
A questão cobra o conceito de zetaplastia: dois retalhos triangulares pediculados transpostos entre si, e não enxertos. O ponto central é que o ângulo dos triângulos define o ganho de comprimento ao longo do eixo original e muda a direção do ramo central, o que altera o tamanho final da cicatriz. Por isso a alternativa A é a correta.
Dois retalhos triangulares pediculados + transposição + ângulo maior = mais ganho de comprimento (30° 25%, 45° 50%, 60° 75%) → zetaplastia alonga e reorienta a cicatriz
A zetaplastia é uma técnica de retalho local por transposição. Faz-se uma incisão central sobre a cicatriz ou contratura e dois ramos laterais de mesmo comprimento, formando um Z com dois retalhos triangulares. Esses retalhos são trocados de posição sem perder o pedículo vascular, por isso não passam pelas fases de integração de enxerto (embebição plasmática, inosculação e revascularização).
O ganho teórico de comprimento ao longo do eixo central depende do ângulo: 30° dá cerca de 25%, 45° cerca de 50%, 60° cerca de 75%, 75° cerca de 100% e 90° cerca de 120%. O ângulo de 60° é o mais usado porque equilibra ganho de comprimento e facilidade de transposição. O valor absoluto ganho também cresce com o comprimento dos ramos. Após a transposição, o ramo central gira cerca de 90°, o que permite realinhar a cicatriz com as linhas de tensão da pele relaxada.
As indicações principais são alongar cicatrizes, liberar contraturas lineares (como bridas em áreas de flexão) e quebrar ou reorientar cicatrizes, inclusive na face. Há duas armadilhas comuns. A primeira: o ganho real é menor que o teórico, porque depende da elasticidade da pele ao redor. A segunda: ângulos muito agudos aumentam o risco de necrose da ponta do retalho, e ângulos muito abertos dificultam a transposição.
O ângulo dos triângulos determina o ganho de comprimento e a nova orientação da cicatriz. Ele influi, portanto, no tamanho final dela, e por isso esta é a resposta.
A zetaplastia transpõe retalhos, e não enxertos. O retalho mantém pedículo vascular próprio, enquanto o enxerto é tecido destacado que depende do leito receptor.
Os triângulos são retalhos locais que continuam ligados à pele pela base. Eles mantêm vascularização própria, ou seja, têm pedículo vascular.
A inosculação é uma fase da integração de enxertos, que vêm depois da embebição plasmática. Retalhos pediculados não dependem desse processo porque já chegam vascularizados.
A zetaplastia é muito usada na face, por exemplo para corrigir pregas epicânticas e realinhar cicatrizes faciais com as linhas de tensão da pele relaxada. Não existe contraindicação por localização facial.
Zetaplastia é retalho, nunca enxerto: tem pedículo e não passa por embebição nem inosculação. Grave a tabela teórica 30°, 45°, 60° = 25%, 50%, 75%, sabendo que o ganho real é menor.
Fios e suturas são ferramentas para aproximar tecidos até que a cicatrização tenha força suficiente para manter a ferida fechada. Para prova, o mais importante é saber escolher entre fio absorvível e não absorvível, monofilamentar e multifilamentar, além de reconhecer quando a técnica de fechamento aumenta risco de infecção, deiscência ou mau resultado estético.
A banca costuma cobrar esse tema em vinhetas de ferida operatória, trauma, fechamento de pele, sutura intestinal, sutura vascular e infecção de sítio cirúrgico.
O perfil típico é:
paciente com ferida cortante limpa em pronto-socorro;
paciente operado com deiscência de ferida;
escolha do fio para aponeurose, pele, intestino ou vaso;
pergunta direta sobre propriedade dos fios;
comparação entre monofilamentar e multifilamentar;
tempo de retirada dos pontos por região anatômica.
A palavra que entrega a questão geralmente é uma destas:
"monofilamentar";
"absorvível";
"contaminada";
"aponeurose";
"pele";
"intestino";
"memória";
"capilaridade";
"força tênsil";
"reação tecidual".
A sutura funciona como suporte temporário. A ferida ganha força com deposição de colágeno, mas isso é lento. Nos primeiros dias, quem segura a ferida é praticamente o fio.
107 questões do tema no qBank, cada uma com comentário e resumo do tema, revisão espaçada do que você errou e flashcards do mesmo assunto.
Regra prática para prova:
pele cicatriza rápido e aceita fio não absorvível retirado depois;
mucosa e subcutâneo costumam receber fio absorvível;
aponeurose precisa de fio forte e com manutenção prolongada da força tênsil;
tecido infectado ou contaminado prefere fio monofilamentar, porque tem menor capilaridade e menor colonização bacteriana;
tecido delicado exige fio fino e técnica atraumática.
A pegadinha é confundir absorção do fio com perda de força. O fio pode começar a perder força antes de ser completamente absorvido.
Situações clássicas:
fechamento de pele em ferida limpa: náilon ou polipropileno, geralmente não absorvíveis, monofilamentares;
sutura de mucosa: fio absorvível;
sutura intestinal: fio absorvível ou não absorvível, com preferência por material que cause pouca reação e boa coaptação;
sutura vascular: polipropileno, monofilamentar, não absorvível;
aponeurose: fio de longa duração, como polidioxanona ou polipropileno;
ferida contaminada: evitar multifilamentar quando possível.
Propriedades dos principais fios:
categute: absorvível natural, maior reação tecidual, pouco usado em comparação aos sintéticos;
poliglactina 910: absorvível sintético, multifilamentar, útil em subcutâneo e mucosas;
ácido poliglicólico: absorvível sintético, multifilamentar;
polidioxanona: absorvível sintético, monofilamentar, mantém força por mais tempo;
náilon: não absorvível, monofilamentar ou multifilamentar, muito usado em pele;
polipropileno: não absorvível, monofilamentar, pouca reação, muito usado em vascular e pele;
seda: não absorvível natural, multifilamentar, fácil manuseio, mas maior capilaridade e reação tecidual;
aço: não absorvível, alta força, usado em situações específicas, como esterno.
A banca pode associar erro de sutura a complicação:
deiscência: tensão excessiva, infecção, técnica inadequada, fio fraco ou retirada precoce;
infecção: fio multifilamentar em campo contaminado, tecido desvitalizado, corpo estranho excessivo;
isquemia de borda: ponto muito apertado;
cicatriz ruim: tensão, desalinhamento de bordas, eversão inadequada, retirada tardia ou precoce;
granuloma de corpo estranho: reação ao fio.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.