associar o epônimo à doença para marcar a alternativa D.
Dentes de Hutchinson + ceratite intersticial + surdez neurossensorial = sífilis congênita tardia
A triade de Hutchinson é o conjunto clássico de sinais da sífilis congênita tardia, ou seja, das manifestações que surgem após os 2 anos de idade em crianças infectadas pelo Treponema pallidum e não tratadas adequadamente. Ela é formada por três achados: dentes de Hutchinson, ceratite intersticial e surdez neurossensorial por acometimento do VIII par craniano.
Os dentes de Hutchinson acometem os incisivos centrais superiores permanentes, que ficam pequenos, espaçados, em forma de barril ou chave de fenda e com um entalhe na borda incisal. A ceratite intersticial é uma inflamação do estroma da córnea que causa fotofobia, lacrimejamento e opacificação. A surdez costuma aparecer mais tarde. Outros estigmas da sífilis congênita tardia ajudam a reforçar o diagnóstico: fronte olímpica, nariz em sela, tíbia em sabre, molares em amora e articulações de Clutton.
A armadilha nas provas é confundir a surdez da tríade com a de outras infecções TORCH. Citomegalovírus e rubéola também causam perda auditiva neurossensorial, mas não provocam alterações dentárias nem ceratite intersticial. O achado que fecha o diagnóstico é a combinação dos três sinais, e não um deles isolado.
A citomegalovirose congênita cursa com microcefalia, calcificações periventriculares, coriorretinite e perda auditiva neurossensorial. Ela não causa dentes de Hutchinson nem ceratite intersticial.
A toxoplasmose congênita se manifesta classicamente por coriorretinite, hidrocefalia e calcificações intracranianas difusas, sem relação com a tríade de Hutchinson.
A hepatite B é transmitida principalmente no período perinatal, costuma ser assintomática no recém-nascido e tem como principal risco a evolução para hepatite crônica. Não provoca alterações dentárias, corneanas ou auditivas.
Dentes de Hutchinson, ceratite intersticial e surdez neurossensorial compõem a tríade clássica da sífilis congênita tardia, que surge após os 2 anos de idade.
A rubéola congênita causa catarata, cardiopatia (como persistência do canal arterial) e surdez neurossensorial. A surdez é comum às duas doenças, mas a rubéola não causa dentes de Hutchinson nem ceratite intersticial.
Epônimo com dentes, córnea e ouvido aponta para sífilis congênita tardia. Se o enunciado trouxer só surdez, pense também em citomegalovírus e rubéola.
Sífilis congênita é a infecção do recém-nascido pelo Treponema pallidum, transmitida principalmente por via transplacentária, e para prova o ponto central é saber avaliar o binômio mãe-bebê: tratamento materno adequado ou inadequado, VDRL materno e neonatal, clínica do recém-nascido e necessidade de investigação e penicilina.
O que separa esse tema dos vizinhos é: não basta olhar o bebê. A conduta depende muito da história materna, da adequação do tratamento na gestação e da comparação entre títulos não treponêmicos da mãe e do recém-nascido.
A banca costuma cobrar recém-nascido de mãe com sífilis na gestação, pré-natal incompleto, tratamento com esquema errado, tratamento iniciado tardiamente ou parceiro não tratado. O bebê pode estar assintomático, e essa é a grande pegadinha.
O padrão clássico de prova é:
mãe com VDRL reagente no parto;
tratamento materno ausente, inadequado ou sem documentação;
recém-nascido aparentemente bem;
pergunta sobre investigação e tratamento.
A palavra que entrega o diagnóstico costuma ser: rinite sifilítica, pênfigo palmoplantar, hepatoesplenomegalia, icterícia, anemia, trombocitopenia, periostite, osteocondrite ou pseudoparalisia de Parrot.
O exame mais cobrado é o VDRL do recém-nascido em sangue periférico, comparado ao VDRL materno. Não se deve usar sangue de cordão para decidir conduta.
O Treponema pallidum atravessa a placenta e pode infectar o feto em qualquer fase da gestação. Quanto mais recente a sífilis materna, maior a carga treponêmica e maior o risco de transmissão.
Para prova, guarde:
sífilis recente (até 1 ano de evolução: primária, secundária ou latente recente) tem maior risco de transmissão vertical do que a sífilis tardia (mais de 1 ano de evolução ou duração ignorada);
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transmissão pode ocorrer mesmo com mãe assintomática;
tratamento materno só é considerado adequado se feito com penicilina benzatina, em esquema correto para o estágio clínico, iniciado até 30 dias antes do parto; se houver atraso de dose, o esquema deve ser reiniciado;
penicilina benzatina é o único tratamento com eficácia documentada na gestação; macrolídeo, ceftriaxona ou outro antibiótico não são considerados tratamento adequado para prevenir sífilis congênita.
A maioria dos recém-nascidos pode nascer assintomática. Quando há sintomas precoces, os achados clássicos são:
prematuridade ou baixo peso;
rinite sifilítica (coriza serossanguinolenta);
lesões cutâneas, especialmente pênfigo palmoplantar;
hepatoesplenomegalia;
icterícia;
anemia;
trombocitopenia;
osteocondrite, periostite ou metafisite;
pseudoparalisia de Parrot;
meningite asséptica;
pneumonia alba, mais rara, mas clássica.
O dado que mata a questão é recém-nascido com lesão palmoplantar bolhosa ou descamativa associado a mãe com sífilis não tratada adequadamente.
Na sífilis congênita tardia, após 2 anos, a banca pode cobrar a tríade de Hutchinson:
dentes de Hutchinson;
ceratite intersticial;
surdez neurossensorial.
Outros achados tardios:
tíbia em sabre;
fronte olímpica;
nariz em sela;
molares em amora;
articulação de Clutton;
fissuras periorais.
São sinais de maior gravidade ou necessidade de investigação completa:
sinais clínicos compatíveis com sífilis congênita;
VDRL do recém-nascido com título pelo menos 4 vezes maior que o materno;
alteração de líquor;
alteração radiológica de ossos longos;
anemia, leucopenia, leucocitose ou plaquetopenia;
prematuridade, baixo peso, hepatoesplenomegalia ou icterícia importante;
ausência de tratamento materno adequado documentado.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.